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O que é a Síndrome de Cushing, causas e tratamento

Por: tuasaúde

A Síndrome de Cushing é uma doença que ocorre devido à elevada quantidade de cortisol no sangue, causando sintomas como rápido aumento de peso e acúmulo de gordura na região abdominal e face, além do desenvolvimento de estrias vermelhas no corpo e pele oleosa com tendência à acne, por exemplo.

O diagnóstico desta síndrome, também conhecida por hipercortisolismo, pode ser feito através de um exame de sangue, de urina ou ressonância magnética, porém nem sempre é fácil chegar ao diagnóstico porque é comum que a doença seja confundida com outras doenças como obesidade e depressão.

A Síndrome de Cushing tem cura e esta pode ser alcançada através da eliminação da causa da doença, no entanto, é necessário fazer tratamento específico como diminuir o consumo de corticoides ou no caso de tumor pode ser necessário fazer cirurgia para remover o tumor.

Acúmulo de gordura no abdômen

Acúmulo de gordura no abdômen

Estrias vermelhas características da Síndrome de Cushing

Estrias vermelhas características da Síndrome de Cushing

Sintomas da Síndrome de Cushing

O sintoma mais característico dessa síndrome é a face em lua e o acúmulo de gordura na região abdominal. Além disso, outros sintomas relacionados a Síndrome de Cushing são:

  • Braços e pernas finas;
  • Aparecimento de estrias largas e vermelhas;
  • Desenvolvimento de pêlos no rosto, principalmente no caso das mulheres;
  • Aumento da pressão;
  • Diabetes;
  • Diminuição da libido e da fertilidade;
  • Fraqueza muscular;
  • Surgimento de manchas roxas.

O diagnóstico da Síndrome de Cushing deve ser feito pelo endocrinologista por meio da avaliação dos sintomas e exames laboratoriais, como a dosagem de cortisol na urina e no sangue, além do ACTH e de ressonância magnética para verificar a presença de tumor.

Como aliviar os sintomas

Para reduzir os sintomas da doença é importante manter uma alimentação pobre em sal e açúcar e comer diariamente fruta e vegetais porque são alimentos ricos em vitaminas e minerais e que ajudam a fortalecer o sistema imune. Além disso, é importante evitar locais poluídos e com muitas pessoas para diminuir as chances de infecções.

Como é feito o tratamento

​O tratamento para Síndrome de Cushing deve ser orientado pelo endocrinologista e varia conforme a causa da síndrome. Quando a doença é causada pelo uso prolongado de corticoides, é indicada a diminuição da dose do medicamento, segundo a orientação do médico e, se possível, a sua suspensão.

Quando a Síndrome de Cushing é causada por um tumor, o tratamento costuma incluir a cirurgia para remoção do tumor e depois a realização de radioterapia ou quimioterapia. Além disso, antes da cirurgia ou quando o tumor não pode ser removido, o médico pode recomendar que o paciente tome remédios para controlar a produção de cortisol.

Possíveis complicações

​Quando o tratamento da síndrome de Cushing não é realizado há risco de morte devido ao descontrole hormonal. Além disso, ter a pressão alta e o açúcar no sangue por muito tempo pode causar complicações como mau funcionamento dos rins ou dificuldade em enxergar.

Principais causas

As causas mais frequentes da síndrome de Cushing incluem o uso prolongado e em doses elevadas de medicamentos como corticoides, que geralmente, são utilizados para o tratamento de inflamações como lúpus, asma e artrite reumatoide, por exemplo.

Além disso, também pode ocorrer devido à presença de tumor na glândula pituitária, que se encontra no cérebro, levando à desregulação na produção de ACTH e, consequentemente, aumento na produção de cortisol, que pode ser detectado em altas concentrações no sangue.

O que é Tumor Cerebral, benigno, maligno, sintomas, tem cura?

Por: Minuto Saúdavel

Um tumor cerebral é caracterizado quando há formação de células anormais no cérebro. Elas se dividem de maneira muito rápida e descontrolada, trazendo consigo uma série de complicações. Quando se originam de células do próprio Sistema Nervoso Central são classificados como primários. Já quando vêm de outros tumores, são secundários.

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimou que surgiriam aproximadamente 9.090 (4.960 em homens e 4.130 em mulheres) novos casos de tumor cerebral nos anos de 2014 e 2015. Estima-se também que, em números gerais, isso significa que a probabilidade de uma pessoa vir a desenvolver um tumor cerebral maligno no seu período de vida é inferior a 1%.

As causas dos tumores cerebrais ainda são desconhecidas, porém, dentre os seus fatores de risco, a hereditariedade é um dos principais em conjunto com a exposição à materiais cancerígenos.

Dentre suas complicações, alterações sensoriais (visão, audição), mudanças de cognição, náuseas, dores de cabeça e mudanças de personalidade e comportamento podem ocorrer, apesar da última ser a menos comum.

É muito difícil tratar um tumor cerebral, visto que sua localidade, muito sensível, exige tratamentos minuciosos e, em caso de cirurgias, muita precisão.

Não é possível afirmar que o tumor cerebral tem cura, pois cada caso possui suas características particulares. Apesar disso, muitas pessoas conseguem se curar e voltar a viver uma vida normal.

O tumor cerebral pode ser encontrado na Classificação Internacional de Doenças, ou CID-10, através dos códigos D71 e D33.

O cérebro

O cérebro faz parte do sistema Nervoso Central (SNC) e fica localizado no crânio, onde flutua num líquido transparente chamado líquido cefalorraquidiano, ou líquor, que o protege tanto fisicamente quanto imunologicamente.

Por ser considerado o principal órgão do SNC, podemos dizer que ele é o “diretor” que controla a grande maioria das funções cerebrais e corporais.

Tudo que acontece em nossas vidas, mesmo enquanto estamos dormindo, seja respirar, engolir, ver, ouvir, tocar, ler, escrever, cantar ou dançar; tudo passa pelo cérebro. Dessa forma, é possível afirmar que esse órgão é responsável pelas seguintes funções:

  • Controlar as funções vitais: funções como o controle da temperatura corporal, pressão arterial, frequência cardíaca, respiração, sono, apetite, sede etc.;
  • Receber, processar e integrar todas as informações sensoriais: visão, audição, tato, paladar e olfato;
  • Controlar os movimentos: caminhar, correr, falar, ficar em pé, etc.;
  • Controle de emoções e comportamento: alegria, raiva, tristeza, nojo, medo, surpresa etc.;
  • Controlar funções cognitivas: raciocínio, pensamento, memória, aprendizagem, percepção, funções executivas, etc.

O cérebro humano contém cerca de 86 milhões de neurônios e representa apenas 2% da massa corporal. Apesar disso, recebe aproximadamente 25% de todo o sangue que é bombeado pelo coração.

Para facilitar ainda mais o entendimento e a compreensão da complexidade dos tumores cerebrais e o porquê da sua dificuldade de tratamento, é preciso ainda entender o papel de certas estruturas anatômicas desse órgão, pois cada uma desempenha uma função. Confira!

Anatomia cerebral

O cérebro é considerado o órgão mais complexo do corpo o humano. Tem formato ovoide e pesa um pouco menos de 1,5kg. É simetricamente dividido em 2 hemisférios, o direito e o esquerdo, sendo que um deles é dominante.

Cada hemisfério se divide em duas extremidades, posterior e anterior, e três faces, a externa, a inferior e a interna. Abaixo dos dois hemisférios se encontra o cerebelo. À união dessas e de outras estruturas em conjunto, dá-se o nome de encéfalo.

Buscando facilitar a compreensão e expor rapidamente as funções de cada parte do cérebro, não vamos entrar em detalhes quanto a estruturas como o tronco cerebral, os ventrículos e bulbo raquidiano, por exemplo.

Confira agora as principais regiões do cérebro e suas funções:

Lobo frontal

Ocupa a parte anterior dos hemisférios. É de grande importância para desempenhar funções como a flexibilidade mental, resolução de problemas, mas também é responsável por várias características que definem nossa personalidade.

Para se ter uma ideia de como o lobo frontal é importante nesse quesito, podemos citar o famoso caso de Phineas Gage, um dos mais famosos no âmbito da neuropsicologia.

Depois de sofrer um acidente no qual uma barra de ferro de 1 metro de comprimento lhe atravessou o crânio, Gage se recuperou completamente fisicamente, porém com alguns efeitos colaterais bastante peculiares.

Para as pessoas ao seu redor, sua personalidade mudou muito depois do acidente. Elas dizem que o homem deixou de ser um homem responsável e tranquilo e se tornou irregular, blasfemo, agressivo e impaciente.

Isso prejudicou severamente seus relacionamentos, assim como seu rendimento no trabalho, fazendo com que ele pulasse de emprego em emprego até arranjar um trabalho onde exibia suas cicatrizes no circo.

Foi graças ao caso de Phineas Gage que a ciência começou a considerar a possibilidade de o lobo frontal desempenhar um papel fundamental na manutenção da nossa personalidade.

É por essa razão que tumores na região do lobo frontal pode trazer diversos problemas de cognição, memória e até mesmo trazer mudanças de personalidade, como veremos posteriormente na sessão “Alterações psiquiátricas” do tópico “Complicações”.

Lobo parietal

É a parte do meio do cérebro, se localizando entre os lobos frontais e occipitais. Tem a função de possibilitar a percepção de sensações como o tato, a dor e o calor. É a zona mais sensível do cérebro e representa todas as áreas do corpo humano.

Por essas razões, quando tumores se fazem presentes nesta região do cérebro, sintomas que afetam a percepção, como dormência, se fazem presentes.

Lobo occipital

Localiza-se na parte posterior dos hemisférios. Trabalha processando estímulos visuais, sendo, por essa razão, também conhecidos como córtex visual. Além disso, essa região do cérebro interpreta os sinais visuais, fazendo com que seja possível reconhecer que o gato que vemos é um gato, e não um objeto desconhecido.

Tumores e lesões nessa região podem trazer problemas de visão, como perda parcial, ou a incapacidade de reconhecer objetos, palavras e até mesmo o rosto de familiares.

O famoso neurologista Oliver Sacks, no seu conto que dá nome ao livro “O Homem que confundiu sua mulher com um chapéu”, conta a história de um de seus pacientes, a quem ele chama Dr. P, que possuía alguma disfunção no lobo occipital e outras regiões e, por isso, não reconhecia pessoas nem objetos.

O problema era tal que chegou ao ponto de Dr. P confundir sua esposa com um chapéu e ter tentado colocá-la na própria cabeça ao final de uma consulta. O caso é tão peculiar que, apesar de Dr. P ter conseguido voltar a levar a sua vida normalmente, não houve de fato uma cura nem explicação 100% confiável para explicar esse problema.

Lobo temporal

Fica na parte inferior, na região das têmporas, acima das orelhas, de onde recebe o nome “temporal”. Sua principal função é a de processar os estímulos auditivos. Assim como nos lobos occipitais, ele não só detecta os sinais sonoros como também os interpreta.

Tumores nessa localidade pode trazer problemas de audição.

Cerebelo

Fica na parte de trás do crânio, logo abaixo do cérebro. É responsável pela manutenção do equilíbrio, pelo controle do tônus muscular, dos movimentos voluntários e pela aprendizagem motora.

É através do funcionamento do cerebelo que conseguimos andar, correr, pular, nadar e desenvolver outras atividades físicas. Por isso, tumores nessa região podem trazer sintomas relacionados a dificuldades motoras.

Tipos

Existem, de maneira geral, 2 tipos de tumor no cérebro: o primário e o secundário.

Quando os tumores têm origem em outros órgãos, como nas mamas ou nos pulmões, e só então atingem o cérebro, são denominados tumores secundários, enquanto os que têm origem diretamente no cérebro são chamados de primários.

Nos adultos, a maioria dos tumores no cérebro provém de alguma outra região do corpo e que alcançaram o cérebro através da metástase. Já os tumores cerebrais primários podem ter origem em qualquer parte do cérebro ou da medula espinhal e alguns contém uma combinação de tipos celulares.

É muito importante saber de que tipo de tumor se trata, pois os tumores primários e secundários exigem tratamentos diferentes entre si.

Ao contrário dos outros tipos de câncer, um tumor no cérebro dificilmente entra em metástase e se espalha para órgãos distantes. Por outro lado, eles causam danos sérios e podem ter consequências gravíssimas, como veremos futuramente no artigo.

Muito dificilmente um tumor cerebral ou espinhal é benigno, existindo apenas algumas raras exceções. Se eles não forem completamente removidos, vão continuar a crescer até levar a eventual morte do paciente.

Ainda assim, é preciso lembrar que o cérebro é um órgão muito plástico, muito complexo e dividido em várias regiões. Por isso, é possível afirmar que existem diferentes classificações de tumores, referentes ao tanto ao local que afetam quanto ao tipo celular de origem. Confira:

Tumores da Hipófise

Tumores da hipófise normalmente apresentam sintomas neurológicos e hormonais em conjunto.

Os sintomas neurológicos acontecem, na maior parte das vezes, por conta da compressão que o tumor causa nas estruturas adjacentes, e podem se apresentar como dor de cabeça constante nas regiões frontal e lateral, sem alívio após o uso de analgésicos comuns.

Outro sintoma neurológico bastante comum é a diminuição da acuidade visual, principalmente pela perda do campo visual lateral, que ocorre devido a compressão do quiasma óptico (uma estrutura em formato de X formada pelo encontro de dois nervos ópticos) pelo tumor.

Os sintomas hormonais, por outro lado, são um reflexo de um excesso de produção ou de uma falta de produção de hormônios.

A falta de hormônios causa sintomas que incluem a falta de energia, queda de pressão, sonolência, desânimo, falta de vitalidade, queda de glicemia e outros. Já o excesso hormonal é um pouco mais complexo e podemos dividir os sintomas de acordo com o tipo de hormônio que está sendo produzido em excesso.

O excesso hormonal pode se dar, por exemplo, nos hormônios do crescimento (GH e IGF-1), o que pode causar acromegalia, um distúrbio que ocasiona o surgimento de alterações  no organismo como o crescimento das extremidades (mãos e pés), mudança no aspecto facial e alterações no metabolismo (hipertensão e diabetes).

Outro hormônio que pode se encontrar em excesso no organismo é a prolactina. Um pequeno excesso desse hormônio pode ocorrer por outras causas que não necessariamente um tumor, como estresse ou o uso de anticoncepcionais.

Entretanto, quando os níveis de prolactina estão muito elevados, a possibilidade de se ter um tumor como responsável deve ser considerada. Nas mulheres, ocorre a queda da libido, irregularidade do ciclo menstrual e saída de leite pelo peito (galactorréia). Nos homens, há a perda de potência sexual, disfunção erétil e aumento do tamanho das glândulas mamárias (ginecomastia).

Ainda existe outro hormônio que pode ter sua produção aumentada por causa de um tumor. Trata-se do cortisol.

O cortisol é um hormônio relacionado com as reações de estresse do organismo e é produzido pela glândula suprarrenal quando estimulada pelo hormônio hipofisário ACTH. Isso faz com que o paciente desenvolva a síndrome de Cushing, uma condição rara, caracterizada pela presença de um nódulo na hipófise que produz níveis elevados ACTH.

A produção elevada de ACTH tem como consequência a produção elevada de cortisol, que acaba por exercer efeitos bastante negativos no organismo.

Quando há uma quantidade elevada de cortisol no organismo, podem ocorrer sintomas como ganho de peso, decorrente de aumento da gordura no abdômen, perda da massa muscular com afinamento dos braços e pernas, surgimento de grandes estrias, arredondamento do rosto, pele mais fina e sujeita a hematomas, além de alterações metabólicas como diabetes e hipertensão.

Trata-se de uma doença muito rara e severa e que deve ser tratada por um neuroendocrinologista experiente em centros de referência.

Existe ainda mais uma situação, que é quando o tumor da hipófise surge durante a adolescência. Nesses casos, pode ocorrer o aumento exagerado da altura do paciente, levando ao gigantismo.

Os principais sintomas desse quadro são mudanças na aparência física, alargamento da região frontal da testa, queixo proeminente, espaçamento entre os dentes com perda dentária, aumento do volume do nariz e dos lábios, espessamento da pele (se tornando oleosa e mais propensa à acne), sudorese abundante e alterações respiratórias, cardiovasculares e metabólicas.

Craniofaringioma

Trata-se do surgimento de tumores benignos que ocorrem normalmente na base do cérebro, perto dos nervos oftálmicos e centros hormonais. Eles afetam com mais frequência crianças, adolescentes e indivíduos acima dos 50 anos de idade.

São classificados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como tumores de grau I, ou seja, tumores de baixo ou incerto potencial de malignização.

Seus sintomas vão depender bastante do local onde cresceu o tumor. Quando ele se encontra, por exemplo, comprimido no talo hipofisário ou circundando a glândula pituitária, pode levar à deficiência parcial ou completa da produção de hormônios do crescimento, causando atraso da puberdade.

Outros sintomas que podem surgir são dores de cabeça, problemas de visão, alterações menstruais, aumento da sensação de frio, fadiga, constipação, pele ressecada, náuseas, hipotensão e podendo levar à depressão.

Hemangioblastoma

São tumores do sistema nervoso central (SNC) que se originaram do sistema vascular. Ocorrem, normalmente, na meia idade e podem acometer outras regiões como a coluna vertebral, tronco cerebral ou a retina.

Geralmente estão associados com outras doenças, tais quais a poliglobulia (aumento exagerado na quantidade de glóbulos vermelhos), cistos pancreáticos e a síndrome de Von Hippel-Lindau (doença genética e rara que envolve o crescimento anormal de tumores).

Neuroma acústico

Trata-se de um tipo de tumor localizado no nervo auditivo. Constitui aproximadamente 6% de todos os tumores cerebrais, ocorre igualmente em todas as raças e possui uma leve predileção por mulheres.

São tumores benignos que podem se localizar profundamente no crânio e próximos aos centros vitais do cérebro. Seus primeiros sintomas normalmente estão relacionados à perda de audição, barulhos no ouvido (zumbido) ou falta de equilíbrio.

Na maior parte das vezes são de crescimento lento e, em grande parte dos pacientes, os sintomas são leves e quase imperceptíveis, sendo que muitos não apresentam evolução do quadro durante anos.

Ele pode se apresentar de duas formas:

  1. Esporádico;
  2. Associado à neurofibromatose.

Paciente que possuem um neuroma acústico esporádico costumam começar a apresentar sintomas entre os 40 e 60 anos de idade, e os tumores normalmente afetam somente um dos lados do cérebro, isto é, são unilaterais.

Os neuromas acústicos associados à neurofibromatose, por outro lado, costuma apresentar sintomas quando o paciente está entre os 20 e 30 anos (fase conhecida como “jovem adulto”). Ao contrário dos esporádicos, esses tipos de tumor são bilaterais, isto é, atingem os dois lados do cérebro.

Enquanto o neuroma acústico esporádico representa mais ou menos 95% dos casos de neuroma acústico, o associado a neurofibromatose representa os outros 5%.

Tumores da região pineal

Os tumores da região pineal tendem a acontecer durante a infância, mas podem surgir a qualquer momento da vida. Eles acontecem na glândula pineal, uma pequena estrutura localizada perto do centro do cérebro e responsável por exercer a regulação dos chamados ciclos circadianos, responsável pela regulação do ciclo biológico.

Esses tumores podem aumentar a pressão intracraniana pela compressão do aqueduto de Sylvius, canal que permite a passagem do líquido cefalorraquidiano. Também pode causar ptose (pálpebras caídas) e perda dos reflexos pupilares à luz e de acomodação.

Meningeoma

Não se trata exatamente de um tumor cerebral, pois acontece nas meninges, que são as camadas de tecido que recobrem o cérebro e a medula espinhal. Eles causam sintomas parecidos, no entanto, pois aumentam o tamanho da meninge, pressionando o cérebro ou a medula espinhal.

São bastante comuns e representam cerca de 25% dos tumores cerebrais primários e a maioria dos tumores de medula espinhal. Nos adultos, é o tipo de tumor cerebral mais comum e sua taxa de incidência aumenta com a idade, sendo maior em pessoas na faixa de 70 e 80 anos.

Ao contrário dos outros tipos de tumor no cérebro, a maioria dos meningiomas (cerca de 85%) são benignos e podem ser curados através de cirurgia. Alguns, entretanto, surgem em locais muito próximos à estruturas vitais e não podem ser curados apenas com cirurgia.

A outra parcela, maligna, é mais difícil de ser curada e pode voltar a aparecer depois da realização da cirurgia de remoção.

Astrocitoma

A maior parte dos tumores cerebrais propriamente ditos surge a partir de um tipo de célula chamada astrócito — por isso o nome astrocitoma. Eles representam cerca de 35% de todos os tumores cerebrais.

É muito difícil curar esse tipo de tumor porque ele se espalha amplamente pelo tecido cerebral normal próximo. Muitas vezes, inclusive, os astrocitomas se disseminam ao longo dos tecidos banhados pelo líquor.

É muito raro que os astrocitomas se disseminem para além da medula espinhal.

De maneira geral, eles são classificados em astrocitomas de alto ou baixo grau de malignidade. Essa classificação se dá através de de análise microscópica, onde o patologista avalia as seguintes características:

  • A proximidade das células dentro do tumor;
  • O grau de anormalidade das células;
  • A quantidade de células que se encontram em processo de divisão;
  • A presença de vasos sanguíneos no interior do tumor;
  • A reação das células tumorais ao tratamento.

Os astrocitomas de baixo grau possuem um desenvolvimento lento, enquanto os de alto grau são especialmente malígnos, desenvolvendo-se rapidamente e representando 60% de todos os astrocitomas.

Ainda não se sabe exatamente o que causa um tumor no cérebro e a maioria deles aparece sem que possamos saber o porquê. Alguns traumatismos foram relacionados com o surgimento de tumores, mas essa relação ainda não é completamente entendida e ainda resta dúvida se esses são fatores determinantes ou não.

De uns anos pra cá, os tumores cerebrais têm sido associados a algum tipo de predisposição ou mutação genética. Foi descoberto, por exemplo, que alterações nos cromossomos 1, 10, 13, 17, 19 e 22 podem estar relacionados ao surgimento de tumores cerebrais.

Outra hipótese é a influência da radioterapia em qualquer lugar do corpo, inclusive no cérebro, para pessoas que já fizeram tratamento para tumores.

Além disso, algumas variações de oncovírus, um tipo de vírus que têm a capacidade de alterar o ciclo celular induzindo o desenvolvimento de um tumor,  são conhecidas por potencialmente causarem tumores no cérebro.

A boa notícia é que ao mesmo tempo em que as radioterapias estão ficando cada vez mais seguras para impedir o aparecimento de outros tumores, muitos oncovírus estão sendo estudados e já tem até vacina para sua prevenção.

Entretanto, ainda não se tem uma completa relação sobre o que causa a doença. Tudo que se sabe até o momento, são os fatores de risco envolvidos no seu desenvolvimento.

Fatores de risco

Como dito no tópico anterior, ainda não se sabe exatamente o que causa um tumor no cérebro, especialmente por causa da variedade de tipos existentes. Entretanto, algumas doenças, comportamentos e fatores externos estão intimamente associados ao desenvolvimento de tumores no cérebro. Confira:

Exposição à radiofrequência

Trata-se de um tema polêmico. Ainda não foi descoberto completamente que a radiofrequência, emitida principalmente por aparelhos celulares, seria ou não um fator de risco para o desenvolvimento de tumores cerebrais.

Em 2011, a Organização Mundial da Saúde (OMS) deu um parecer afirmando que o uso de telefones móveis poderia estar relacionado a câncer cerebral.

A OMS chegou a essa conclusão depois de um painel realizado com 31 cientistas que compõe a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, em inglês International Agency for Research on Cancer).

Os pesquisadores observaram uma diversa gama de estudos epidemiológicos (análises da incidência da doença em populações com uso variado de celular ou outra exposição à campos de radiofrequência) para chegar a essa conclusão.

Vale lembrar, porém, que o que a organização disse, é que a existe a possibilidade de os celulares serem responsáveis ou parcialmente responsáveis pelo surgimento de tumores cerebrais. Ela não contraindica o uso de celulares e aponta que não há nenhum dado novo que comprove que celulares causam câncer.

Apesar disso, não deixam de surgir inúmeras pesquisas com resultados variados, tendo algumas que mostram seu potencial carcinogênico e outras que o desmentem. É por essa razão que a OMS classifica os celulares e a radiofrequência como um possível, e não provável, carcinogênico.

Um exemplo de estudo que fala sobre a possibilidade dos celulares terem responsabilidade no surgimento de tumores cerebrais, mais especialmente gliomas, veio da França em 2015, em um artigo de revisão.

Os pesquisadores acompanharam aproximadamente 400 pacientes diagnosticados com glioma ou meningioma e seus hábitos.

O estudo mostrou que o uso excessivo de celulares pode aumentar consideravelmente as chances de um tumor cerebral, especialmente no lobo temporal, área do cérebro mais próxima às orelhas, onde coincidentemente usamos o telefone celular.

Em compensação, uma pesquisa feita na Austrália mostra o contrário. Os pesquisadores analisaram os dados relativos à incidência de câncer entre os anos de 1982 até 2012 para verificar a incidência de tumores na população.

Os dados mostraram que, apesar do uso de celulares no país, que começou em 1987, ter aumentado mais de 90% desde aquele ano, a incidência de tumores cerebrais não seguiu o mesmo padrão de crescimento. Nem mesmo chegou perto.

De modo geral, desde a introdução dos celulares na sociedade australiana, o número médio de tumores cerebrais diagnosticados cresceu 0,05%. No entanto, um o aumento significativo no número de tumores cerebrais em idosos foi constatado.

Os cientistas descartam a hipótese de que são os celulares e a radiofrequência que causou esse aumento, porque desde 1982, data que antecede a introdução de telefones celulares à sociedade, os métodos de diagnóstico para tumores cerebrais têm ficado cada vez mais eficientes, o que explicaria o aumento na incidência de casos registrados.

Portanto, até o presente momento não é possível afirmar categoricamente que o celular é responsável direto ou ao menos desempenha algum papel no surgimento de tumores cerebrais.

Já que o excesso, para os dois lados, pode ser prejudicial, o melhor a se fazer é manter a opinião alinhada a da OMS e considerar o celular um possível carcinogênico.

Gênero

O tumor cerebral é muito mais comum em homens do que em mulheres. Entretanto, os meningiomas ocorrem principalmente em mulheres.

Idade

Embora o tumor cerebral possa se desenvolver em qualquer idade, ele é bem mais comum nos idosos (acima de 65 anos).

Neurofibromatose

A neurofibromatose é uma doença hereditária que se manifesta por volta dos 15 anos de idade. Ela aumenta as chances de tumor cerebral porque provoca o crescimento anormal do tecido nervoso e o surgimento de pequenos neurofibromas, também uma espécie de tumor, nas partes mais externas do cérebro.

Esclerose tuberosa

A esclerose tuberosa é uma doença genética rara, multi-sistêmica, isto é, atinge diversos tecidos e órgãos, e causa o aparecimento de tumores benignos no cérebro e outros órgãos vitais, como coração, rins, olhos, pulmões e pele.

Síndrome de Li-Fraumeni

A síndrome de Li-Fraumeni é uma rara síndrome autossômica dominante que se caracteriza pelo surgimento de diversos tipos de câncer com correlação genética entre si, ou seja, eles são herdáveis e não causados exclusivamente por pressão do ambiente.

Como o padrão de herança é autossômico dominante, não há diferenças entre a herança entre homens e mulheres, bastando o indivíduo herdar um alelo que já está predisposto a desenvolver a síndrome.

Síndrome de Von Hippel-Lindau

A síndrome de Von Hippel-Lindau é uma doença genética autossômica dominante rara que causa o crescimento anormal de tumores em diversas partes do corpo, especialmente aquelas bastante irrigadas por sangue, o que é o caso do cérebro.

O início dessa doença se dá aproximadamente na 2ª e 3ª década de vida, ou seja, aos 20 ou 30 anos.

Síndrome de Turner

Lembra das aulas de biologia do ensino médio? Então, nelas o professor falava de diversas síndromes no cromossomo X, ou cromossomo sexual. A síndrome de Turner é uma delas.

Para refrescar um pouco a memória, a síndrome de Turner é uma anomalia cromossômica do cromossomo X cuja origem é total de um cromossomo X ou então parcial do outro cromossomo X, criando um Y defeituoso que não necessariamente está relacionado ao sexo masculino, já que a síndrome afeta somente mulheres.

Ela já é identificada no momento do nascimento, ou então antes da puberdade, porque ele possui características fenotípicas, isto é, de expressão, muito claras e evidentes.

Todas as pessoas que nascem com a síndrome de turner apresentam baixa estatura, órgãos sexuais e características secundárias (seios) pouco desenvolvidos, tórax largo, pescoço alado, maior frequência de problemas cardiovasculares e são quase sempre estéreis, isto é, não podem ter filhos.

Especialmente nas portadores que possuem uma linha celular XY, isto é, que possuem um gene X normal e outro Y defeituoso, o risco de tumorigênese, isto é, de desenvolver tumores em diversas áreas do corpo, é maior. Isso acaba se aplicando ao cérebro.

Síndrome de Turcot

A síndrome de Turcot é uma doença genética rara que se caracteriza pela associação do surgimento de pólipos no intestino e tumores primários no sistema nervoso central. Seus principais sintomas incluem diarréia, sangramento retal, dor abdominal, perda de peso e cansaço.

Síndrome de Gorlin

A síndrome de Gorlin é uma doença rara herdada geneticamente que causa o surgimento de múltiplos defeitos no organismo, afetando, especialmente, a pele, o sistema nervoso, os olhos, o sistema endócrino e os ossos.

Essas pessoas possuem chances maiores de desenvolver alguns tipos de câncer, como o câncer de pele e o cerebral.

AIDS

As pessoas portadoras de HIV possuem chances maiores de desenvolver linfomas (tumor no linfócito), especialmente quando o seu sistema imunológico se encontra enfraquecido e debilitado por alguma razão.

Entretanto, com o avanço nas terapias anti-retrovirais, os linfomas no cérebro têm se tornado cada vez mais raros.

Biópsia líquida, aplicações e perspectivas de expansão

Por: Onconews

Estudo de pesquisadores brasileiros publicado na Precision Medicine, com participação do oncogeneticista José Claudio Casali da Rocha (foto), discute desafios e perspectivas da biópsia líquida, com recomendações para expandir sua adoção no Brasil. “Em um país com limitada capacidade de recursos e profundas desigualdades na assistência à saúde, queremos mostrar a importância de aumentar a utilização da biópsia líquida no diagnóstico, tratamento e seguimento do câncer, melhorando o acesso a essa nova ferramenta molecular”, diz Casali.

Entre os argumentos descritos no artigo da Precision Medicine (vol 4, nº 1), o estudo brasileiro explica que a biópsia líquida é custo- efetiva para o manejo do câncer no Brasil e mostra que diante da heterogeneidade da doença é uma ferramenta complementar ao gerenciamento atual, permitindo acompanhar a evolução do paciente e a resposta ao tratamento.

Ao comparar vantagens e desvantagens da biópsia líquida frente à biópsia de tecido, os autores concluem que a nova abordagem deve ser vista de forma complementar, com a vantagem de capturar a informação genômica do tumor a partir do DNA, tendência que marca a moderna oncologia personalizada. “As diretrizes clínicas aprovadas atualmente incluem biópsia líquida apenas em câncer de pulmão, mas o potencial também é enorme em outros tumores, seja para rastreamento e diagnóstico, até para avaliar risco de recaída e controle da doença”, explica o oncogeneticista.

A revisão brasileira recorre à base de evidências para ilustrar a variabilidade de aplicações e cita estudo de Bettegowda et al, que usaram a reação baseada em cadeia da polimerase digital para medir os níveis de DNA tumoral circulante (ctDNA) em amostras de plasma de 640 pacientes com vários tipos de câncer. “Entre os participantes com doença metastática avançada, o ctDNA foi detectado em 82% dos pacientes com tumores sólidos fora do cérebro, incluindo mais de 75% de pacientes com câncer de bexiga, colorretal e ovário avançado, além de tumores gastroesofágicos, de pâncreas, mama, hepatocelular e melanomas”, descrevem os autores.

Para aplicações de screening, a evidência vem de Cohen et al, em estudo que examinou 1.005 pacientes com tumores não metastáticos de ovário, fígado, estômago, pâncreas, esôfago, colorretal, pulmão e mama. “Os testes de triagem foram positivos em uma mediana de 70%, mesmo para tumores que atualmente não possuem estratégias efetivas de rastreamento populacional”, registra o artigo da Precision Medicine.

Entre as principais recomendações, o estudo brasileiros propõe a definição de diretrizes gerais sobre os usos e aplicações da biópsia líquida, sublinhando a importância de estabelecer as melhores práticas, incluindo protocolos padronizados para coleta da amostra, processamento e detecção de ctDNA. “Melhores práticas devem ser desenvolvidas para diminuir complexidades metodológicas e garantir um processo padronizado altamente confiável”, recomendam os autores.

Em outra frente, o estudo destaca a avaliação de doença residual mínima através da biópsia líquida, uma aplicação que começa a ganhar importância, com evidências de que a ferramenta molecular “é capaz de prever a recidiva clínica com alto nível de precisão”.

Referência: Neder et al., Precision Medicine, vol 4, nº1, 2019,1-10

Brócolis tem molécula que bloqueia tumores cancerígenos: estudo

Se você ainda não tem motivos para comer vegetais, olha este: um novo estudo publicado na revista Science mostra que o brócolis contém um ingrediente surpreendente que poderia ser o “calcanhar de Aquiles” do câncer.

É uma molécula pequena, mas poderosa, que desativa o gene responsável pelo crescimento de tumores cancerosos, conhecido como WWP1.

O brócolis faz parte da família de vegetais crucíferos, que inclui couve-flor, couve e couve de Bruxelas. Todas essas verduras contêm a tal molécula poderosa.

Pier Paolo Pandolfi, autor do estudo e diretor do Centro de Câncer e Instituto de Pesquisa do Câncer do Beth Israel Deaconess Medical Center, disse que a descoberta pode abrir caminho para um novo tratamento para o câncer.

“O estudo é realmente emocionante. Esqueça o que você pensa sobre a ciência, o fato de que [encontramos] algo que sua avó diria [é] bom para você, é atraente”, disse Pandolfi à Harvard Gazette.

Mas para se beneficiar da proteção anti-cancerígena, o paciente precisaria comer todo dia 6 libras – quase 2,7 quilos – de couve de Bruxelas não cozida, crua, para se beneficiar de uma proteção anti-cancerígena.

A equipe quer descobrir agora uma maneira mais prática de fornecer essa molécula a pacientes com câncer e ativar as propriedades supressoras de tumor no PTEN.

A molécula

Pandolfi e sua equipe suspeitavam que um gene chamado PTEN poderia causar irregularidades e defeitos no WWP1.

Após testar sua teoria em ratos e células humanas propensos ao câncer, eles descobriram que o WWP1 produz uma enzima que supera a atividade supressora de tumor.

Os cientistas também descobriram que existe uma molécula encontrada em vegetais crucíferos chamada indol-3-carbinol. (I3C) que pode despertar as propriedades de combate ao câncer.

O Dr. Yu-Ru Lee , disse que a descoberta pode ser a chave para revelar “um dos mais importantes supressores de tumor na história da genética do câncer”.

“Este caminho surge não apenas como um regulador para o controle do crescimento do tumor, mas também como um calcanhar de Aquiles que podemos direcionar com opções terapêuticas”, disse Pandolfi.

“Essas descobertas abrem caminho para uma abordagem de reativação supressora de tumores há muito procurada para o tratamento do câncer”, concluiu.

Com informações do GNN

A nova droga que pode fazer o sistema imunológico ‘devorar’ tumores

Por: UOL NOTÍCIAS

Tratamentos que exploram o sistema imunológico para combater o câncer são uma área crescente de pesquisa para cientistas do mundo todo. Agora, uma equipe de pesquisadores dos Estados Unidos desenvolveu uma droga que ajuda o corpo a “comer” e a destruir células cancerígenas.

O tratamento aumenta a ação dos glóbulos brancos, chamados macrófagos, que o sistema imunológico usa para devorar invasores indesejados.

Testes em camundongos mostraram que a terapia funcionou para tumores agressivos de mama e pele, informou a revista científica Nature Biomedical Engineering (revista de Engenharia Biomédica da Natureza).

A equipe americana que conduziu o estudo espera iniciar testes em humanos dentro de alguns anos. O fato de a droga já ter uma licença, dizem os pesquisadores, deve acelerar o processo de aprovação para uso.

A novidade desenvolvida a partir de moléculas componentes que se encaixam como blocos de tijolo é uma “supramolécula”.

O estudo envolve uma célula imune devoradora ou “fagocitária” chamada macrófago.

Macrófagos ajudam a combater infecções bacterianas e virais porque podem reconhecer e atacar esses “invasores”.

Mas eles não são tão eficazes no combate ao câncer, uma vez que os tumores crescem a partir de nossas próprias células e têm mecanismos inteligentes para se esconder do ataque do sistema imunológico.

A droga que o médico Ashish Kulkarni e seus colegas do Brigham e Hospital da Mulher da Faculdade de Medicina de Harvard usaram no estudo funciona de duas maneiras.

Em primeiro lugar, ela impede as células cancerígenas de se esconderem dos macrófagos. Em segundo lugar, impede que o tumor “diga” aos macrófagos que se tornem dóceis.

Nos camundongos, a terapia supramolecular pareceu impedir que o câncer crescesse e se espalhasse.

Os pesquisadores prevêem que a droga pode ser usada juntamente com outros tratamentos contra o câncer, como os inibidores de pontos de verificação imunológicos da imunoterapia. Esses pontos são moléculas especializadas que conseguem impedir o sistema imunológico de agir, fazendo com que as células de defesa sejam utilizadas apenas quando preciso.

Carl Alexander, do Instituto de Pesquisa do Câncer do Reino Unidos, diz que é “promissor” ver mais uma nova pesquisa. Segundo ele, agora é necessário trabalhar mais nesse estudo para mostrar que a nova droga poderia, de fato, ser usada em tratamentos.

 

Sarcomas de partes moles

Por: http://www.danielrebolledo.com.br

Sarcomas de partes moles são tipos raros de câncer que se iniciam nos tecidos moles do corpo como por exemplo músculos, gordura, vasos sanguíneos, nervos, tendões e revestimento das articulações.

Existem inúmeros tipos de sarcomas de partes moles, sendo que alguns são mais comuns em crianças, enquanto outros afetam principalmente adultos.

Sarcomas de partes moles podem ocorrer em qualquer parte do corpo, porém os tipos mais comuns ocorrem no abdômen, braços e pernas.

Sintomas

Um sarcoma de partes moles pode ter  sinais ou sintomas  muito discretos em seus estágios iniciais. Conforme o  tumor cresce, os principais sinais e sintomas são:

  • “Caroços” ou inchaços visíveis;
  • Dor, caso o tumor pressione os nervos ou músculos

Causas

Na maioria dos casos, não está claro a causa  do sarcoma de partes moles. Em geral, o câncer ocorre quando as células desenvolvem erros (mutações) no seu DNA. As mutações fazem com que as células cresçam e se dividam sem controle. As células anormais que se acumulam, formam um nódulo que é chamado de  tumor que pode crescer e invadir estruturas vizinhas e vasos sanguíneos podendo se espalhar para outras partes do corpo. O tipo de célula que se desenvolve a partir dessa mutação genética determina o tipo de sarcoma de partes moles em questão. Alguns tipos de sarcomas de partes moles são:

  • Lipossarcoma
  • Sarcoma Sinovial
  • Leiomiossarcoma
  • Sarcoma Pleomórfico
  • Sarcoma alveolar
  • Angiossarcoma
  • Sarcoma de células clara;
  • Dermatofibrossarcoma protuberans
  • Hemangioendotelioma
  • Sarcoma epitelióide
  • Fibrossarcoma
  • Fibrossarcoma infantil;

Fatores de risco

Na grande maioria dos casos,  os sarcomas de partes moles surgem ao acaso, sem fator predisponente porém , em alguns casos, o surgimento deste tipo de tumor  pode estar relacionado com algumas situações. Os fatores que podem aumentar o risco de sarcoma incluem:

  • Hereditariedade: Um risco aumentado de sarcoma de partes moles pode ser herdada geneticamente dos pais. Síndromes genéticas que aumentam o risco incluem retinoblastoma hereditário, síndrome de Li-Fraumeni, polipose adenomatosa familiar, neurofibromatose, esclerose tuberosa e síndrome de Werner;
  • Exposição à substâncias químicas: Exposição a produtos químicos, tais como herbicidas pode aumentar o risco de sarcomas de partes  moles;
  • Exposição à radiação: O tratamento de radiação para outros cânceres anteriores pode aumentar o risco de sarcomas de partes moles

Testes e diagnósticos

Testes e procedimentos utilizados para diagnosticar um sarcoma de partes moles  incluem:

  • Exames de imagem: Os exames de imagem, tais como radiografias simples s, tomografia computadorizadas, imagem por ressonância magnética e o PET-CT, podem ser usados para avaliar a área suspeita.;
  • Biópsia: O procedimento de biópsia pode ser realizado para retirar uma amostra do sarcoma suspeito para análise em um laboratório de anatomia patológica. Para retirar a amostra, o médico pode utilizar uma agulha ou realizar um pequeno procedimento cirúrgico.

No laboratório de anatomia patológica, um médico treinado na análise de tecidos do corpo (patologista) examina a amostra de tecido para detectar sinais de câncer. O patologista também analisa a amostra para compreender o tipo de câncer e para determinar se o câncer é agressivo.

Caso haja suspeita de um sarcoma de partes moles, é melhor procurar atendimento em um centro médico especializado no tratamento deste tipo de câncer. Médicos especialistas irão discutir desde a melhor técnica de biópsia até o tratamento cirúrgico adequado e a necessidade de radioterapia e quimioterapia adjvantes.

Tratamentos

As opções de tratamento para os sarcomas de partes moles dependem do tamanho, tipo histológico e localização do tumor:

  • Cirurgia: A cirurgia é o tratamento preferencial para a maioria dos sarcomas. A cirurgia geralmente envolve a remoção do câncer e algum tecido saudável que o circunda. Quando o sarcoma de partes moles afeta os braços e as pernas, na grande maioria dos casos é possível a ressecção do tumor com preservação do membro mas em casos específicos pode ser necessária alguma reconstrução com cirurgia plática e em casos mais extremos a amputação do membro pode ser necessária.Em alguns casos, quimioterapia e radioterapia podem auxiliar na diminuição do tumor antes da cirurgia, o que aumenta a probabilidade de salvamento de membro
  • Radioterapia: A radioterapia pode ser utilizad antes da cirurgia para encolher o tumor, tornando sua remoção cirúrgica, menos complicada. A radiação é usada também, após a cirurgia para matar quaisquer células cancerígenas que possam permanecer.
  • Quimioterapia: A quimioterapia pode ser administrada por comprimido, através de uma veia (por via intravenosa) ou podem ser utilizados ambos os métodos. Algumas formas de sarcoma respondem melhor à quimioterapia do que outros. Um tipo de tumor em que  a quimioterapia é muitas vezes utilizada é o  rabdomiossarcoma.
  • Terapia- alvo: São medicamentos direcionados que bloqueiam sinais específicos presentes em células de sarcomas.Estes medicamentos são usados para tratar alguns tipos de sarcomas e vários outros estão em desenvolvimento

Como o Médico diferencia um Tumor Primário do Metastático

Por: Oncoguia

Para determinar se um tumor é primário ou metastático, um patologista, médico especializado na interpretação de exames laboratoriais, análise e avaliação de células, examina uma amostra do tumor. Em geral, as células cancerígenas se parecem com as células do tecido onde o tumor se iniciou. O patologista, por meio de exames de diagnóstico específicos, é capaz de determinar a origem das células cancerígenas. Os marcadores ou os antígenos encontrados nas células cancerígenas podem indicar o local do tumor primário. A técnica mais comum através da qual o patologista identifica a origem das células é a imunohistoquímica. Mais recentemente, análises sofisticadas de determinados genes estão ajudando a identificar o tecido de origem das células malignas.

Os tumores metastáticos podem ser diagnosticados ao mesmo tempo que o tumor primário, ou meses ou até anos mais tarde. Em raros casos, descobre-se a metástase antes mesmo de se identificar um tumor na mama. Quando um novo tumor é encontrado em um paciente já tratado anteriormente para um câncer, muitas vezes é uma metástase do tumor primário que demorou anos para crescer e se manifestar.

Caquexia é a causa de morte de muitos pacientes com câncer

Por: Paula Weidlich – http://www.tribunapr.com.br

Trata-se do emagrecimento profundo no paciente causado pela doença

Câncer é o conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células, que invadem tecidos e órgãos. Estas células, bastante agressivas, dividem-se rapidamente e formam tumores malignos, que podem se instalar e se espalhar para várias regiões do corpo.

Mas o que muita gente desconhece é que parte das mortes em consequência do câncer não são causadas diretamente pelos tumores e, sim, por um desdobramento desta temida doença: a caquexia, o emagrecimento profundo do paciente provocado pelo câncer. De acordo com pesquisas da divisão nutricional da farmacêutica Abbott Brasil, um em cada cinco pacientes morre devido à caquexia. O mesmo estudo ainda revela que a perda de peso induzida pelo câncer é evidente em até 87% dos pacientes, dependendo do tipo de tumor.

 Sobre a pouco conhecida síndrome da anorexia-caquexia (SAC), o médico oncologista do Departamento de Oncologia Clínica do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP) Luciano Biela esclarece que ela é uma complicação frequente no paciente com neoplasia maligna em estado avançado. Segundo ele, a caquexia caracteriza-se por um intenso consumo dos tecidos muscular e adiposo, com consequente perda involuntária de peso, além de anemia, astenia (fraqueza), fadiga e perda de performance clínica.

De causas multifatoriais, a caquexia neoplásica quase sempre está ligada à condição avançada da doença em sua fase terminal. “Estima-se que cerca de 66% dos pacientes em fase terminal evolua para caquexia neoplásica. A SAC pode ser provocada pelo aumento do consumo energético pelo tumor, pela liberação de fatores que agem no centro da saciedade, diminuindo o consumo alimentar, e pelas citocinas produzidas pelo hospedeiro e pelo tumor, que levam às anormalidades metabólicas características da síndrome”, explica.

E a caquexia pode ser classificada como primária ou secundária. A primária está relacionada às consequências metabólicas da presença do tumor, associada a alterações inflamatórias. “Ela resulta em consumo progressivo, frequente e irreversível de proteína visceral, musculatura esquelética e tecido adiposo”. E a secundária é resultante da diminuição na ingestão e absorção de nutrientes por obstruções tumorais do trato gastrointestinal, anorexia por efeito do tratamento e ressecções intestinais maciças. De acordo com o oncologista, as duas condições podem aparecer em um mesmo indivíduo.

O médico ainda ressalva que nem todo o paciente desenvolve a caquexia, sendo ela mais frequente em idosos, crianças e em pessoas os tumores gastrointestinais, tumores de vias biliares e de cabeça e pescoço. Para amenizar a doença, Biela lembra que o acompanhamento de nutricionistas é fundamental. “O tratamento da SAC é multifatorial, envolvendo o uso de medicamentos estimulantes de apetites, reposição nutricional com suplementos, reposição hormonal e acompanhamento psicológico”.

 Acompanhamento nutricional

A nutricionista Regina Vilela explica que o paciente com câncer precisa de uma avaliação criteriosa e um atendimento nutricional especializado. Assim, é possível definir a dieta que pode auxiliar na resposta imunológica do paciente e também na preservação da musculatura. “O nutricionista sempre observa todos os aspectos dos pacientes: idade, sexo, composição corporal, metabolismo da doença, alterações gastrointestinais, presença de outras doenças que exigem cuidado nutricional, como hipertensão, diabetes, medicação, além ,da condição socioeconômica e os hábitos e a cultura alimentar do mesmo”.

Segundo ela, na caquexia, além das mudanças no metabolismo, a falta de apetite e os efeitos da medicação, podem provocar uma diminuição no consumo de nutrientes. “Estes fatores associados fazem com que o nutricionista tenha que orientar várias estratégias como suplementos proteicos, horários de refeições longe dos períodos em que as náuseas podem surgir como resultado da quimioterapia, troca de talheres de metal por de plástico, adoção de pequenas refeições não muito quentes ou muito geladas, evitar consumir líquidos com as refeições e a modificação na consistência dos alimentos, para concentrar mais calorias em pequenas porções. Nos casos de desnutrição mais grave ou quando o paciente faz uma cirurgia que o impede de se alimentar, pode ser necessário utilizar nutrição enteral por meio de sondas”.

Mola hidatiforme

Por Débora Carvalho Meldau – www.infoescola.com

Mola hidatiforme, cientificamente conhecida como doença trofoblastica gestacional, é um tumor normalmente benigno que surge durante a gestação, apresentando potencialidade para evoluir para malignidade. Este tumor desenvolve-se a partir de células que restam após um aborto espontâneo ou uma gestação completa.

Este é o tumor trofoblástico mais comumente encontrado. Nos países desenvolvidos é observado em aproximada uma a cada 2000 gestações; costuma apresentar incidência muito mais alta em certos países em desenvolvimento. Em torno de 3% das gestações acometidas, o tumor converte-se em coriocarcinoma, uma neoplasia maligna que pode alastrar-se pela parede uterina, podendo até haver metástase para outros órgãos, caso não seja devidamente tratado.

As manifestações clínicas costumam ocorrer pouco tempo depois da concepção, ou então, do aborto. Náuseas e vômitos fortes são frequentemente observados, podendo estar presente também hemorragia vaginal. As complicações advindas dessa afecção são as infecções, hemorragias e toxemia da gravidez.

As molas hidatiformes são detectadas através da ecografia. Análises laboratoriais de urina e sangue evidenciam níveis elevados de gonadotrofina coriônica humana sintetizada pelo tumor em questão. O exame histopatológico da massa pode confirmar o diagnóstico.

O tumor deve ser removido por completo. Habitualmente, o tratamento de eleição é a curetagem por aspiração após dilatação do colo uterino, com exceção de alguns casos, onde se faz necessário a realização de um histerctomia.

Após o procedimento cirúrgico, mede-se a concentração de gonadotrofina coriônica humana para avaliar se a ressecção da mola hidatiforme foi total. Nos casos de mulheres que engravidam pouco tempo depois, fica difícil a interpretação do valor aumentado de gonadotrofina coriônica humana, pois este poderá ser resultado tanto de uma gravidez quanto de uma mola que não foi removida. Por este motivo, recomenda-se para pacientes com este problema, que não engravidem dentro do primeiro ano após a remoção da mola.

Quando este tumor evolui para o maligno, se faz necessária a realização de quimioterapia.

O índice de cura é de 100% nos casos em que a afecção não se encontra em estágio avançado, enquanto que nas que o tumor expandiu-se amplamente, gira em torno de 85%. A maior parte das pacientes curadas preserva a função reprodutora.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mola_hidatiforme
http://www.manualmerck.net/?id=265&cn=1714
http://www.centrontg.org/informacionpacientes/pac1.html
http://www.scielo.br/pdf/rbgo/v31n2/08.pdf