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Couve pode deixar seu cérebro 11 anos mais jovem

Por: Minha Vida

Além de ter a função anti-inflamatória, o consumo diário da verdura também faz bem para o cérebro.

Os benefícios da couve a tornaram a queridinha das dietas: a verdura tem ação anti-inflamatória, cicatrizante, ajuda na absorção do cálcio e na desintoxicação. Para melhorar, um recente estudo realizado pela Universidade de Rush, nos Estados Unidos, descobriu que a verdura também é excelente para o cérebro.

O estudo mostra que apenas uma porção diária de folhas verdes escuras, como a couve, pode ajudar no rejuvenescimento cerebral. A pesquisa foi realizada com 950 idosos e monitorou a alimentação e a atividade cerebral dos participantes por um período entre dois a dez anos.

Foi descoberto que os voluntários que comiam folhas verdes mais escuras todos os dias tinham uma conservação da saúde mental de até 11 anos em comparação com aqueles que não consumiam estes alimentos. Os resultados não incluíram fatores que poderiam afetar a saúde mental, como o nível de escolaridade, prática de exercícios ou histórico familiar de demência.

Confira algumas receitas saudáveis com couve para incluir no seu cardápio:

– Torta rápida de frango cremosa com massa de couve

– Suco de couve estimulante

– Suco de couve estimulante

– Sopa de abóbora com couve e carne seca

O 5-HTP é muito útil para a biogênese mitocondrial

Por: Dr. Mercola

Já que a metáfora serve bem, as mitocôndrias são muitas vezes chamadas de “usinas de energia” que geram energia, otimizam o funcionamento celular e regulam a sobrevivência dos neurônios, sobretudo quando estes estão sob estresse. Mas um estudo recente descobriu outras propriedades das mitocôndrias.

Equipes de pesquisadores do Instituto Tata de Pesquisas Fundamentais (TIFR) em Mumbai, Índia, descobriram que o neurotransmissor serotonina, conhecido nos meios científicos como 5-HT, é muito importante para a produção de novas mitocôndrias nos neurônios, um processo chamado de biogênese mitocondrial.

Esse processo melhora as funções mitocondriais ao mesmo tempo que aumenta a respiração celular e a produção de ATP, a molécula de energia das células, descrita em um estudo como uma molécula neurotransmissora e neuromoduladora. A biogênese mitocondrial envolve os receptores de serotonina 2A (ou 5-HT2A) por meio dos “reguladores mestres” do processo, as proteínas SIRT1 e PGC-1 alfa.

De acordo com o estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS), o 5-HT reduz as espécies reativas de oxigênio das células, aumenta a quantidade de enzimas antioxidantes, melhora as funções mitocondriais e “fornece uma neuroproteção muito forte para os neurônios afetados pelo estresse, um efeito que necessita de SIRT1”.

A página EurekAlert explica:

“O 5-HTP revela funções sem precedentes da serotonina na produção de energia nos neurônios, que afetam diretamente como estes lidam com o estresse. As funções mitocondriais nos neurônios são muito importantes para determinar como os neurônios lidam com o estresse e para a trajetória do envelhecimento.”

Os cientistas principais, Vidita Vaidya e Ullas Kolthur-Seetharam, do TIFR, juntamente com o pesquisador clínico Ashok Vaidya, escreveram que, após identificarem o 5-HT2A como uma “peça chave” para os efeitos mitocondriais do 5-HT, a próxima tarefa era de apontar quais são as vias de sinalização específicas para a produção desses efeitos.

Apesar de ser difícil determinar essas vias de sinalização, os pesquisadores perceberam evidências de que o 5-HT é um regulador ascendente de SIRT1, uma proteína envolvida em vários processos metabólicos de vários tecidos, de acordo com os autores de um estudo publicado na revista Cell. Por exemplo, a SIRT1 reduz a produção dos peptídeos Aβ, que formam as placas encontradas no cérebro de pacientes com mal de Alzheimer.

Além disso:

“Nossas descobertas aumentam a possibilidade tentadora da existência de uma relação recíproca entre o 5-HT e a SIRT1 no cérebro. Considerando a função do 5-HT de facilitar a adaptação ao estresse, isso sugere a possibilidade de que o 5-HT possa ser um intermediador muito importante para melhorar a adaptação ao estresse dos neurônios através do eixo SIRT1- PGC-1 alfa para melhorar a biogênese e as funções mitocondriais, dando aos neurônios uma maior capacidade de lidar com o estresse.”

Os benefícios do 5-HTP

O 5-HTP, que é a forma hidroxilada do aminoácido triptofano, é um aminoácido produzido naturalmente pelo nosso corpo, usado para a produção de serotonina. O suplemento não é derivado de alimentos, e é obtido das sementes da planta africana Griffonia simplicifolia.

Em 2012, a revista Neuropsychiatric Disease and Treatment publicou um estudo que descreveu o 5-hidroxitriptofano (5-HTP) como o precursor imediato da serotonina (na química, o termo “precursor” descreve um composto que participa de uma reação química que produz outro composto).Uma comparação interessante é que o 5-HTP atravessa a barreira hematoencefálica livremente, ao contrário da serotonina.

Esse estudo mostrou como o 5-HTP é muito usado para casos de depressão, e também para transtornos do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), mal de Parkinson e outras doenças, mas também afirmou que algumas dessas crenças são “exageradas e imprecisas”, e que o 5-HTP só é eficaz em conjunto com outros compostos.

Muitos estudiosos dizem que o fator chave da eficiência do 5-HTP para a depressão e a ansiedade envolve níveis individuais de serotonina, ou a deficiência dela. Apesar de a serotonina ser uma neurotransmissora muito importante para a regulação dos estados de humor, não existem muitas evidências clínicas sobre sua eficiência para o tratamento da ansiedade. No entanto, um estudo afirma:

“Comportamentos similares à ansiedade são regulados pelos receptores 5-HT1A e 5-HT2C, dentre outros, mas o receptor 5-HT2C regula não só a ansiedade, mas também o processamento de recompensa, locomoção, apetite e equilíbrio energético.”

A página Medical News Today mostra dois desafios para a afirmação de que o 5-HTP ajuda no tratamento da depressão. Em primeiro lugar, muitos estudos foram feitos sem o uso de placebos, o que, de acordo com alguns cientistas, compromete suas descobertas. Em segundo lugar, o 5-HTP normalmente não fica muito tempo dentro do corpo, porque é rapidamente absorvido e eliminado.

Porém, “se os pesquisadores encontrarem uma forma de fazer o 5-HTP permanecer por mais tempo dentro do corpo, poderá ser considerado um possível tratamento para a depressão”. Um estudo australiano analisou o 5-HTP para verificar se o aminoácido é mais eficiente que um placebo no tratamento da ansiedade.

Foi descoberto que, de fato, o 5-HTP é melhor que placebos, mas os pesquisadores concluíram que são necessários mais estudos sobre o caso. Contudo, existem evidências de que o 5-HTP é muito eficiente em outras áreas, e algumas delas podem estar relacionadas com a descoberta da biogênese mitocondrial.

Estudos avaliam a eficiência do 5-HTP para o alívio de várias doenças

Estudos mostram que a deficiência de 5-HTP está associada com a depressão, ganho de peso, ansiedade, distúrbios do sono, e outros problemas. Por outro lado, aumentar seu consumo de 5-HTP é muito útil para contrabalancear todos esses problemas. Através de estudos, foi comprovado que o 5-HTP traz benefícios para:

Perda de peso — Como se as tentativas de perder peso estivessem fadadas a falhar, perder peso produz hormônios que te fazem sentir fome, muitas vezes frustrando as tentativas de emagrecer. No entanto, o 5-HTP pode ser capaz de neutralizar esses hormônios, suprimindo seu apetite e te ajudando a perder peso.

Um estudo demonstrou que, após consumir 5-HTP ou placebo por cinco semanas, 20 pessoas com diabetes que tomaram 5-HTP consumiram cerca de 435 calorias a menos que as pessoas do outro grupo. O suplemento também inibe a absorção de calorias dos carboidratos, o que ajuda a controlar a glicemia. Além disso, ensaios em animais mostraram que o 5-HTP pode reduzir a compulsão alimentar causada pelo estresse ou depressão.

Dores da fibromialgia e enxaqueca — Um estudo demonstrou que o 5-HTP reduziu a percepção da dor em camundongos. Uma possível causa da fibromialgia, que causa fraquezas e dores musculares e nos ossos, é a deficiência de serotonina. Um estudo recomenda o 5-HTP para aliviar as dores dessa doença, além de melhorar o sono, a depressão e a ansiedade. Em outro estudo, 50 pacientes que usaram o suplemento “melhoraram consideravelmente”.

Apesar de ainda estar sob debate, alguns cientistas acreditam que as enxaquecas são causadas pela deficiência de serotonina. Um estudo diz que “o sistema serotoninérgico (serotonina, 5-HT) dos núcleos de rafe do tronco encefálico está envolvido na fisiopatologia da enxaqueca”.

Outro estudo envolveu 124 pessoas comenxaqueca que, após tratadas com 5-HTP por um semestre, relataram melhoras consideráveis, como a redução da intensidade e duração das enxaquecas em 71% dos pacientes.

Insônia — Já que o 5-HTP produz serotonina, e a serotonina pode ser convertida em melatonina, o suplemento também pode ser usado para a insônia, e funciona por aumentar a produção de melatonina do seu corpo.

Foi descoberto que a combinação do 5-HTP com o ácido gama-aminobutírico (GABA) reduziu o tempo necessário para adormecer de uma média de 32,3 minutos para 19,1 minutos em 18 pacientes com distúrbios do sono, além de aumentar o tempo de sono e melhorar sua qualidade.

Em outro estudo, pacientes com parassonia e/ou distúrbios do despertar, caracterizados por comportamentos incomuns ou anormais como pesadelos ou sonambulismos, foram aconselhados que o 5-HTP pode ser uma boa opção de tratamento.

Dosagens do 5-HTP e seus efeitos colaterais

Se você já se perguntou o que o termo “dose-dependente” quer dizer ao se tratar de suplementos e remédios, significa que interromper o tratamento ou aumentar a dose pode afetar seu funcionamento e seus efeitos colaterais. Dessa forma, a dose de 5-HTP que você precisa vai depender da razão pela qual necessita do suplemento. Por exemplo:

  • Controle de peso — Um estudo realizado em pacientes obesos mostrou que o consumo de 250 miligramas (mg) de 5-HTP 30 minutos antes de uma refeição ajuda a reduzir o consumo de calorias, principalmente dos carboidratos.
  • Melhora do humor — A revista Psychology Today relata que o 5-HTP pode ajudar no tratamento da depressão e ansiedade se consumido em doses de 50 a 100 mg, três vezes ao dia, durante as refeições, mas leva pelo menos uma semana para que seus efeitos comecem a ser percebidos. No entanto, para evitar efeitos colaterais, talvez seja melhor começar com uma dose reduzida, como 25 mg por dia, e aumentá-la gradualmente pelas semanas, disse o artigo.
  • Alívio dos sintomas da fibromialgia — A University of Michigan Medicine relata que tomar 100 mg de 5-HTP, três vezes ao dia durante as refeições, pode causar efeito positivos para o alívio dos sintomas. Um ensaio duplo-cego, controlado por placebo, demostrou melhoras consideráveis dos sintomas com a suplementação de 5-HTP, com o mínimo de efeitos colaterais.
  • Enxaquecas — Estudos mostram que o consumo de 100 a 200 mg de 5-HTP, de duas a três vezes ao dia, durante as refeições, por duas ou três semanas, alivia os sintomas.
  • Melhora do sono — Já que o 5-HTP é convertido naturalmente em serotonina, tomar 200 mg do suplemento antes de dormir pode funcionar para pessoas resistentes ao suplemento L-triptofano.

Se você considera tomar 5-HTP por qualquer um desses problemas ou por algum outro motivo, é importante consultar com um profissional da saúde antes, para ter certeza de que está tomando a dosagem correta, e que o suplemento não vai interferir com outros medicamentos que você possa estar utilizando.

Alguns remédios causam um aumento na produção de serotonina, então combinar o uso desses remédios com o 5-HTP pode ser perigoso, levando à síndrome da serotonina, que pode causar riscos de vida. Dentre esses remédios estão alguns medicamentos para a tosse, antidepressivos e analgésicos vendidos sob prescrição médica.

De forma similar, se você usa medicamentos para dormir, como o Lorazepam, Zolpiden ou Clonazepam, tomar 5-HTP, que também dá sono, pode ser problemático. Além disso, algumas pesquisas dizem que o consumo de 5-HTP pode aumentar os níveis de serotonina, mas esgota outros neurotransmissores, como a dopamina e a norepinefrina, o que pode agravar algumas doenças, principalmente se o suplemento for utilizado por muito tempo.

Dentre elas, estão o TDAH, ansiedade, depressão, obesidade, mal de Parkinson e transtorno afetivo sazonal (SAD). Sobre os efeitos colaterais do 5-HTP, algumas pessoas relataram náuseas, vômitos, diarreia, tonturas e dores de estômago após tomarem o suplemento.

Você pode reduzir as chances de sofrer esses efeitos se começar o uso do suplemento com doses menores e aumentá-las gradualmente, se necessário. Como já mencionado acima, devido à possibilidade de interações negativas com outros medicamentos, sempre converse com seu médico antes de tomar 5-HTP.

Vamos enfrentar: estamos cercados por ameaças, algumas delas invisíveis, que estão nos colocando em risco de problemas de saúde. OGM. Alimentos processados. EMFs. E isso é apenas a ponta do iceberg. É nesse momento que a maioria das pessoas procura orientação para ajudar a se proteger contra esses perigos e garantir seu bem-estar. Muitas vezes, parece um feito impossível.

Mas aqui está um segredo: a tarefa mais complexa pode se tornar mais fácil e mais simples se você der um passo de cada vez. Se você estiver realmente comprometido em assumir o controle de sua saúde, meu Guia de resolução de 30 dias é exatamente o que você precisa. Este plano passo-a-passo descreve as estratégias mais importantes para alcançar o bem-estar ideal, que incluem:

  • Os alimentos mais saudáveis para comer (e quando comê-los)
  • A importância do sono de alta qualidade (e como obter o suficiente)
  • Um exercício HIIT inovador que aumenta a sua saúde mitocondrial (leva apenas 4 minutos!)

E muito mais!

A incrível conexão cérebro-intestino

A comunicação estreita entre eles abre perspectivas para entender o papel da flora intestinal no surgimento de males que sabotam o foco e o bom humor

O coração, o fígado e os rins que nos perdoem, mas não há órgão mais fascinante que o intestino. A começar pelo seu tamanho descomunal: se abríssemos e esticássemos seus dois trechos – o delgado e o grosso -, ele ocuparia uma área de 250 metros quadrados, o equivalente a uma quadra de tênis. Tudo está enrolado e compactado dentro do ventre. E olha que isso nem é o aspecto mais interessante da coisa: o intestino tem neurônios e aloja trilhões de bactérias, boa parte delas envolvida em processos cruciais ao organismo. E você pensando que ele era um longo tubo por onde a comida passa, nutrientes são absorvidos e o que não é aproveitado vira cocô.

Espera: neurônios lá no abdômen? Sim, falamos das mesmíssimas células que constituem o cérebro. “O intestino tem cerca de 500 milhões delas”, calcula o gastroenterologista Eduardo Antonio André, do Hospital do Servidor Público Estadual, em São Paulo. É menos que a massa cinzenta, que tem bilhões, mas o suficiente para formar um sistema nervoso próprio, responsável por coordenar tarefas como a liberação de substâncias digestivas e os movimentos que estimulam o bolo fecal a ir embora. “Esses circuitos operam sozinhos, ou seja, independem do comando cerebral”, destaca André. Dá pra entender por que apelidaram o intestino de segundo cérebro?

Os neurônios intestinais chamam a atenção também pela sua farta produção de serotonina, molécula que nos leva ao estado de bem-estar – 90% da serotonina descarregada pelo corpo é fabricada ali. “Esse neurotransmissor é importante porque garante o funcionamento adequado do órgão”, diz o médico Henrique Ballalai, da Academia Brasileira de Neurologia. Mas se sabe que ele ainda pode exercer um efeito sistêmico. O fato é que a serotonina é só um dos mais de 30 mensageiros químicos montados no ventre.

Você não está sozinho

Há um terceiro elemento que interfere nessa conexão: a cada vez mais estudada flora intestinal. Microbiota, para sermos corretos. O intestino carrega cerca de 100 trilhões de bactérias, quantidade dez vezes superior ao número de células do corpo. Esse contingente representa de 2 a 3 quilos do peso total de um indivíduo. “A microbiota tem papel decisivo na manutenção da saúde. Ela auxilia a digerir alimentos e a nos proteger de infecções”, explica a microbiologista Regina Domingues, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A princípio, nossa relação com essas bactérias é pacífica e proveitosa para os dois lados: elas conseguem obter nutrientes necessários para sobreviver e, em troca, regulam nosso organismo.

De uns cinco anos pra cá, o interesse por essa metrópole microscópica só aumenta. Nos Estados Unidos, especialistas de 80 centros de pesquisa lançaram o Projeto Microbioma Humano, que mapeou todos os bichinhos que chamam nosso organismo de lar. A partir dessa iniciativa, hoje se começa a entender como a flora interfere na predisposição a várias doenças e é capaz de influenciar até o comportamento e as emoções das pessoas. “Nesse sentido, a microbiota é uma espécie de terceiro cérebro”, brinca o gastroenterologista Pierre Déchelotte, da Universidade de Rouen, na França. Brincadeira com um belo fundo de verdade.

Jonatan SarmentoJonatan Sarmento

As bactérias intestinais produzem diversas moléculas que se intrometem na comunicação entre o sistema nervoso do abdômen e o lá de cima. De todos os micro-organismos que habitam o aparelho digestivo e passeiam por ele, a maior parcela é amiga. Há, porém, as frutas (ou melhor, bactérias) podres. E ai se elas encontram condição para se multiplicar… “Precisamos que os exemplares benéficos estejam sempre em maior número, porque, assim, controlam os nocivos”, resume a farmacêutica Yasumi Ozawa, da Yakult, pioneira nessas pesquisas.

Os cientistas ainda estão apurando todos os detalhes envolvidos, mas já conhecem alguns fatores que desequilibram a microbiota. “Uma alimentação muito rica em gordura, por exemplo, está associada ao desenvolvimento de bactérias ruins e à morte de espécimes bons. As manifestações disso são mais gases e distensão abdominal”, exemplifica o coloproctologista Sidney Klajner, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. A desordem ainda é deflagrada por estresse fora de controle e uso de antibióticos, que, para matar os vilões, acabam exterminando também os mocinhos.

Se os germes maléficos dominam o pedaço, é encrenca na certa. “Isso prejudica as paredes e os movimentos do intestino e dispara inflamações”, acusa o gastroenterologista Ricardo Barbuti, do Hospital das Clínicas de São Paulo. No dia a dia, o indivíduo tem dores, diarreia ou constipação. Só que o desarranjo local repercute na cabeça. Estímulos de confusão na barriga viajam até o cérebro e contribuem para o humor e a concentração irem por água abaixo. Sim, ficamos enfezados.

O impacto desses distúrbios na cachola motivou a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) a realizar o primeiro estudo sobre a saúde intestinal da mulher brasileira – por razões hormonais, elas estão mais sujeitas a enroscos no abdômen do que os homens. Dois terços das 3 029 entrevistadas declararam ter inchaço no ventre, flatulências e prisão de ventre. Quando questionadas de que maneira os incômodos influenciavam na qualidade de vida, 89% diziam ter variações de humor e 88% reclamavam de menos concentração nas tarefas cotidianas. “Esses números nos mostram, na prática, como os sintomas abdominais chegam a modificar comportamentos”, resume a imunologista Violeta Niborski, gerente da Danone, empresa que participou do levantamento.

Cabeça em apuros

Os médicos já sabem que condições como a síndrome do intestino irritável, marcada por diarreia ou dificuldade de ir ao banheiro sem razão aparente, propiciam nervosismo e depressão – assim como a ansiedade e o baixo-astral desequilibram a flora e patrocinam as crises. Acontece que as interações perigosas não param por aí: a microbiota parece fazer diferença na probabilidade de desenvolvermos problemas neurológicos. Ao comparar ratinhos de laboratório criados para não ter bactérias no intestino com animais dotados de flora, cientistas irlandeses observaram que os primeiros desenvolviam características típicas do autismo, como gastar tempo demais interagindo com um objeto.

Há indícios de que até o Parkinson, doença que provoca tremores, começaria lá no abdômen. Especialistas da Universidade College London, na Inglaterra, constataram, após analisar milhares de pessoas, que a constipação é uma das primeiras manifestações do distúrbio. “Uma hipótese sugere que a microbiota alterada leve à destruição de neurônios intestinais e isso progrida até o cérebro”, conta Ballalai. O mesmo princípio explicaria o Alzheimer, que consome as memórias. Apesar de curiosos, esses achados são recentes e carecem de mais provas. “Por ora, a maioria dos estudos está restrita a animais e não pode ser extrapolada para nossa realidade”, contextualiza a médica Maria do Carmo Friche, presidente da FBG.

Mas é possível prevenir, ou até reverter, desequilíbrios na microbiota intestinal? A resposta é sim. A flora pode ser modulada para que as bactérias do bem vivam em paz ou voltem a reinar. E isso é obtido, em parte, via alimentação, quando se investe nos probióticos, lácteos enriquecidos com micro-organismos benéficos à saúde. Mas fique atento ao rótulo: nem todo iogurte, por exemplo, é probiótico. Repare se a embalagem informa isso e qual sua concentração de bactérias, medida em UFC (unidade formadora de colônia). “O produto precisa ter de 2 a 10 bilhões de UFC por dose”, avisa Pedrinola. Ah, probióticos também estão disponíveis hoje em cápsulas e sachês.

Só que não dá pra engolir um monte de bichinhos e se esquecer de alimentar a flora local. Essa é a função dos prebióticos. “Eles são ricos em fibras solúveis, que o sistema digestivo não aproveita sem a cooperação da microbiota”, define o microbiologista Arthur Ouwehand, da Divisão de Nutrição & Saúde da DuPont, na Finlândia. Tais componentes, encontrados em vegetais como a cebola e a aveia, nutrem as bactérias. E elas, por sua vez, agradecem devolvendo vantagens ao nosso corpo.

Pílulas de bactérias?!

O campo de estudos de intervenções na flora intestinal avançou nos últimos anos e já se veem boas tentativas de atenuar doenças mexendo com o nosso padrão de micróbios. Recorrer a bactérias das classes dos lactobacilos e bifidobactérias já é uma receita para abrandar a síndrome do intestino irritável, por exemplo. “Talvez, no futuro, tenhamos cepas de micro-organismos específicas para prescrever a cada problema de saúde”, especula Barbuti.

O fato é que hoje se discute se isso seria viável e efetivo para ajudar até a domar transtornos neurológicos ou psiquiátricos. “Em tese, seria possível introduzir bactérias pensando em ganhos cerebrais e comportamentais”, informa Regina Domingues. E olha que estudos iniciais já trazem resultados surpreendentes. Na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, 36 mulheres foram divididas em dois grupos: o primeiro consumiu lácteos com probióticos durante um mês. O segundo tomou uma bebida sem aditivos. Após esse período, todas as voluntárias passaram por um teste em que olhavam para fotografias de indivíduos com feições de raiva ou medo. Enquanto elas participavam da tarefa, seu cérebro era analisado por um aparelho de ressonância magnética. O resultado: nas mulheres que ingeriram os probióticos, as áreas da massa cinzenta responsáveis por processar as emoções ficavam muito menos ativas, sinal de que estavam mais calmas e relaxadas. Na vida real, isso implica estar preparado para lidar melhor com os reveses do cotidiano.

E se lembra dos cientistas que apuravam o elo entre flora e autismo em ratinhos? Pois essa equipe, baseada na Universidade College Cork, na Irlanda, fez outra experiência impressionante. Eles administraram probióticos a camundongos com traços depressivos por algumas semanas. Depois, botaram os roedores para nadar numa bacia funda, situação em que corriam o risco de se afogar – esse é um modelo clássico de laboratório para estudar a apatia em animais. Em comparação com os bichos que não receberam a dose de probióticos, os ratos com intestino equilibrado lutavam mais tempo e com mais força para se salvar. Sinal claro de que não queriam desistir da vida. Se pudéssemos transpor os resultados para nós, seres humanos, daria pra dizer que foi observado um autêntico efeito antidepressivo.

Como se vê, a investigação do eixo intestino-microbiota-cérebro é fresquinha, mas um tanto promissora. Alguns especialistas já chegaram a comparar o potencial de intervir ali ao das prestigiadas células-tronco. E tomara que ele se concretize. Quem sabe a resposta a vários problemas não esteja realmente bem debaixo do nosso umbigo?