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Anvisa proíbe fabricação e venda de produtos com moringa oleifera

A nossa querida ANVISA havia publicado a suspensão da comercialização da MORINGA OLEÍFERA, riquíssima em nutrientes, vitaminas e sais minerais, importantíssimos e que estavam ajudando MUITO às pessoas, principalmente os pacientes oncológicos que passavam por processos de anemia, desnutrição e até caquexia. Não contente com a suspensão, ela PROIBIU DE VEZ a comercialização. Leiam na matéria abaixo que, apesar de saber dos benefícios da planta e que ela é utilizada, inclusive na culinária, a ANVISA está preocupada com a toxicidade da planta e não com a saúde das pessoas. (Giseli SantosGrupo É seu Direito Saber, É seu Direito Escolher)

Por: Marília Notícia

A agência informou que não há avaliação e comprovação de segurança do uso da espécie em alimentos. A medida é válida para todo o território nacional e abrange tanto alimentos que contenham moringa oleifera, como chás e cápsulas, quanto o próprio insumo.

“Produtos denominados e/ou constituídos de Moringa oleifera que vêm sendo irregularmente comercializados e divulgados com diversas alegações terapêuticas não permitidas para alimentos, como por exemplo: cura de câncer, tratamento de diabetes e de doenças cardiovasculares, entre muitas outras”, apontou a resolução.

Sites que vendem o produto pela internet informam que a planta é rica em potássio e vitaminas A e C. Entre os benefícios, citam o combate a processos inflamatórios, controle dos níveis de colesterol e açúcar no sangue, retardo do processo de envelhecimento, redução da fadiga e combate a dores musculares.

O produto pode ser encontrado em cápsulas, em pó, em folhas e em gotas.

O que é moringa oleifera

Também conhecida como acácia-branca, a moringa oleifera é uma planta que pode ser utilizada na culinária e que tem propriedades nutricionais.

“A moringa é usada na Índia e na África em programas de alimentação para combater a desnutrição. As vagens verdes imaturas são preparadas de forma semelhante ao feijão verde, enquanto as sementes são removidas das vagens mais maduras e cozidas como ervilhas ou assadas como nozes. As folhas são cozidas e usadas como espinafre, e também são secas e em pó para uso como condimento. Pesquisas clínicas mostram ação das folhas da moringa principalmente neste campo da desnutrição”, explica Maria Angélica Fiut, nutricionista e presidente da Associação Brasileira de Fitoterapia (Abfit).

Maria Angélica diz que estudos preliminares apontaram ação da planta “no controle dos lipídios do sangue e da glicose, sugerindo mais estudos para validar ação neste campo de pesquisa”.

“A proibição da Anvisa em questão trata do alimento moringa que, descuidadamente, vem sendo atribuído a propriedades medicinais e venda sem controle”, comenta.

Segundo Elaine Frade Costa, presidente da Comissão de Desreguladores Endócrinos da Sociedade Brasileira Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a planta contém componentes que podem trazer benefícios para a saúde, como as vitaminas A e C, minerais, como cálcio e magnésio, e vitamina B1.

“Mas extrapolar para uma ação medicamentosa já é um exagero. A planta in natura tem a sua composição nutricional, mas, quando vira uma cápsula, isso muda. Reduz bastante. Não tem nenhum estudo científico que comprove o seu benefício nas ações que foram colocadas”, afirma.

Elaine destaca que as pessoas devem ficar atentas aos produtos que oferecem “múltiplas ações”.

“Nenhum alimento pode ser usado com indicação terapêutica. Pode-se usar o alimento como coadjuvante, como uma arma a mais no tratamento, mas as pessoas precisam tomar muito cuidado com esses produtos milagrosos. Nem na indústria farmacêutica tem uma substância para colesterol, diabete e outras doenças ao mesmo tempo.”

Ciência descobre o que leva pacientes com câncer à perda excessiva de peso

  • Por: Correio Braziliense

Estudo liderado por cientistas noruegueses mostra que a caquexia, caracterizada pela perda excessiva de peso em pacientes com câncer, pode estar relacionada ao aumento de substâncias que induzem à autodestruição da massa muscular

O tratamento do câncer de pulmão envolve o uso de um grande coquetel de medicamentos, o que faz com que grande parte dos pacientes perca o apetite e, consequentemente, emagreça durante a busca pela cura. Porém, essa diminuição de peso muitas vezes não é causada apenas pela redução da ingestão de alimentos, mas, sim, pela caquexia, uma complicação caracterizada pelo encolhimento de massa muscular, que ocorre com ou sem a perda de gordura. Cientistas noruegueses investigaram a causa dessa síndrome, que afeta pacientes com outros tipos de câncer e que ainda não é bem compreendida pelos médicos. Em um estudo publicado na revista internacional Scientific Reports, os pesquisadores analisaram amostras sanguíneas de pessoas e ratos de laboratório com tumores malignos. Como resultado, eles observaram que níveis mais altos de substâncias que induzem à autofagia (autodestruição) das células podem ser a causa da caquexia.

Especialistas conhecem há décadas essa complicação que atinge pacientes com tumores. O nome caquexia surgiu do grego antigo e significa “condição ruim”. Os autores do estudo destacam que cerca de 20 a 30% de pessoas com cancros que apresentam esse problema de saúde podem vir a óbito por causa dele e não em razão do tumor.
Devido à gravidade do problema, os pesquisadores resolveram estudá-lo mais a fundo. “Nosso objetivo é saber mais sobre o que acontece nos pacientes com câncer que desenvolvem perda de peso rápida e severa. As causas da caquexia são incompletamente compreendidas”, ressaltou Geir Bjorkoy, professor do Departamento de Bioengenharia da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU) e autor principal do estudo.
Segundo Bjorkoy, estudos anteriores mostraram as reações inflamatórias como uma possível causa da caquexia, porém essa suspeita não foi comprovada. Essa possível tese também não renderia tratamentos eficazes, uma vez que a inflamação é provocada pelo tumor, mas, em vários casos, ele não pode ser removido. “Infelizmente, muitas vezes os cancros não podem ser retirados, gostaríamos de encontrar outras estratégias que possam evitar essa condição nos pacientes e dessa forma aumentar as suas chances de sobrevivência”, justificou Bjorkoy.
No experimento, os cientistas analisaram amostras de sangue de centenas de pessoas com câncer de pulmão e de doadores saudáveis, além de células cancerígenas de ratos. Os pesquisadores descobriram que grande parte da coleta sanguínea de pacientes com tumores continha altos níveis de interleucina 6 (IL-6) e citocinas pró-inflamatórias. Ambos são compostos estimulantes autofágicos. Eles fazem com que as células do corpo se autodestruam. Células de câncer cultivadas em laboratório também apresentaram a mesma característica.
Os cientistas acreditam que a autofagia desencadeada por esses compostos pode estar ligada à caquexia, já que eles estimulariam as células musculares à autodestruição. “Encontramos essa perda de peso e atividade indutiva de autofagia em quase todas as amostras cancerígenas, mas principalmente em pacientes homens e também em camundongos machos. Acreditamos que o excesso dessas substâncias provoca um aceleramento autofágico, causando assim a caquexia, porém ainda não temos provas suficientes para comprovar esse achado, temos que estudar mais esse fenômeno e os mecanismos envolvidos nele”, destacou Bjorkoy.
Os autores do estudo adiantaram que suas próximas pesquisas darão foco para as características de cada tipo de tumor. “As amostras que usamos eram de pacientes com câncer de pulmão, mas também queremos estudar o cancro de mama e o de sangue. Neles, a caquexia é menos frequente. Queremos saber mais detalhes de cada um dos tumores para entender essa diferenciação e queremos esclarecer quais as diferenças ligadas ao gênero que foram vistas no experimento e que também precisam ser compreendidas para o uso e criação de outros medicamentos”, disse o líder da pesquisa.

Tratamentos

De acordo com os pesquisadores, as descobertas podem ser importantes para o tratamento de pacientes com câncer afetados pela caquexia, pois existem novos medicamentos que podem bloquear a sinalização descontrolada de IL-6 nas células do corpo. Os resultados do estudo também sugerem que a perda de peso excessiva pode ser reduzida por inibidores de autofagia, como a cloroquina, medicamento que tem sido usado para tratar a malária.
Daniel Gimenes, oncologista do Centro Paulista de Oncologia (CPO), assinalou que as constatações do estudo norueguês seguem a linha de outras pesquisas que tentaram decifrar os mecanismos ligados à caquexia. “A ligação da interleucina-6 como causa da caquexia é algo que já havia sido abordado por outros autores, e agora é reforçada nessa pesquisa. Ela faz com que ocorra a fraqueza muscular porque com a autofagia as células desse tecido (muscular) se destroem, um desequilíbrio que não ocorreria normalmente. E com essa perda muscular, por mais que a pessoa coma muito, mesmo que seja um alimento altamente calórico, o peso dela não vai voltar a ser o que era. Ou seja, não é tão fácil de se tratar”, ressaltou o especialista que não participou do estudo.

Caquexia e câncer: novas abordagens terapêuticas

Por: healthline.com.br

A prevalência de caquexia em pacientes com câncer abrange 15 a 40% dos casos, sendo responsável por 10 a 22% de casos de mortalidade. A caquexia é caracterizada por uma síndrome metabólica complexa e multifatorial, associada a doenças subjacentes com predominante diminuição de massa muscular.

Sabe-se que o peso corporal não apresenta um padrão constante, visto que existem situações clínicas em que a composição do corpo se altera em função do estado metabólico. As repercussões da caquexia associada ao câncer têm relação com alterações gastrointestinais, imunológicas, cardíacas e atrofia muscular. Em um estudo realizado em pacientes com neoplasia maligna de pâncreas avançada avaliaram-se características de caquexia que tiveram impacto em algumas funções orgânicas e na sobrevida dos participantes, como perda de peso maior que 10%, inflamação sistêmica com avaliação da proteína C reativa e redução da ingestão alimentar. Quando os pacientes foram agrupados de acordo com a taxa de perda de peso, aproximadamente 80% apresentaram redução ponderal maior que 10%, evoluindo em alterações fisiológicas significativas que comprometeram ainda mais a qualidade de vida dos pacientes.

Uma revisão de artigos científicos, publicados sobre o câncer e a caquexia, mostrou diversas estratégias terapêuticas para minimizar e retardar esse processo, incluindo o aconselhamento dietético, nutricional e a suplementação de vitaminas, ácidos graxos essenciais (ômega-3) e, sobretudo, proteínas de alta qualidade. Esses suplementos atuam de forma positiva na redução da inflamação associada à perda progressiva de peso, aumento da síntese proteica e massa muscular e equilíbrio nas reações antioxidantes do organismo em geral. O alto estresse oxidativo provocado pela doença, também, contribui para o estado caquético, por isso, torna-se fundamental adequar a suplementação de forma segura e eficiente.

 

REFERÊNCIAS

 

ARGILÉS, J.M. Fisiología de la sarcopenia Similitudes y diferencias con la caquexia neoplásica. Nutrición Hospitalaria. v. 21, n. 3, p. 39, 2006.

 

AZEVEDO, C.D.; BOSCO, S.M. Perfil nutricional, dietético e qualidade de vida de pacientes em tratamento quimioterápico. Comunicação em Ciências da Saúde. v.10, n.1, 2011.

 

BILATE, A. Inflamação, citocinas, proteínas de fase aguda e implicações terapêuticas. Temas de Reumatologia Clínica, v.8, n.2, 2007.

 

GARÓFOLO, A. Nutrição Clínica, funcional e preventiva aplicada à oncologia. Rio de Janeiro: Rubio, 2012.

 

SILVA, A.; ALVES, R.; PINHEIRO, L. As implicações da caquexia no câncer. e-Scientia, Belo Horizonte, v. 5, n. 2, p. 49-56, 2012.

Caquexia é a causa de morte de muitos pacientes com câncer

Por: Paula Weidlich – http://www.tribunapr.com.br

Trata-se do emagrecimento profundo no paciente causado pela doença

Câncer é o conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células, que invadem tecidos e órgãos. Estas células, bastante agressivas, dividem-se rapidamente e formam tumores malignos, que podem se instalar e se espalhar para várias regiões do corpo.

Mas o que muita gente desconhece é que parte das mortes em consequência do câncer não são causadas diretamente pelos tumores e, sim, por um desdobramento desta temida doença: a caquexia, o emagrecimento profundo do paciente provocado pelo câncer. De acordo com pesquisas da divisão nutricional da farmacêutica Abbott Brasil, um em cada cinco pacientes morre devido à caquexia. O mesmo estudo ainda revela que a perda de peso induzida pelo câncer é evidente em até 87% dos pacientes, dependendo do tipo de tumor.

 Sobre a pouco conhecida síndrome da anorexia-caquexia (SAC), o médico oncologista do Departamento de Oncologia Clínica do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP) Luciano Biela esclarece que ela é uma complicação frequente no paciente com neoplasia maligna em estado avançado. Segundo ele, a caquexia caracteriza-se por um intenso consumo dos tecidos muscular e adiposo, com consequente perda involuntária de peso, além de anemia, astenia (fraqueza), fadiga e perda de performance clínica.

De causas multifatoriais, a caquexia neoplásica quase sempre está ligada à condição avançada da doença em sua fase terminal. “Estima-se que cerca de 66% dos pacientes em fase terminal evolua para caquexia neoplásica. A SAC pode ser provocada pelo aumento do consumo energético pelo tumor, pela liberação de fatores que agem no centro da saciedade, diminuindo o consumo alimentar, e pelas citocinas produzidas pelo hospedeiro e pelo tumor, que levam às anormalidades metabólicas características da síndrome”, explica.

E a caquexia pode ser classificada como primária ou secundária. A primária está relacionada às consequências metabólicas da presença do tumor, associada a alterações inflamatórias. “Ela resulta em consumo progressivo, frequente e irreversível de proteína visceral, musculatura esquelética e tecido adiposo”. E a secundária é resultante da diminuição na ingestão e absorção de nutrientes por obstruções tumorais do trato gastrointestinal, anorexia por efeito do tratamento e ressecções intestinais maciças. De acordo com o oncologista, as duas condições podem aparecer em um mesmo indivíduo.

O médico ainda ressalva que nem todo o paciente desenvolve a caquexia, sendo ela mais frequente em idosos, crianças e em pessoas os tumores gastrointestinais, tumores de vias biliares e de cabeça e pescoço. Para amenizar a doença, Biela lembra que o acompanhamento de nutricionistas é fundamental. “O tratamento da SAC é multifatorial, envolvendo o uso de medicamentos estimulantes de apetites, reposição nutricional com suplementos, reposição hormonal e acompanhamento psicológico”.

 Acompanhamento nutricional

A nutricionista Regina Vilela explica que o paciente com câncer precisa de uma avaliação criteriosa e um atendimento nutricional especializado. Assim, é possível definir a dieta que pode auxiliar na resposta imunológica do paciente e também na preservação da musculatura. “O nutricionista sempre observa todos os aspectos dos pacientes: idade, sexo, composição corporal, metabolismo da doença, alterações gastrointestinais, presença de outras doenças que exigem cuidado nutricional, como hipertensão, diabetes, medicação, além ,da condição socioeconômica e os hábitos e a cultura alimentar do mesmo”.

Segundo ela, na caquexia, além das mudanças no metabolismo, a falta de apetite e os efeitos da medicação, podem provocar uma diminuição no consumo de nutrientes. “Estes fatores associados fazem com que o nutricionista tenha que orientar várias estratégias como suplementos proteicos, horários de refeições longe dos períodos em que as náuseas podem surgir como resultado da quimioterapia, troca de talheres de metal por de plástico, adoção de pequenas refeições não muito quentes ou muito geladas, evitar consumir líquidos com as refeições e a modificação na consistência dos alimentos, para concentrar mais calorias em pequenas porções. Nos casos de desnutrição mais grave ou quando o paciente faz uma cirurgia que o impede de se alimentar, pode ser necessário utilizar nutrição enteral por meio de sondas”.