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Depressão e Câncer

Por: Daniela Camargo – Psicóloga

As pessoas que recebem um diagnóstico de câncer, passam por vários níveis de estresse e angústia emocional. O medo da morte, a interrupção de planos futuros, as mudanças físicas e psíquicos, as mudanças do papel social e do estilo de vida, bem como as preocupações financeiras e legais são assuntos importantes para qualquer pessoa com câncer. Entretanto, nem todas as pessoas com diagnóstico de câncer sofrem uma depressão grave.

Existem muitas idéias preconcebidas e falsas sobre o câncer e sobre como vivem os pacientes com câncer. Por exemplo, a ideia de que todas as pessoas com câncer sofrem, obrigatoriamente, de depressão. Ou ainda, a idéia de que a depressão é normal nas pessoas com câncer, que no existe tratamento para ajudar com a depressão da pessoa com câncer, ou que todos os pacientes com câncer sofrem muitíssimo e têm uma morte muito dolorosa.

A tristeza e o pesar são reações normais às crises que se enfrenta ao se saber com câncer, e todos pacientes as sofrem num momento ou outro. Não obstante, sendo a tristeza comum nesses pacientes, será muito importante distinguir entre os níveis “normais” de tristeza e a depressão.

Uma das partes mais importantes no cuidado de pacientes com câncer é, exatamente, saber reconhecer quando necessitam de tratamento para a depressão. Algumas pessoas têm mais dificuldades que outras para aceitar o diagnóstico de câncer e a desadaptação à essa condição existencial pode precipitar uma Depressão Grave, a qual acaba acometendo 25% desses casos. Nesse caso, já não se trata simplesmente de estar triste ou desanimado.

Assim sendo, basicamente todos os pacientes com câncer sentem tristeza e pesar de forma periódica durante alguma fase de sua doença, seja no diagnóstico, durante o tratamento e/ou depois dele. Inicialmente, quando é comunicado o diagnóstico de câncer ao o paciente, a primeira reação emocional é de descrença, rejeição (negação) ou desespero.

Nessa fase de negação a pessoa pode ter problemas de insônia, perder o apetite, sentir-se angustiada e estar preocupada com o futuro. Esses sintomas podem diminuir conforme ela vai se acostumando com o diagnóstico.

Um dos sinais de que a pessoa está tendo melhor aceitação de sua doença, é a manutenção da capacidade para continuar participando das atividades diárias e sua habilidade para continuar cumprindo seu papel social, de cônjuge, pai (mãe), funcionário(a), etc, incorporando as sessões de tratamento em seu esquema de vida cotidiano.

Por outro lado e, inversamente, aquelas pessoas que demoram muito em aceitar o diagnóstico e perdem o interesse em suas atividades diárias pode ser um forte indício de Depressão.

Uma preocupação muitíssima importante é em relação aos pacientes que no demonstram sintomas óbvios e típicos de depressão. Esses terão uma série de manifestações emocionais patológicas não só extremamente molestas, como também, capazes de interferir negativamente na evolução do tratamento. Esses pacientes com depressão atípica também podem beneficiar-se muito do tratamento.

Tanto os indivíduos como as famílias que se enfrentam a um diagnóstico de câncer experimentaram diversos níveis de estresse e de perturbação emocional. A Depressão aparece como uma doença comórbida, aproximadamente 25% de todos pacientes com câncer (Henriksson – 1995). O medo da morte, alteração dos planos de vida, mudanças na imagem corporal, abalo na autoestima, mudanças na situação social e no estilo de vida, assim como preocupações econômicas e ocupacionais são assuntos importantes na vida de qualquer pessoa com câncer e, ainda assim, nem todos os que estão diagnosticados com câncer experimentam Depressão Grave, como se poderia pensar.

Existem muitos mitos sobre o câncer e da maneira como as pessoas o enfrentam. Alguns desses mitos seria, por exemplo: todas as pessoas com câncer estão deprimidas, a Depressão numa pessoa com câncer é normal, os tratamentos antidepressivos não ajudam a Depressão no câncer.

Mitos sobre o Câncer

Todas as pessoas com câncer estão deprimidas
Depressão numa pessoa com câncer é normal
Tratamentos não ajudam a Depressão no câncer
Todos com Câncer sofreram uma morte dolorosa

Sendo a tristeza uma reação comum à qual todas as pessoas com câncer têm que enfrentar e, sendo também a Depressão bastante comum nesses pacientes, é importante distinguirmos entre os graus normais dessa tristeza e os Transtornos Depressivos francos.

Dependendo da personalidade e do perfil afetivo de cada paciente, alguns podem ter severas dificuldades em se ajustar emocionalmente ao diagnóstico de câncer. O quadro a que estão sujeitas essas pessoas mais sensíveis não diz respeito, simplesmente, à tristeza, aos pensamentos negativos ou à falta de ânimo. Elas podem desenvolver a Depressão Grave (ou Maior). Como vimos, esses 15 a 20% de pacientes têm Depressão Maior e devem ser tratados, para que melhore a qualidade de vida e, principalmente, as perspectivas de sucesso no tratamento oncológico (Massie, 1987; Lynch, 1995).

A Reação Vivencial ao Câncer

Inicialmente, a resposta emocional diante do diagnóstico de câncer pode ser relativamente breve, durando alguns dias ou semanas, e pode incluir sentimentos de incredulidade e rejeição da doença ou, de desespero. Esta resposta emocional é considerada fisiologicamente normal e se situa dentro de um espectro de sintomas depressivos que vai, progressivamente, desde a tristeza normal, até um Transtorno de Adaptação do tipo depressivo ou, mais grave, até uma Depressão Maior. Em seguida vem um período de disforia, marcado por uma confusão emocional crescente. Durante este tempo a pessoa experimentará transtornos do sono e do apetite, ansiedade, ironias e críticas amargas e medo do futuro.

Além de algumas pesquisas apontarem entre 15 e 25% a porcentagem de pacientes com câncer que desenvolvem um quadro de Depressão emocional comórbida, outros estudos epidemiológicos indicam que, no mínimo, metade de todos as pessoas diagnosticadas com câncer se adaptou satisfatoriamente. Spencer (1998) sugeriu alguns indicadores sugestivos de adaptação satisfatória. Seriam:

  1. manter-se ativo nos afazeres cotidianos;
  2. reduzir ao mínimo o impacto da doença nos papeis cotidianos (de pai, cônjuge, empregado, etc.), e;
  3. controlar as emoções normais à doença.

Por outro lado, existem também indicadores sugestivos da necessidade de se efetuar uma intervenção o mais precoce possível:

Indícios da necessidade de tratamento para Depressão

  1. Antecedentes pessoais de Depressão;
  2. Sistema precário de respaldo social, tais como: ser solteiro, ter poucos amigos, ambiente de trabalho solitário;
  3. Crenças persistentes e irracionais ou negação à respeito do diagnóstico (alguns aidéticos se recusam a acreditar em sua doença);
  4. Prognóstico mais grave do tipo e estadiamento do câncer;
  5. Maior disfunção orgânica consequente ao câncer.

Alguns níveis de Depressão se consideram leves e subclínicos, normalmente quando inclui apenas alguns, mas não todos, dos critérios para o diagnóstico de Depressão Grave (Veja os critérios de diagnóstico em DSM.IV). Ainda se tratando de Depressão Leve, poderia ser também angustiante e necessitar de certa intervenção, como por exemplo, a terapia de grupo ou individual, tanto através de um profissional de saúde mental como dos vários grupos de apoio ou auto-ajuda (Meyer, 1995).

Mesmo na ausência de sintomas expressivos de Depressão muitos pacientes manifestam interesse na terapia de apoio, embora nem sempre esses pacientes são encaminhados a um profissional de saúde mental qualificado. Quando não tratados esses casos de Depressão (ainda que leves), depois de terem aparentemente desaparecido, podem recorrerem, se intensificarem e se tornarem duradouros (Massie, 1989; Massie, 1993; Weisman, 1976).

O diagnóstico psiquiátrico nas crianças com câncer

As informações sobre a incidência de depressão em crianças fisicamente saudáveis ainda são limitadas e, muitas vezes, contraditórias. Estudos, não tão recentes, em ambulatórios de pediatria mostram que 38% das crianças apresentam problemas suficientes para justificar uma intervenção psicológica-psiquiátrica.

Algumas pesquisas falam que, entre as idades de 7 a 12 anos, há uma incidência de depressão de 1,9%. Se esses números são verdadeiros, pode-se estimar entre 10 a 15% de alunos deprimidos nas escolas. Em 1982, uma comissão conjunta sobre Saúde Mental Pediátrica nos Estados Unidos indicava que 1,4 milhões de crianças abaixo dos 18 anos de idade, necessitavam de ajuda imediata para transtornos depressivos. (Deuber, 1982).

Em relação ao câncer, tudo leva a crer que a maioria das crianças é capaz de lidar com o caos emocional ocasionado pela doença, e não só dar mostras de boa adaptação mas, muitas vezes, fazendo isso melhor que os adultos com câncer e, frequentemente, muito melhor que seus pais.

Nos momentos imediatos e mediatos ao diagnóstico do câncer infantil os resultados podem ser diferentes. Crianças e pais entrevistadas imediatamente depois do diagnóstico do câncer tiveram significativamente mais problemas psicológicos do que as crianças e pais da população geral. Entretanto, em avaliações subsequentes, não havia nenhuma diferença na incidência de problemas psicológicos experimentados por crianças e pais nos dois grupos.

Viver em grupo é protetor contra a recidiva do câncer

Por: http://www.hospitalmoinhos.org.br

Ter uma vida social ativa é uma das formas de manter o corpo saudável e protegê-lo contra a recidiva do câncer de mama. É o que  afirma um estudo realizado pela revista Câncer em dezembro de 2016.

Desenvolvido pela Divisão de Pesquisas da Kaiser Permanente, em Oakland, na Califórnia, a análise verificou os dados de 10 mil pacientes e constatou que mulheres solitárias que haviam passado por um tratamento oncológico mamário tinham risco 40% maior de ter uma recidiva da doença e 60% maior de falecer em decorrência do câncer de mama.

Mas o que caracteriza essa solidão?

 

O oncologista Alexander Daudt, do Centro de Oncologia do Lydia Wong Ling do Hospital Moinhos de Vento, explica que esse comportamento é chamado de isolamento social, ou seja, quando o indivíduo deixa de participar, de modo voluntário ou não, de atividades sociais seja para trabalho ou lazer.

“São pessoas que, mesmo vivendo em uma casa com familiares, vivem isoladas, sem ter um espaço ou momento para compartilhar suas opiniões e ser ouvida”. Em geral, os pacientes chegam ao consultório já dizendo que não querem dar trabalho ou incomodar os familiares, por exemplo”, detalha o médico.Por não contar com esse momento de partilha, muitas vezes, essas pessoas são isoladas ou se isolam de familiares, amigos e colegas. E esse pode ser primeiro sintoma de uma depressão.

“Já sabemos que o estresse é um dos fatores de risco para o desenvolvimento do câncer é uma das formas de aliviá-lo é o desabafo. Mas pessoas em isolamento social tem dificuldade de falar sobre seus angústias e problemas com outros”, explica o Dr. Daudt.

Além disso, pessoas solitárias tendem a praticar menos atividades físicas, a fumar e beber, fatores que elevam o risco de desenvolvimento da doença. São frequentes também os casos de queixas de insônia.

“O sono é reparador e fundamental para o fortalecimento do sistema imune”, alerta o especialista.

Como virar o jogo?

 

Participar de atividades, como grupos de apoio, é uma das alternativas para encorajar esse paciente a voltar ao convívio social. Mas outras atitudes cotidianas também são decisivas, como ter um familiar ou amigo que acompanhe o paciente às consultas e tratamentos. Ter alguém que o ouça e que o auxilie a refazer esses laços de amizade e convívio também é fundamental.

“Laços afetivos são sempre positivos e ter pessoas que te fazem bem por perto é indispensável para a saúde física e mental de qualquer um dia nós. E se estamos passando por um tratamento oncológico, essa rede só fortalece o paciente”, avalia o Dr. Daudt.

Ciência descobre o que leva pacientes com câncer à perda excessiva de peso

  • Por: Correio Braziliense

Estudo liderado por cientistas noruegueses mostra que a caquexia, caracterizada pela perda excessiva de peso em pacientes com câncer, pode estar relacionada ao aumento de substâncias que induzem à autodestruição da massa muscular

O tratamento do câncer de pulmão envolve o uso de um grande coquetel de medicamentos, o que faz com que grande parte dos pacientes perca o apetite e, consequentemente, emagreça durante a busca pela cura. Porém, essa diminuição de peso muitas vezes não é causada apenas pela redução da ingestão de alimentos, mas, sim, pela caquexia, uma complicação caracterizada pelo encolhimento de massa muscular, que ocorre com ou sem a perda de gordura. Cientistas noruegueses investigaram a causa dessa síndrome, que afeta pacientes com outros tipos de câncer e que ainda não é bem compreendida pelos médicos. Em um estudo publicado na revista internacional Scientific Reports, os pesquisadores analisaram amostras sanguíneas de pessoas e ratos de laboratório com tumores malignos. Como resultado, eles observaram que níveis mais altos de substâncias que induzem à autofagia (autodestruição) das células podem ser a causa da caquexia.

Especialistas conhecem há décadas essa complicação que atinge pacientes com tumores. O nome caquexia surgiu do grego antigo e significa “condição ruim”. Os autores do estudo destacam que cerca de 20 a 30% de pessoas com cancros que apresentam esse problema de saúde podem vir a óbito por causa dele e não em razão do tumor.
Devido à gravidade do problema, os pesquisadores resolveram estudá-lo mais a fundo. “Nosso objetivo é saber mais sobre o que acontece nos pacientes com câncer que desenvolvem perda de peso rápida e severa. As causas da caquexia são incompletamente compreendidas”, ressaltou Geir Bjorkoy, professor do Departamento de Bioengenharia da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU) e autor principal do estudo.
Segundo Bjorkoy, estudos anteriores mostraram as reações inflamatórias como uma possível causa da caquexia, porém essa suspeita não foi comprovada. Essa possível tese também não renderia tratamentos eficazes, uma vez que a inflamação é provocada pelo tumor, mas, em vários casos, ele não pode ser removido. “Infelizmente, muitas vezes os cancros não podem ser retirados, gostaríamos de encontrar outras estratégias que possam evitar essa condição nos pacientes e dessa forma aumentar as suas chances de sobrevivência”, justificou Bjorkoy.
No experimento, os cientistas analisaram amostras de sangue de centenas de pessoas com câncer de pulmão e de doadores saudáveis, além de células cancerígenas de ratos. Os pesquisadores descobriram que grande parte da coleta sanguínea de pacientes com tumores continha altos níveis de interleucina 6 (IL-6) e citocinas pró-inflamatórias. Ambos são compostos estimulantes autofágicos. Eles fazem com que as células do corpo se autodestruam. Células de câncer cultivadas em laboratório também apresentaram a mesma característica.
Os cientistas acreditam que a autofagia desencadeada por esses compostos pode estar ligada à caquexia, já que eles estimulariam as células musculares à autodestruição. “Encontramos essa perda de peso e atividade indutiva de autofagia em quase todas as amostras cancerígenas, mas principalmente em pacientes homens e também em camundongos machos. Acreditamos que o excesso dessas substâncias provoca um aceleramento autofágico, causando assim a caquexia, porém ainda não temos provas suficientes para comprovar esse achado, temos que estudar mais esse fenômeno e os mecanismos envolvidos nele”, destacou Bjorkoy.
Os autores do estudo adiantaram que suas próximas pesquisas darão foco para as características de cada tipo de tumor. “As amostras que usamos eram de pacientes com câncer de pulmão, mas também queremos estudar o cancro de mama e o de sangue. Neles, a caquexia é menos frequente. Queremos saber mais detalhes de cada um dos tumores para entender essa diferenciação e queremos esclarecer quais as diferenças ligadas ao gênero que foram vistas no experimento e que também precisam ser compreendidas para o uso e criação de outros medicamentos”, disse o líder da pesquisa.

Tratamentos

De acordo com os pesquisadores, as descobertas podem ser importantes para o tratamento de pacientes com câncer afetados pela caquexia, pois existem novos medicamentos que podem bloquear a sinalização descontrolada de IL-6 nas células do corpo. Os resultados do estudo também sugerem que a perda de peso excessiva pode ser reduzida por inibidores de autofagia, como a cloroquina, medicamento que tem sido usado para tratar a malária.
Daniel Gimenes, oncologista do Centro Paulista de Oncologia (CPO), assinalou que as constatações do estudo norueguês seguem a linha de outras pesquisas que tentaram decifrar os mecanismos ligados à caquexia. “A ligação da interleucina-6 como causa da caquexia é algo que já havia sido abordado por outros autores, e agora é reforçada nessa pesquisa. Ela faz com que ocorra a fraqueza muscular porque com a autofagia as células desse tecido (muscular) se destroem, um desequilíbrio que não ocorreria normalmente. E com essa perda muscular, por mais que a pessoa coma muito, mesmo que seja um alimento altamente calórico, o peso dela não vai voltar a ser o que era. Ou seja, não é tão fácil de se tratar”, ressaltou o especialista que não participou do estudo.

A nova droga que pode fazer o sistema imunológico ‘devorar’ tumores

Por: UOL NOTÍCIAS

Tratamentos que exploram o sistema imunológico para combater o câncer são uma área crescente de pesquisa para cientistas do mundo todo. Agora, uma equipe de pesquisadores dos Estados Unidos desenvolveu uma droga que ajuda o corpo a “comer” e a destruir células cancerígenas.

O tratamento aumenta a ação dos glóbulos brancos, chamados macrófagos, que o sistema imunológico usa para devorar invasores indesejados.

Testes em camundongos mostraram que a terapia funcionou para tumores agressivos de mama e pele, informou a revista científica Nature Biomedical Engineering (revista de Engenharia Biomédica da Natureza).

A equipe americana que conduziu o estudo espera iniciar testes em humanos dentro de alguns anos. O fato de a droga já ter uma licença, dizem os pesquisadores, deve acelerar o processo de aprovação para uso.

A novidade desenvolvida a partir de moléculas componentes que se encaixam como blocos de tijolo é uma “supramolécula”.

O estudo envolve uma célula imune devoradora ou “fagocitária” chamada macrófago.

Macrófagos ajudam a combater infecções bacterianas e virais porque podem reconhecer e atacar esses “invasores”.

Mas eles não são tão eficazes no combate ao câncer, uma vez que os tumores crescem a partir de nossas próprias células e têm mecanismos inteligentes para se esconder do ataque do sistema imunológico.

A droga que o médico Ashish Kulkarni e seus colegas do Brigham e Hospital da Mulher da Faculdade de Medicina de Harvard usaram no estudo funciona de duas maneiras.

Em primeiro lugar, ela impede as células cancerígenas de se esconderem dos macrófagos. Em segundo lugar, impede que o tumor “diga” aos macrófagos que se tornem dóceis.

Nos camundongos, a terapia supramolecular pareceu impedir que o câncer crescesse e se espalhasse.

Os pesquisadores prevêem que a droga pode ser usada juntamente com outros tratamentos contra o câncer, como os inibidores de pontos de verificação imunológicos da imunoterapia. Esses pontos são moléculas especializadas que conseguem impedir o sistema imunológico de agir, fazendo com que as células de defesa sejam utilizadas apenas quando preciso.

Carl Alexander, do Instituto de Pesquisa do Câncer do Reino Unidos, diz que é “promissor” ver mais uma nova pesquisa. Segundo ele, agora é necessário trabalhar mais nesse estudo para mostrar que a nova droga poderia, de fato, ser usada em tratamentos.

 

Como altas doses de vitamina C matam as células cancerígenas

Por: www.essentialnutrition.com.br

A maioria das terapias anticâncer com vitamina C envolve tomá-la por via oral. No entanto, os cientistas da UI demonstraram que administrar a vitamina C por via intravenosa – evitando assim o metabolismo normal do intestino e vias de excreção – cria níveis sanguíneos que são 100 a 500 vezes superiores aos níveis observados com a ingestão oral. E é esta concentração super alta no sangue que é crucial para a capacidade da vitamina atacar as células cancerígenas.

 

Trabalhos anteriores do especialista em biologia redox da UI Garry Buettner descobriram que nesses níveis extremamente altos (na faixa milimolar), a vitamina C mata seletivamente células cancerígenas, mas não células normais no tubo de ensaio e em camundongos. Médicos dos hospitais e clínicas da UI estão testando a abordagem em ensaios clínicos para o câncer de pâncreas e câncer de pulmão, nos quais combinam alta dose intravenosa de vitamina C com quimioterapia padrão ou radiação. Ensaios anteriores de fase 1 indicaram que este tratamento é seguro e bem tolerado e sugeriram que a terapia melhora os resultados dos pacientes. Os ensaios atuais e maiores visam determinar se o tratamento melhora a sobrevida.

 

Em um novo estudo, publicado recentemente na edição de dezembro (2016) da revista Redox Biology, Buettner e seus colegas abordaram os detalhes biológicos de como altas doses de vitamina C (também conhecida como ascorbato) mata células cancerígenas.

 

O estudo mostra que a vitamina C se quebra facilmente, gerando peróxido de hidrogênio, uma espécie de oxigênio reativo que pode danificar tecido e DNA. O estudo também mostra que as células tumorais são muito menos capazes de remover o peróxido de hidrogênio prejudicial do que as células normais.

 

“Neste trabalho, demonstramos que as células cancerígenas são muito menos eficientes na remoção de peróxido de hidrogênio do que as células normais. Assim, as células cancerígenas são muito mais propensas a danos e morte por uma quantidade elevada de peróxido de hidrogênio”, explica Buettner, professor de radiação oncológica e membro do Holden Comprehensive Cancer Center na Universidade de Iowa. “Isso explica como níveis muito elevados de vitamina C utilizados em nossos ensaios clínicos não afetam o tecido normal, mas podem ser prejudiciais para o tecido tumoral.”

 

As células normais têm várias maneiras de remover o peróxido de hidrogênio, mantendo-o em níveis muito baixos para que não cause danos. O novo estudo mostra que uma enzima chamada catalase é a rota central para a remoção de peróxido de hidrogênio gerado pela decomposição da vitamina C. Os pesquisadores descobriram que as células com menores quantidades de atividade da catalase foram mais suscetíveis a danos e morte quando foram expostas a altas quantidades de vitamina C.

 

Buettner diz que esta informação fundamental pode ajudar a determinar quais os cânceres e terapias poderiam ser melhorados pela inclusão de altas doses de ascorbato no tratamento.

 

“Nossos resultados sugerem que os cânceres com níveis baixos de catalase são provavelmente os mais sensíveis à alta dose de vitamina C terapia, enquanto que os cânceres com níveis relativamente elevados de catalase podem ser os menos responsivos”, explica ele.

 

Um objetivo futuro da pesquisa é desenvolver métodos para medir os níveis de catalase em tumores.

 

Traduzido por Essential Nutrition

 

 

Fonte: https://www.sciencedaily.com/releases

 

Sarcomas de partes moles

Por: http://www.danielrebolledo.com.br

Sarcomas de partes moles são tipos raros de câncer que se iniciam nos tecidos moles do corpo como por exemplo músculos, gordura, vasos sanguíneos, nervos, tendões e revestimento das articulações.

Existem inúmeros tipos de sarcomas de partes moles, sendo que alguns são mais comuns em crianças, enquanto outros afetam principalmente adultos.

Sarcomas de partes moles podem ocorrer em qualquer parte do corpo, porém os tipos mais comuns ocorrem no abdômen, braços e pernas.

Sintomas

Um sarcoma de partes moles pode ter  sinais ou sintomas  muito discretos em seus estágios iniciais. Conforme o  tumor cresce, os principais sinais e sintomas são:

  • “Caroços” ou inchaços visíveis;
  • Dor, caso o tumor pressione os nervos ou músculos

Causas

Na maioria dos casos, não está claro a causa  do sarcoma de partes moles. Em geral, o câncer ocorre quando as células desenvolvem erros (mutações) no seu DNA. As mutações fazem com que as células cresçam e se dividam sem controle. As células anormais que se acumulam, formam um nódulo que é chamado de  tumor que pode crescer e invadir estruturas vizinhas e vasos sanguíneos podendo se espalhar para outras partes do corpo. O tipo de célula que se desenvolve a partir dessa mutação genética determina o tipo de sarcoma de partes moles em questão. Alguns tipos de sarcomas de partes moles são:

  • Lipossarcoma
  • Sarcoma Sinovial
  • Leiomiossarcoma
  • Sarcoma Pleomórfico
  • Sarcoma alveolar
  • Angiossarcoma
  • Sarcoma de células clara;
  • Dermatofibrossarcoma protuberans
  • Hemangioendotelioma
  • Sarcoma epitelióide
  • Fibrossarcoma
  • Fibrossarcoma infantil;

Fatores de risco

Na grande maioria dos casos,  os sarcomas de partes moles surgem ao acaso, sem fator predisponente porém , em alguns casos, o surgimento deste tipo de tumor  pode estar relacionado com algumas situações. Os fatores que podem aumentar o risco de sarcoma incluem:

  • Hereditariedade: Um risco aumentado de sarcoma de partes moles pode ser herdada geneticamente dos pais. Síndromes genéticas que aumentam o risco incluem retinoblastoma hereditário, síndrome de Li-Fraumeni, polipose adenomatosa familiar, neurofibromatose, esclerose tuberosa e síndrome de Werner;
  • Exposição à substâncias químicas: Exposição a produtos químicos, tais como herbicidas pode aumentar o risco de sarcomas de partes  moles;
  • Exposição à radiação: O tratamento de radiação para outros cânceres anteriores pode aumentar o risco de sarcomas de partes moles

Testes e diagnósticos

Testes e procedimentos utilizados para diagnosticar um sarcoma de partes moles  incluem:

  • Exames de imagem: Os exames de imagem, tais como radiografias simples s, tomografia computadorizadas, imagem por ressonância magnética e o PET-CT, podem ser usados para avaliar a área suspeita.;
  • Biópsia: O procedimento de biópsia pode ser realizado para retirar uma amostra do sarcoma suspeito para análise em um laboratório de anatomia patológica. Para retirar a amostra, o médico pode utilizar uma agulha ou realizar um pequeno procedimento cirúrgico.

No laboratório de anatomia patológica, um médico treinado na análise de tecidos do corpo (patologista) examina a amostra de tecido para detectar sinais de câncer. O patologista também analisa a amostra para compreender o tipo de câncer e para determinar se o câncer é agressivo.

Caso haja suspeita de um sarcoma de partes moles, é melhor procurar atendimento em um centro médico especializado no tratamento deste tipo de câncer. Médicos especialistas irão discutir desde a melhor técnica de biópsia até o tratamento cirúrgico adequado e a necessidade de radioterapia e quimioterapia adjvantes.

Tratamentos

As opções de tratamento para os sarcomas de partes moles dependem do tamanho, tipo histológico e localização do tumor:

  • Cirurgia: A cirurgia é o tratamento preferencial para a maioria dos sarcomas. A cirurgia geralmente envolve a remoção do câncer e algum tecido saudável que o circunda. Quando o sarcoma de partes moles afeta os braços e as pernas, na grande maioria dos casos é possível a ressecção do tumor com preservação do membro mas em casos específicos pode ser necessária alguma reconstrução com cirurgia plática e em casos mais extremos a amputação do membro pode ser necessária.Em alguns casos, quimioterapia e radioterapia podem auxiliar na diminuição do tumor antes da cirurgia, o que aumenta a probabilidade de salvamento de membro
  • Radioterapia: A radioterapia pode ser utilizad antes da cirurgia para encolher o tumor, tornando sua remoção cirúrgica, menos complicada. A radiação é usada também, após a cirurgia para matar quaisquer células cancerígenas que possam permanecer.
  • Quimioterapia: A quimioterapia pode ser administrada por comprimido, através de uma veia (por via intravenosa) ou podem ser utilizados ambos os métodos. Algumas formas de sarcoma respondem melhor à quimioterapia do que outros. Um tipo de tumor em que  a quimioterapia é muitas vezes utilizada é o  rabdomiossarcoma.
  • Terapia- alvo: São medicamentos direcionados que bloqueiam sinais específicos presentes em células de sarcomas.Estes medicamentos são usados para tratar alguns tipos de sarcomas e vários outros estão em desenvolvimento

10 dicas de nutrição para pacientes em tratamento do câncer

Por: Minhavida

Não deixe a falta de apetite nem as náuseas atrapalharem a sua alimentação

Seja por meio de quimioterapia, radioterapia ou hormonioterapia, o tratamento do câncer pode provocar efeitos colaterais que interferem até na alimentação do paciente. “O tumor e o tratamento fazem o metabolismo da pessoa gastar mais energia e, ao mesmo tempo, perder o apetite, o que pode provocar desnutrição”, contra o nutricionista Nivaldo Pinho.

Junto a essa dificuldade, o tratamento pode causar náuseas, diarreia, falta de salivação, alteração no paladar e dificuldade de mastigar e digerir os nutrientes. A fim de amenizar esses efeitos, os cuidados na escolha dos alimentos e na forma de realizar as refeições devem ser redobrados. Anote o que especialistas em nutrição oncológica recomendam para garantir todos os nutrientes necessários e ter um corpo mais preparado para vencer essa doença.

Realce o paladar

Realce o paladar - Getty Images
Realce o paladar – Getty Images

Uma das primeiras mudanças que o paciente em tratamento do câncer nota é a modificação do paladar. O nutricionista Vitor Rosa, do Instituto de Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), conta que a quimioterapia e a radioterapia, quando realizada na região de cabeça e pescoço, destroem as células das glândulas salivares e papilas gustativas, o que diminui a salivação e a percepção do gosto dos alimentos.

Especialistas também acreditam que o próprio tumor pode aumentar a produção de moléculas chamadas interleucinas, que estão presentes em processos inflamatórios. “Elas provocam alterações no sistema nervoso central, o que deixa um gosto metálico na boca”, explica o nutricionista Nivaldo Pinho.

Procure um nutricionista

Procure um nutricionista - Getty Images

Procure um nutricionista – Getty Images

O acompanhamento do tratamento por um nutricionista pode até mesmo evitar complicações no processo. “Como é alto o risco de desnutrição do paciente com câncer, um nutricionista pode ser de extrema importância, já que o indivíduo desnutrido tem mais chances de enfrentar dificuldades durante o tratamento”, defende Nivaldo Pinho. Esse profissional também ajudará a amenizar o ganho de peso que costuma ocorrer na hormonioterapia – tratamento que leva ao aumento do apetite, ao contrário dos outros.

Considere a suplementação

Considere a suplementação - Getty Images
Considere a suplementação – Getty Images

Como a doença eleva o consumo de energia pelo corpo, a alimentação precisa ser mais reforçada e o uso de suplementos (desde que recomendados por um médico ou nutricionista) pode fazer a diferença. “Costumamos indicar suplementação quando há desnutrição ou algum risco nutricional”, diz o nutricionista Nivaldo Pinho. A desnutrição acontece quando o paciente está perdendo muito peso. Já os riscos nutricionais englobam uma perda de peso muito rápida (por exemplo, perder 10% do peso em 30 dias), uma ingestão inadequada (comer menos de 70% do que precisa durante muitos dias) ou casos de tumores localizados na cavidade oral e na região abdominal.

“Se você come menos do que precisa durante muito tempo, o organismo desenvolve um processo de compensação, ou seja, reduz o gasto energético e diminui o apetite?, explica o profissional. É nesses casos que a suplementação pode ser útil para tentar fazer com que o corpo volte à situação normal e o apetite melhore.

Fracione bem as refeições

Fracione bem as refeições - Getty Images
Fracione bem as refeições – Getty Images

A recomendação de comer pouco várias vezes ao dia é muito importante para pacientes com câncer. “Fracionar as refeições e comer devagar, mastigando bem os alimentos, ajuda tanto a diminuir as náuseas quanto melhorar o apetite”, garante Vitor Rosa. O nutricionista também aconselha que alimentos muito quentes sejam evitados, já que eles aumentam a sensação de náusea.

Peça para que alguém cozinhe para você

Peça para que alguém cozinhe para você - Getty Images

Peça para que alguém cozinhe para você – Getty Images

Muitos pacientes em tratamento – em especial aqueles que sofrem com tumores na região da cabeça e pescoço – ficam com o estômago embrulhando só de sentir o cheiro de comida. “A quimioterapia e radioterapia deixam o olfato mais realçado, o que aumenta as chances de náuseas diante do cheiro da comida”, explica o nutricionista Vitor Rosa. Por isso, uma boa saída pode ser pedir para que alguém cozinhe para esse paciente.

Atenção redobrada à higiene oral

Atenção redobrada à higiene oral - Getty Images
Atenção redobrada à higiene oral – Getty Images

Uma boca limpinha pode até mesmo melhorar a náusea. Segundo Nivaldo Pinho, a quimioterapia e a radioterapia reduzem a capacidade de regeneração das células das mucosas e deixam a cavidade oral e o trato gastrointestinal com muitas células mortas ou envelhecidas. “Isso provoca perda da percepção do gosto dos alimentos e aumenta a sensação de náusea”, afirma.

Além disso, a higiene bucal ajuda a evitar o aumento de bactérias na boca, que fica menos protegida devido à diminuição da salivação provocada pelo tratamento. “A saliva tem função bactericida sobre determinados grupos de micro-organismos”, justifica Nivaldo Pinho, que recomenda escovar bem os dentes e fazer bochechos com substâncias bactericidas.

Varie o cardápio

Varie o cardápio - Getty Images

Varie o cardápio – Getty Images

Com a falta de apetite e os demais sintomas, um grande desafio para quem está tratando o câncer é readquirir o prazer de comer. Segundo o nutricionista Nivaldo Pinho, o tumor aumenta a produção de citocinas, que avisam ao cérebro que precisamos comer menos. “Para combater o tumor, o organismo também aumenta a produção de citocinas, diminuindo ainda mais o apetite”, acrescenta. O segredo é variar bastante o cardápio, com opções que o paciente goste, para que a alimentação não fique enjoativa e ele tenha prazer em comer.

Inclua fibras solúveis na alimentação

Inclua fibras solúveis na alimentação - Getty Images
Inclua fibras solúveis na alimentação – Getty Images

A diarreia durante o tratamento pode acontecer por diversas causas – intoxicação medicamentosa, desnutrição, morte das células do intestino, infecção intestinal e até falta de uma proteína chamada albumina no sangue. O nutricionista Nivaldo Pinho recomenda comer fibras solúveis, presentes em frutas como maçã, pêra, banana maçã e goiaba sem casca, já que elas estimulam a produção de células intestinais e melhoram a imunidade do intestino.

Hidrate-se bem

Hidrate-se bem - Getty Images
Hidrate-se bem – Getty Images

Outra medida muito importante para vencer a diarreia é a hidratação. “O paciente deve tomar chás, sucos coados sem açúcar e bastante água”, aconselha Vitor Rosa, que também pede que seus pacientes evitem alimentos gordurosos, leite e derivados, fibras insolúveis (presentes em grãos integrais, cascas, sementes e cereais) e outros alimentos que possam soltar o intestino.

Evite alimentos crus

Evite alimentos crus - Getty Images

Evite alimentos crus – Getty Images

Dependendo do estado imunológico do paciente, alimentos crus podem ser perigosos, já que costumam apresentar alta concentração de bactérias. O médico ou o nutricionista poderá ajudar nessa determinação. “Podemos recomendar desde evitar comer a casca das frutas ou, em fases mais avançadas, procurar ingerir somente frutas cozidas”, exemplifica o nutricionista do INCA.

Remédio contra diabetes é testado contra câncer

Indivíduos com diabetes que usavam metformina apresentaram risco 46% menor de ter câncer de cabeça e pescoço

Em um estudo feito com mais de 2 mil voluntários em cinco hospitais do Estado de São Paulo, o uso de metformina – um dos medicamentos antidiabéticos mais prescritos no mundo – foi associado a uma redução no risco de câncer de cabeça e pescoço.

A diminuição foi mais acentuada, em torno de 60%, entre os voluntários considerados de alto risco para a doença – aqueles que consumiam mais de 40 gramas de álcool por dia (o equivalente a três latas de cerveja) e mais de 40 maços de cigarro em um ano.

Os dados foram apresentados por Victor Wünsch Filho, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), no congresso “Next Frontiers to Cure Cancer“, organizado pelo A.C. Camargo Cancer Center.

“Estudos anteriores já haviam mostrado uma associação entre diabetes, uso de metformina e uma redução no risco de outros tipos de câncer, como pulmão, cólon e pâncreas. No caso dos tumores de cabeça e pescoço, porém, os dados existentes na literatura científica eram muito contraditórios. Por isso decidimos investigar melhor”, contou Wünsch.

O estudo do tipo caso-controle foi realizado durante o doutorado de Rejane Figueiredo, como parte do projeto Gencapo (Genoma do Câncer de Cabeça e Pescoço), que reúne cientistas de diversas instituições e é apoiado pela FAPESP.

Os resultados foram publicados na revista Oral Oncology.

Foram incluídos, ao todo, 1.021 portadores de câncer de cabeça e pescoço – um conjunto heterogêneo de tumores que afeta locais como a cavidade oral (lábios, língua, assoalho da boca ou palato), os seios da face, a faringe e a laringe – além das glândulas, vasos sanguíneos, músculos e nervos da região.

metformina Metformina: Uso foi associado a uma redução no risco da doença em estudo feito na Faculdade de Saúde Pública da USP com mais de 2 mil participantes (molécula da 1,1-dimetilbiguanida / imagem: Wikimedia)

Metformina: Uso foi associado a uma redução no risco da doença em estudo feito na Faculdade de Saúde Pública da USP com mais de 2 mil participantes (molécula da 1,1-dimetilbiguanida / imagem: Wikimedia) (Reprodução/Wikimedia Commons)

Mais prevalente nos países em desenvolvimento, representa o 9º tipo de câncer mais comum no mundo, com 700 mil novos casos anuais segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Tabaco e álcool são ainda considerados os principais fatores de risco, embora tenha crescido nos últimos anos o número de casos associados à infecção pelo papilomavírus humano (HPV), principalmente entre os pacientes mais jovens.

Na pesquisa, os portadores da doença foram divididos em cinco subgrupos: cavidade oral, orofaringe, hipofaringe, laringe e orofaringe/hipofaringe não especificado.

Já no grupo-controle, foram incluídos 1.063 participantes sem a doença – selecionado entre pessoas que visitavam pacientes internados no hospital ou que estavam no serviço de saúde para atendimento ambulatorial de problemas não relacionados ao câncer, como doenças de pele, trato urinário, fraturas ou questões oftalmológicas, por exemplo.

“Excluímos aqueles que tinham doenças associadas ao uso de álcool e tabaco e também os visitantes de pacientes com câncer de cabeça e pescoço, dada a grande probabilidade de eles estarem expostos aos mesmos fatores de risco dos doentes, o que poderia enviesar os resultados”, explicou o pesquisador.

Todos os participantes responderam a um questionário com dados sobre o perfil sociodemográfico, estilo de vida (consumo de cigarro e álcool, entre outros fatores) e condições de saúde (se eram portadores de diabetes, se faziam uso de metformina e se tinham histórico familiar de câncer, entre outros). Também foram coletadas amostras de sangue que, no presente estudo, foram usadas para fazer o teste hemoglobina glicada, um dos mais precisos para diagnosticar o diabetes.

“Cruzamos as informações dos questionários, dos prontuários médicos e dos testes de sangue para fazer as análises estatísticas e esse foi um dos diferenciais do estudo. Se tivéssemos considerado como diabéticos apenas aqueles que se apresentaram como tal o número seria muito menor”, contou Wünsch.

Os participantes com diabetes foram depois subdivididos entre os que faziam ou não uso de metformina. “Consideramos no grupo metformina somente os pacientes em que a informação sobre o uso do fármaco constava do prontuário médico. Ficaram de fora nesse quesito, portanto, os voluntários que estavam no hospital apenas como visitantes”, explicou.

Nas análises que consideraram o uso de metformina, foram incluídos 1.021 casos (pacientes com câncer de cabeça e pescoço) e 587 controles hospitalares.

Diabetes e consumo de álcool

Análises estatísticas mostraram que no grupo dos casos de câncer a porcentagem de fumantes (68,0%) e bebedores (53,6%) foi bem maior que no grupo-controle (16,3% e 43,5% respectivamente). Ao todo, 359 participantes foram confirmados como portadores de diabetes, sendo 150 (14,7%) entre os portadores de câncer e 209 (19,7%) entre os controles.

O diagnóstico de diabetes foi inversamente associado ao câncer de cabeça e pescoço tanto em homens quanto em mulheres e em todos os subtipos da doença considerados no estudo. Contudo, a redução do risco foi estatisticamente significativa apenas no sexo masculino (32% menor) e no câncer de faringe (57% menos risco).

Em geral, indivíduos com diabetes que usavam metformina apresentaram risco 46% menor de ter câncer de cabeça e pescoço quando comparados aos participantes sem diabetes. Entre indivíduos com diabetes que não usavam metformina não foi evidenciada estatisticamente uma diminuição do risco.

Entre os indivíduos com alto consumo de tabaco e álcool, os que eram portadores de diabetes e usavam metformina apresentavam 69% menos probabilidade de ter câncer que os indivíduos sem diabetes.

“Inicialmente pensamos em investigar apenas a associação entre o câncer de cabeça e pescoço e o diabetes. A ideia de incluir a metformina surgiu quando participei de um congresso sobre câncer e metabolismo, no qual pude perceber a importância do medicamento. De forma simples, ele ativa uma enzima chamada AMPK [proteína quinase ativada por AMP], que pode inibir a proliferação celular”, contou Figueiredo.

Os achados, avaliou a pesquisadora, apontam para a necessidade de estudos mais aprofundados sobre a ação da metformina no câncer de cabeça e pescoço.

“É preciso tentar entender melhor o mecanismo de proteção, o tempo de uso e a dosagem da droga por meio de estudos específicos. Somente assim poderemos avaliar se é viável usá-la na quimioprevenção da doença ou para prolongar a sobrevida dos pacientes com câncer”, disse.

Segundo Wünsch, até o momento, só foi possível avaliar o efeito da metformina associado ao diabetes, pois são os portadores dessa doença os principais usuários do medicamento.

“Mas já há evidências de que o fármaco tem um efeito protetor importante por si só, que precisa começar a ser estudado na profilaxia do câncer e também no tratamento. Trata-se de uma droga barata e com poucos efeitos colaterais, então pode ser muito interessante”, disse o pesquisador.

O artigo Diabetes mellitus, metformin and head and neck cancer (doi: https://doi.org/10.1016/j.oraloncology.2016.08.006), de Rejane Augusta de Oliveira Figueiredo, Elisabete Weiderpass, Eloiza Helena Tajara, Peter Ström, André Lopes Carvalho, Marcos Brasilino de Carvalho, Jossi Ledo Kanda, Raquel Ajub Moyses e Victor Wünsch-Filho, pode ser lido aqui.

Como o Médico diferencia um Tumor Primário do Metastático

Por: Oncoguia

Para determinar se um tumor é primário ou metastático, um patologista, médico especializado na interpretação de exames laboratoriais, análise e avaliação de células, examina uma amostra do tumor. Em geral, as células cancerígenas se parecem com as células do tecido onde o tumor se iniciou. O patologista, por meio de exames de diagnóstico específicos, é capaz de determinar a origem das células cancerígenas. Os marcadores ou os antígenos encontrados nas células cancerígenas podem indicar o local do tumor primário. A técnica mais comum através da qual o patologista identifica a origem das células é a imunohistoquímica. Mais recentemente, análises sofisticadas de determinados genes estão ajudando a identificar o tecido de origem das células malignas.

Os tumores metastáticos podem ser diagnosticados ao mesmo tempo que o tumor primário, ou meses ou até anos mais tarde. Em raros casos, descobre-se a metástase antes mesmo de se identificar um tumor na mama. Quando um novo tumor é encontrado em um paciente já tratado anteriormente para um câncer, muitas vezes é uma metástase do tumor primário que demorou anos para crescer e se manifestar.