O Que São Minerais Quelatos? Para Que Serve?

Por: www.mundoboaforma.com.br

Frequentemente vemos em fórmulas de alguns suplementos os tais minerais quelatos. Você provavelmente deve estar curioso para saber qual a serventia dos minerais quelatos, mas antes de chegarmos a esse ponto, precisamos conhecer o que são essas substâncias.

A palavra “quelato” significa firmemente anexado ou ligado. E essa ligação geralmente acontece com um aminoácido ou outro tipo de componente orgânico, de forma que os dois não se separem uma vez que se encontrem no sistema digestivo.

Em suma, os minerais quelatos são minerais que são combinados com aminoácidos, dando origem a complexos, que podem ser apresentados como boro quelato, cálcio quelato ou cromo quelato, por exemplo

A produção dos minerais quelatos é complexa: acontece por meio de um sistema que obtém os aminoácidos das proteínas e provoca uma reação com os minerais metálicos em reatores.

 Para que serve um mineral quelato?

O processo de quelação é implementado porque acredita-se que, em alguns casos, ela seja capaz de melhorar a absorção de minerais.

 Os minerais quelatos são divulgados para comercialização como suplementos alimentares superiores a outros suplementos de minerais, sob o argumento de que eles são utilizados mais facilmente pelo corpo do que os minerais não quelatos.

Uma das vantagens dos minerais quelatos é que eles têm uma biodisponibilidade quatro vezes maior. Isso quer dizer justamente que os quelatos apresentam uma melhor absorção.

Como se sabe, os minerais são uma classe de nutrientes fundamentais para diversos aspectos da saúde do nosso organismo. Entretanto, o Ask the Scientists alertou que não é sempre que a absorção de minerais é melhorada pelo processo de quelação.

No mesmo sentido, o WebMD informou que não existem evidências para embasar esse argumento de que os minerais quelatos são utilizados com maior facilidade pelo organismo. Conforme a publicação, são pouquíssimas as informações científicas a respeito do uso dos minerais quelatos.

No entanto, mesmo com esse pouco embasamento científico, a publicação relatou que os minerais quelatos acabam sendo utilizados para o oferecimento de suporte ao crescimento normal, a estabilização do transtorno bipolar, a construção de músculos e ossos fortes e a melhoria do sistema imunológico e a saúde de maneira geral.

Além disso, outra das vantagens dos suplementos de minerais quelatos em relação aos tradicionais é a diminuição dos efeitos colaterais que eles podem provocar em alguns usuários como diarreia, prisão de ventre e problemas gástricos e intestinais.

Entretanto, as evidências em relação à efetividade da utilização dos suplementos de minerais quelatos para melhorar o sistema imunológico, como suplemento alimentar de minerais, para construir ossos e músculos fortes e para tratar outras condições são classificadas como insuficientes.

Em relação ao transtorno bipolar, existe alguma evidência inicial que sugere que alguns casos da condição podem ser estabilizados por um suplemento de mineral quelato.

Uma pesquisa com adultos com o transtorno bipolar, que satisfaça os padrões científicos geralmente aceitos, encontra-se atualmente encaminhada. Porém, ainda assim, as evidências da utilização de suplementos de minerais quelatos para a condição ainda são insuficientes.

Portanto, antes de acreditar nas promessas dos fabricantes de suplementos de minerais quelatos, adquirir um desses produtos e utilizar o suplemento no seu dia a dia para esse ou qualquer outro fim, converse com o seu médico para saber se o produto realmente pode contribuir com o seu caso.

Isso é importante para todos os casos, entretanto é especialmente necessário no caso de uma condição delicada como o transtorno bipolar. Você jamais deve deixar de seguir o tratamento indicado pelo médico que acompanha o seu caso para recorrer a um único suplemento que ainda não teve a sua eficiência comprovada para a condição.

Cuidados com os minerais quelatos 

Como não existem informações suficientes a respeito da utilização dos suplementos de minerais quelatos para mulheres que estejam grávidas ou em período de amamentação de seus bebês, recomenda-se que elas ajam com segurança e evitem o uso da substância durante esses períodos.

No mínimo, é importante que as futuras mamães e as que já estejam na fase do aleitamento consultem os seus médicos para se certificar de que a utilização dos suplementos de minerais quelatos é permitida, não fará mal a ela e ao neném e poderá ser útil de alguma maneira para a sua saúde.

Antes de comprar e começar a fazer o uso de quaisquer suplementos de minerais quelatos, também vale a pena conversar com o médico para se certificar de que o produto não pode interagir com nenhum medicamento, suplemento, planta medicinal ou produto natural que você esteja utilizando no momento.

 

 

 

 

Interstício, o ‘novo órgão’ do corpo humano que a ciência acaba de descobrir

Por: https://g1.globo.com/bemestar/

As partes em azul escuro são feixes de colágeno fibrilar. Na imagem à direita, as fibras de elastina são as manchas pretas; as estruturas de colágeno estão em rosa (Foto:  Jill Gregory/Mount Sinai Health System)

As partes em azul escuro são feixes de colágeno fibrilar. Na imagem à direita, as fibras de elastina são as manchas pretas; as estruturas de colágeno estão em rosa (Foto: Jill Gregory/Mount Sinai Health System)

Ele sempre esteve ali, mas foi apenas por meio de uma tecnologia mais avançada que os cientistas finalmente puderam identificá-lo: um espaço repleto de cavidades preenchidas por líquido, presente entre os tecidos do nosso corpo – por isso, chamado de intersticial (entre tecidos). Um grupo de especialistas o classifica como um novo órgão do corpo humano, “uma nova expansão e especificação do conceito de interstício humano”.

Paradoxalmente, apesar de ter sido descoberto apenas agora, o interstício pode ser nada menos do que um dos maiores órgãos do corpo humano, assim como a pele. Os cientistas afirmam que essa rede de cavidades de colágeno e elastina, cheia de líquido, reuniria mais de um quinto de todo o fluído do organismo.

A descoberta foi feita por uma equipe de patologistas da Escola de Medicina da Universidade de Nova York (NYU), Estados Unidos. Os resultados foram publicados na revista “Scientific Reports”.

Antes, se acreditava que essas camadas intersticiais do corpo humano fossem formadas por um tecido conjuntivo denso e sólido. Mas, na realidade, elas estão interconectadas entre si, através de compartimentos cheios de líquidos.

Estes tecidos ficam localizados debaixo da pele, recobrem o tubo digestivo, os pulmões e o sistema urinário, rodeiam as artérias, veias e fáscia (estrutura fibrosa onde se fixam músculos). Ou seja, são uma estrutura que se extende por todo o corpo.

Os pesquisadores acreditam que esta estrutura anatômica pode ser importante para explicar a metástase do câncer, o edema, a fibrose e o funcionamento mecânico de tecidos e órgãos do corpo humano.

A camada de cima é a mucosa; as partes rosas são as estruturas de colágeno que criam as cavidades cheias de fluído (representado pela cor lilás) (Foto: Jill Gregory/Mount Sinai Health System)

A camada de cima é a mucosa; as partes rosas são as estruturas de colágeno que criam as cavidades cheias de fluído (representado pela cor lilás) (Foto: Jill Gregory/Mount Sinai Health System

Como não havia sido descoberto até agora?

Essas estruturas não são visíveis com nenhum dos métodos padrões de visualização da anatomia humana. Agora, os cientistas puderam identificar esse novo “órgão” graças aos avanços tecnológicos da endomicroscopia ao vivo, que mostra em tempo real a histologia e estrutura dos tecidos.

De qualquer forma, a descoberta foi uma surpresa.

A equipe de investigadores fez, em 2015, uma operação com endomicroscopia a laser – uma tecnologia chamada Confocal Laser Endomicroscopy (pCLE) – para examinar o conduto biliar de um paciente com câncer. Depois de uma injeção de uma substância corante chamada fluoresceína, foi possível ver “um padrão reticular com seios (ocos) cheios de fluoresceína, que não tinham nenhuma correlação anatômica”.

Em seguida, os cientistas tentaram examinar mais detalhadamente essa estrutura. Para isso, usaram placas microscópicas de biópsia habitual. Porém, as estruturas haviam desaparecido.

Depois de fazer vários testes, Neil Theise, coautor do estudo, se deu conta de que o processo convencional de fixação de amostras de tecidos em placas drenava o fluído presente na estrutura. Normalmente, os cientistas tratam as amostras com produtos químicos, as cortam em uma camada muito fina e aplicam tinta para realçar suas características chave. Porém, esse procedimento faz colapsar a rede de compartimentos, antes cheios de líquidos. É como se os pisos de um edifício desmoronassem.

Por isso, “durante décadas, (a estrutura) pareceu como algo sólido nas placas de biópsia”, disse Theise, que faz parte do departamento de patologia da Universidade de Nova York.

Ao mudar a técnica de fazer a biópsia, sua equipe conseguiu preservar a anatomia da estrutura, “demonstrando que ela forma parte da submucosa e que é um espaço interticial cheio de fluído não observado anteriormente”. Assim, foram identificadas “tiras largas e escuras ramificadas, rodeadas de espaços grandes e poligonais cheios de fluoresceína”, descreve o estudo.

Os cientistas confirmaram a existência dessa estrutura em outros 12 pacientes operados.

Qual é sua função?

Até agora a ciência não estudou profundamente nem o fluxo nem o volume do fluído intersticial do corpo humano. Por enquanto, a identificação desse “espaço intersticial” levanta várias hipóteses.

Os especialistas acreditam que essa rede de espaços interconectados, forte e elástica, pode atuar como um amortecedor para evitar que os tecidos do corpo se rasguem com o funcionamento diário – que faz com que os órgãos, músculos e vasos sanguíneos se contraiam e se expandam constantemente.

Além disso, acreditam que essa rede de cavidades é como uma pista expressa para os fluídos. Isso poderia embasar a hipótese de que o câncer, ao atingir o espaço intersticial, possa se expandir pelo corpo muito rapidamente. É a chamada metástase.

Por outro lado, os autores do estudo acreditam que as células que formam o interstício mudam com a idade, podendo contribuir com o enrugamento da pele e com o endurecimento das extremidades, assim como a progressão de doenças fibróticas, escleróides e inflamatórias.

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