Fibromialgia (肌痛) segundo a Medicina Tradicional Chinesa

Por: Camille Elenne Egídio – Instituto Long Tao

A Medicina Moderna Ocidental (MMO) define a fibromialgia como uma condição dolorosa generalizada e crônica. É considerada uma síndrome porque engloba uma série de manifestações clínicas como dor, fadiga, indisposição, distúrbios do sono e cefaleia crônica – segundo a Sociedade Brasileira para Estudo da Dor | SBED. Basicamente, fibromialgia significa então: FIBRO + MIO = fibras musculares | ALGIA = dor.

Existem várias descrições desta moléstia desde meados do século XIX, mas apenas foi reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como doença no final da década de 70.

Cerca de 2 a 8% da população adulta sofrem com a fibromialgia. Da população atingida, entre 80 a 90% dos casos são mulheres com idade entre os 30 e 50 anos.

As causas da fibromialgia ainda são desconhecidas, mas existem vários fatores que estão frequentemente associados à esta síndrome, dentre eles:

  • Genética: fibromialgia é muito recorrente em pessoas da mesma família, o que pode ser um indicador de que existem algumas mutações genéticas capazes de causar a síndrome;
  • Infecções por vírus e doenças autoimunes também podem estar envolvidas nas causas da fibromialgia;
  • Distúrbios do sono, sedentarismo, ansiedade e depressão também podem estar ligados de alguma forma à esta síndrome.

O diagnóstico da fibromialgia é feito clinicamente (por meio da história dos sintomas e do exame físico). Não existem exames laboratoriais que possam realizar o diagnóstico, mas exames de sangue podem ser solicitados pelo médico para que outras doenças, com sintomas e características similares, sejam descartadas entre as possíveis causas.

No exame clínico são avaliados determinados sintomas para confirmação do diagnóstico da fibromialgia, são eles:

Duração superior a 3 meses de:

  • Dor difusa em todos os 4 quadrantes do corpo;
  • Dores musculares constantes;
  • Dor à apalpação de 12 de 18 pontos dolorosos (tender points);

E pelo menos mais 2 dos 3 sintomas seguintes:

  • Fadiga;
  • Alterações do sono;
  • Perturbações emocionais.

Devem, no entanto, ser investigados a presença de lesões nos músculos, alterações do sistema imunológico, problemas hormonais e principalmente doenças reumáticas, entre outros.

Na visão da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), as doenças são avaliadas através da diferenciação de síndromes, ou seja, o conjunto de sinais e sintomas determinam quais órgãos e/ou vísceras estão energeticamente alterados no organismo gerando os desequilíbrios físicos e emocionais dos pacientes. Assim sendo, a Fibromialgia pode se enquadrar em mais de uma síndrome de acordo com os sintomas apresentados para cada paciente individualmente.

Os principais fatores etiológicos na Fibromialgia, segundo a MTC, são:

  • Invasão de fatores patogênicos externos (Umidade, Vento e Frio);
  • Tensão Emocional;
  • Dieta irregular;
  • Trabalho físico excessivo.

UMIDADE

Geralmente penetra o corpo através dos membros inferiores e flui por todo o corpo;

É considerado o principal fator patogênico na fibromialgia.

VENTO

Geralmente invade o corpo através do Cou Li (腠理) e dos próprios músculos;

É responsável pelas dores migratórias do corpo.

FRIO

Também invade o corpo através do Cou Li (腠理) e dos próprios músculos;

É responsável pelas dores localizadas no corpo e ‘combina’ muito bem com a umidade.

TENSÃO EMOCIONAL

Sentimentos como a raiva, preocupação, tristeza e pesar causam estagnação do  (气);

A estagnação do  (气) é uma das principais causas das dores.

DIETA IRREGULAR

Consumo excessivo de frituras, gorduras e laticínios tendem a gerar Umidade (Mucosidade), que é o fator patogênico da fibromialgia;

TRABALHO FÍSICO EXCESSIVO

Tanto o trabalho em demasia quanto as atividades físicas em excesso prejudicam o Baço, Fígado e Rim, geralmente por debilidade do Yang Qì (阳气).

O principal objetivo de tratamento será combater os agentes patogênicos, em especial a Umidade, bem como mover a energia, eliminar as estagnações e acalmar a mente, visto que os fatores emocionais têm grande influência neste quadro clínico.

PRINCIPAIS PONTOS PARA:

REMOVER UMIDADE

VC 12 (Zhongwan)

VC9 (Shuifen)

E28 (Shuidao)

Ba9 (Yinlingquan)

Ba6 (Sanyinjiao)

R7 (Fuliu)

B22 (Sanjiaoshu)

MOVER O Qì E ELIMINAR A ESTAGNAÇÃO

VB34 (Yanglingquan)

F3 (Taichong)

TA6 (Zhigou)

VC6 (Qihai)

REVIGORAR O SANGUE E ELIMINAR A ESTAGNAÇÃO

B17 (Geshu)

Ba10 (Xuehai)

PC6 (Neiguan)

Ba4 (Gongsun)

ACALMAR A MENTE

C7 (Shenmen)

VG 20 (Baihui)

Extras: Si Shen Cong

Os pontos supracitados poderão ser estimulados de diversas maneiras, tanto através de técnicas de massagem como o Tuiná e o Shiatsu, assim como pela Acupuntura, Moxabustão e Ventosaterapia. Além de técnicas complementares, tal como a Magnetoterapia e Stiper.

A Fibromialgia é uma doença crônica, com sintomas variados e, portanto, seu tratamento é complexo. Porém através de recursos da MMO em conjunto com as inúmeras técnicas da MTC, podemos ajudar imensamente os pacientes tanto física quanto emocionalmente.

Camille Elenne Egídio é acupunturista há mais de 15 anos, professora e coordenadora-geral dos cursos do Instituto Long Tao.

Polimialgia reumática

Por: https://www.msdmanuals.com/

A polimialgia reumática é a inflamação da membrana que reveste as articulações, causando dor intensa e rigidez muscular no pescoço, nas costas, nos ombros e nos quadris.

  • Desconhece-se a causa.
  • O pescoço, as costas, os ombros e os quadris tornam-se rígidos e doloridos.
  • Exames de sangue e, ocasionalmente a biópsia de um músculo, ajudam os médicos a realizar o diagnóstico.
  • A maioria das pessoas melhora drasticamente com o uso do corticosteroide prednisona.

A polimialgia reumática ocorre em pessoas com mais de 55 anos. Mulheres são afetadas mais frequentemente do que homens. Desconhece-se a sua causa. A polimialgia reumática pode ocorrer antes, depois, ou juntamente com a arterite de células gigantes (temporal). Alguns especialistas entendam que esses dois transtornos são variações do mesmo processo anormal. A polimialgia reumática é aparentemente mais frequente.

Sintomas

Os sintomas podem se desenvolver de forma repentina ou gradual. Dores intensas e rigidez ocorrem no pescoço, nos ombros, nas partes superior e inferior das costas e nos quadris. A rigidez e o desconforto se agravam pela manhã e após períodos de inatividade e acabam se tornando graves o suficiente para impedir que as pessoas saiam da cama e façam suas atividades simples. As pessoas podem se sentir fracas, mas os músculos não estão danificados ou fracos. As pessoas também podem ter febre, sentir mal-estar geral ou depressão e perder peso de forma não intencional.

Algumas pessoas com polimialgia reumática apresentam também os sintomas de arterite de células gigantes, que podem causar cegueira. Algumas pessoas têm artrite leve, mas se a artrite for grave ou for o principal sintoma, o diagnóstico mais provável é o de artrite reumatoide.

Diagnóstico

  • Exame físico
  • Exames de sangue
  • Resposta a corticosteroides

O diagnóstico é estabelecido em função dos sintomas e dos resultados do exame físico e dos exames de sangue, bem como na resposta aos corticosteroides (a maioria das pessoas com polimialgia reumática melhoram muito rapidamente quando tratadas com corticosteroides). Os exames de sangue geralmente incluem o seguinte:

  • Velocidade de hemossedimentação (VHS), níveis de proteína C-reativa, ou ambos: Em pessoas com polimialgia reumática, os resultados de ambos os testes são geralmente muito altos, indicando inflamação ativa.
  • Hemograma: Esse teste é feito para verificar a presença de anemia.
  • Hormônio estimulante da tireoide: Esse exame é feito para excluir a possibilidade de hipotireoidismo, que pode causar fraqueza e ocasionalmente dores nos músculos dos ombros e dos quadris.
  • Creatina quinase: Esse exame é feito para verificar danos no tecido muscular (miopatia), que podem causar fraqueza e dores nos músculos dos ombros e dos quadris. Se o nível de creatina quinase no sangue for elevado, é provável que haja dano muscular. Em pessoas com polimialgia reumática, não há dano muscular; portanto, o nível de creatinina é normal.
  • Teste do fator reumatoide e de anticorpos antipeptídeo citrulinado cíclico: Esses anticorpos estão presentes em até 80% das pessoas com artrite reumatoide, mas não em pessoas com polimialgia reumática. Esse teste ajuda os médicos a distinguir entre os dois distúrbios.

Tratamento

  • Baixa dose de prednisona
  • Baixas doses de aspirina

O uso de uma dose baixa do corticosteroide prednisona provoca geralmente melhoras dramáticas. Se as pessoas também tiverem arterite de células gigantes, uma dose mais elevada é usada para reduzir o risco de cegueira. Conforme os sintomas diminuem, a dose é gradualmente reduzida para a dose mínima eficaz. Muitas pessoas podem interromper o uso de prednisona em menos de um ano. No entanto, algumas pessoas precisam manter uma dose baixa por vários anos.

Os corticosteroides frequentemente causam efeitos colaterais em idosos ( Destaque para Idosos: Arterite de células gigantes e polimialgia reumática).

A aspirina ou outros medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) podem ajudar a aliviar a dor, mas geralmente são menos eficazes do que a prednisona. As pessoas costumam tomar uma dose baixa de aspirina diariamente para ajudar a prevenir complicações da arterite de células gigantes, tais como derrames, ataques cardíacos ou perda da visão.

A arterite de células gigantes pode se desenvolver no início da polimialgia reumática ou posteriormente, ocasionalmente mesmo após a doença estar aparentemente curada. Portanto, todas as pessoas devem informar imediatamente seu médico a ocorrência de dores de cabeça, dores musculares durante a mastigação, dores incomuns ou fadiga nos braços ou pernas durante a atividade física ou problemas de visão.

Manteiga ghee: vale apostar nos seus benefícios?

Por: https://saude.abril.com.br/

A resposta não é tão simples. Saiba o que deve ser levado em conta antes de celebrar a ghee como o alimento do momento

Apesar de estar na crista da onda nutricional, não dá para dizer que a manteiga ghee é exatamente uma nova moda. Sua origem remonta a tradições milenares na Índia, onde foi apelidada de “ouro líquido”. “A população de lá a utiliza em preparações culinárias e terapêuticas há tempos”, conta a culinarista e terapeuta ayurveda Xanda Fogaça, de São Paulo.

“A ghee é vista como um alimento especial porque é fornecida pela vaca, o animal mais sagrado da Terra para o povo indiano”, completa. Na medicina tradicional hindu, a manteiga representa um santo remédio contra inflamações gastrointestinais e um elixir para a imunidade, além de parceira na purificação e na desintoxicação do corpo.

O resto do mundo demorou um pouco mais para conhecer o produto e se afeiçoar a ele. Sua hora só chegou quando a gordura deixou de ser vista como um monstro na dieta.

“A ghee vem acumulando adeptos no Brasil, e são pessoas que buscam um estilo de vida mais saudável”, analisa a engenheira de alimentos Juliana Neves Rodrigues Ract, professora da Universidade de São Paulo. “Ela é indicada por nutricionistas em substituição à manteiga tradicional e, principalmente, às margarinas, por suas supostas propriedades. Já chegou até à alta gastronomia“, diz.

Mas de onde vem seu apelo? “Durante o processo de clarificação, a manteiga ghee é derretida em banho-maria. Os resíduos vão para a superfície, formando uma camada de espuma densa. Essa é retirada várias vezes até sobrar só o óleo dourado e transparente, livre de água, elementos sólidos, toxinas e açúcares do leite“, explica Xanda.

Os intolerantes à lactose são especialmente beneficiados por isso. “Como todos os componentes sólidos, incluindo a lactose, são removidos durante a fervura, a ghee é mesmo mais indicada para quem tem esse problema“, confirma a nutricionista Clarissa Hiwatashi Fujiwara, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

Só que a quantidade de resíduos descartados depende do modo de preparo. Dessa forma, em caso de intolerância severa, é melhor optar pelas versões industrializadas de ghee: “Como temperatura, tempo e velocidade de aquecimento e resfriamento são controlados com uma precisão muito maior, o produto final é mais puro e homogêneo”, justifica Clarissa.

É o puro creme… de gordura!

Como não possui água, proteínas ou carboidratos, 100% das calorias da ghee são provenientes somente de gordura mesmo. Em resumo, é um alimento com alta densidade energética – uma colher de sopa tem incríveis 120 calorias. “Por isso ela não deveria ser consumida por quem precisa perder peso”, diz o médico Francisco Tostes, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).

Mas é o tipo de gordura, a saturada, que gera mais debate quando o assunto é o tal ouro líquido. “Ela é reduto de triglicerídeos de cadeia média, ou TCM. Essas versões são digeridas e metabolizadas rapidamente pelo corpo. Por serem fontes de energia imediata, indico especialmente para quem pratica esportes”, diz a nutricionista esportiva Gabriela Cilla, de São Paulo.

O porém: não há consenso sobre esse efeito e, pior, existem indícios de que os TCMs podem disparar um processo inflamatório no organismo.

Então, melhor não esperar efeitos milagrosos. “Na verdade, a ghee tem ácidos graxos saturados exatamente iguais aos da manteiga convencional, que, ok, até ajudam a aumentar o colesterol bom, o HDL, mas também elevam o LDL, ruim”, pondera Clarissa. “Logo, o excesso pode contribuir para doenças cardiovasculares“, acrescenta a nutricionista da Abeso.

O que há de definido: ninguém deve consumir mais de 10% das calorias diárias em forma de gordura saturada – a ghee entra na conta, assim como a manteiga regular, a carne vermelha, o leite…

As outras propriedades e nutrientes da ghee

Mas, se o ingrediente amado pelos indianos não ajuda muito quando precisamos maneirar nos itens gordurosos, pode ser uma opção para quem deve pegar leve no sódio – mineral cujo abuso faz subir a pressão. “O teor dele na ghee é zero”, assegura a nutricionista Yasmin Gonzalez, que clinica no Rio de Janeiro. “Para isso, claro, ela deve ser feita com manteiga sem adição do ingrediente”, observa.

Agora, se está buscando na ghee a solução para outras questões, como retardar a demência ou prevenir o câncer (como já foi propagado por aí), é bom saber que não há estudos conclusivos sobre essas propriedades. Hoje, o que se pode dizer com certeza é que se trata de uma opção culinária segura. Seu ponto de fumaça é mais elevado que o da manteiga convencional (252 ºC contra 177 ºC). Nesse quesito, a ghee ainda ganha do azeite de oliva extravirgem (207 ºC), do óleo de coco (177 ºC) e do óleo de canola (204 ºC).

“Significa que ela suporta temperaturas bastante elevadas por um período mais prolongado”, explica Clarissa. “Isso é positivo porque, assim, não há liberação de substâncias nocivas à saúde, como a acroleína, associada ao câncer”, descreve.

“A ghee pode ser incorporada ao menu desde que divida espaço com outras fontes de gorduras, como as insaturadas do azeite, das castanhas, do abacate…”, orienta a expert da Abeso.

Outra dica: preste atenção ao guardá-la. “No processo de preparo, a gordura é fervida e fica em contato com o oxigênio do ar. Ou seja, é exposta a dois fatores que desencadeiam sua oxidação”, nota Juliana. “E o processo de degradação continua ainda mais rapidamente se o produto receber luz”, avisa.

O ideal, portanto, é manter a ghee em armário fechado. Ela não vai derreter – a menos que você coloque no pão quentinho, como qualquer manteiga que se preze.

Manteiga ghee versus convencional

Os dois produtos empatam em muitos aspectos – mas a ghee perde no quesito calorias. “Ela não contém proteínas lácteas e lactose, por isso é 100% gordura. O que aumenta um pouco sua densidade calórica, isto é, a relação de calorias por grama do alimento”, ensina a nutricionista Clarissa Fujiwara.

Mas a discrepância não é tão grande: uma colher de sopa de ghee fornece cerca de 120 calorias, enquanto a manteiga tradicional, 102.

A versão indiana ganha quando o foco é sódio, o mineral que, em excesso, eleva a pressão: zero miligrama na porção. Se preferir a comum, basta comprar a opção sem sal. Confira abaixo uma comparação de nutrientes (os valores correspondem a 100 gramas dos alimentos):

Energia

Manteiga ghee – 900 cal

Comum sem sal – 717 cal

Proteínas

Manteiga ghee – 0 g

Comum sem sal – 0,8 g

Gorduras

Manteiga ghee – 100 g

Comum sem sal – 81 g

Carboidratos

Manteiga ghee – 0 g

Comum sem sal – 0,06 g

Fibras

Manteiga ghee – 0 g

Comum sem sal – 0 g

Sódio

Manteiga ghee – 0 mg

Comum sem sal – 11 mg

O passo a passo para obter a ghee na sua própria cozinha

1. Coloque a manteiga sem sal em um recipiente de vidro ou pedra e leve para derreter em banho-maria.

2. Use o fogo baixo para não queimar – não precisa mexer. Ao levantar fervura, tire a espuma suspensa com uma colher.

3. Repita o processo até que sobre só um líquido claro e sem impurezas. Desligue o fogo, deixe esfriar e coe com um pano fino.

4. Coloque em um pote de vidro fechado. Leve ao freezer até endurecer. Aí, pode guardar fora da geladeira por até três meses.

O que você deve considerar ao levar a ghee para as receitas diárias

1. Não é preciso adaptar a medida. “Mesmo com mais gordura, a ghee deve ser usada na mesma proporção que a manteiga normal”, diz Yasmin.

2. Mas é válido não perder as calorias de vista: a ghee tem mais energia que a mesma quantidade em gramas da manteiga tradicional.

3. A ghee é mais estável e não libera toxinas quando aquecida em altas temperaturas. Por isso, é melhor para fritar e grelhar os alimentos.

4. O sabor e a textura da manteiga indiana não sofrem alterações quando ela é cozida. Mesmo assim, não agrada o paladar de todo mundo.

Fibromialgia e Relações Familiares

Por: https://repositorio.uniceub.br/jspui/handle/123456789/2801

Fibromialgia

De acordo com Bennet (1999, citado em Fernandes, 2003), existem outros sintomas relacionados à síndrome que não constam no diagnóstico oficial do Colégio Americano de Reumatologia, são eles: síndrome das pernas inquietas que são parestesias e agitação das pernas durante o estágio dois do sono; síndrome do colón irritável que são alterações nos hábitos intestinais, variando entre prisões de ventre ou diarréias; síndrome da bexiga irritada que é o aumento da freqüência das micções e disúria (dificuldades ao urinar). Problemas ginecológicos, tonturas, rigidez muscular e intolerância ao frio.

Apesar de se admitir a existência da fibromialgia, ainda que sob vários nomes, até recentemente não tinha tido nenhum critério oficial de diagnósticos reconhecidos por alguma instituição médica importante. Ainda hoje, não existem exames laboratoriais para diagnosticar a Síndrome Fibromiálgica – SFM.

O diagnóstico se faz valendo-se dos seguintes critérios oficiais desen volvidos para a SFM pelo American College of Rheumatology (Colégio Americano de Reumatología; ACR) em 1990: dor crônica, generalizada, músculo esquelética por mais de três meses em cada um dos quatro quadrantes do corpo. (“Dor generalizada” significa dores acima e abaixo da cintura e em ambos lados do corpo); ausência de outra doença sistêmica que pudesse ser a causa da dor subjacente (tal como a artrite reumatóide, lupus ou problemas da tiróides); e múltiplos pontos sensíveis à dor (ou pontos de extrema sensibilidade) em lugares característicos (veja a Figura 1). Há 18 pontos sensíveis que os doutores procuram ao fazer um diagnóstico de fibromialgia. Conforme os requisitos do ACR para que se possa considerar um paciente com fibromialgia, ele deve ter 11 destes 18 pontos. Devem-se aplicar aproximadamente quatro quilogramas de pressão (ou cerca de nove libras) a um ponto sensível, e o paciente deve indicar quais os lugares dos pontos sensíveis são dolorosos.

Figura 1- pontos sensíveis anatômicos especificamente relacionados com a SFM, de acordo com (The American College Of Rheumatology – ACR). Fonte: Nacional Fibromialgia Partnership, Copyright 2001.

(1,2) Occipital : bilateral, nos pontos de inserção dos músculos suboccipitais; (3,4) Cervical inferior: bilateral, nos aspectos anteriores dos espaços intertransversais entre as vértebras C5-C7; (5,6) Trapézios: bilateral, no ponto médio do borde superior; (7,8) Supraespinhais: bilateral, nos pontos de origem, supraescapular cerca do borde meio; (9,10) Segunda costela: bilateral, nas segundas articulações costocondrales, um pouco lateral às articulações nas superfícies superiores; (11,12) Epicóndilo lateral: bilateral, 2 cm. distal aos epicóndilos/; (13,14) Glúteo: bilateral, nos quadrantes superiores externos das nádegas no vinco anterior do músculo; 15,16) Trocánter Maior: bilateral, posterior à protuberância trocantérica; (17,18) Joelho: bilateral, na almofadinha medial de gordura cerca da linha da articulação.

Segundo sugerem os critérios do ACR, um diagnóstico de fibromialgia requer uma avaliação “real” do paciente por um médico hábil no diagnóstico de fibromialgia.

Já que os pacientes não estão certos da origem anatômica específica da dor em seu corpo, não se aconselha o autodiagnóstico. Já que as análises de laboratório são freqüentemente normais nos pacientes com SFM, é imprescindível que um médico angarie um histórico médico completo e leve a cabo um exame físico para um diagnóstico correto. Já que os sintomas da fibromialgia se assemelham aos de várias outras doenças, é necessário descartá-las antes de fazer um diagnóstico da mesma, entretanto um diagnóstico da SFM não exclui a possibilidade de que esteja presente outra condição. É necessário assegurar que nenhuma outra condição se confunda com a síndrome da fibromialgia, para poder iniciar o tratamento adequado (Franco, 2001). Pela primeira vez, os médicos poderiam identificar os pacientes com a SFM usando normas uniformes. Apesar do otimismo, os critérios tiveram seus defeitos. Em primeiro lugar, o paradigma dos pontos sensíveis, que diz que o paciente sente unicamente dores em lugares específicos do corpo. Não obstante, em estudos mais avançados começaram a sugerir que pacientes com a SFM são sensíveis aos estímulos dolorosos em qualquer lugar do corpo e não unicamente nos pontos anatômicos identificados pelo ACR.

Hoje em dia, está reconhecido geralmente que a dor estendida pelo corpo é típica da fibromialgia. Segundo, logo começou ser óbvia que a sensibilidade de um paciente varia de intensidade durante o dia. Além, dos pacientes nem sempre apresentarem dores nos quatro quadrantes do corpo. Alguns sofreram da dor unilateral; outros sentiram-na somente na parte superior ou inferior do corpo. Terceiro, os exames feitos nos pontos sensíveis, por doutores eram também problemáticos desde que dependem do julgamento humano. Apesar das falhas, os critérios do ACR, junto com os diagnósticos diferenciais, são ferramentas utilizadas para se identificar um quadro fibromialgico (Franco, 2001).

As causas são desconhecidas, mas segundo Yunus (2002, citado em Fernandes, 2003), parecem estar relacionadas com a desregulação de determinadas substâncias do sistema nervoso central. O stress psicológico, a patologia imunológica e endocrinológica parecem contribuir para o desenvolvimento ou manutenção desta situação clínica. Diversos estudos mostraram que os sintomas da fibromialgia devem ser decorrentes das alterações nos mecanismos de modulação da dor, onde se encontra uma diminuição dos níveis de serotonina (substância analgésica) e um aumento dos níveis de substância P (substância algógena), no sistema nervoso central, em indivíduos geneticamente predispostos, sendo assim os pacientes portadores de fibromialgia são extremamente “queixosos e doloridos”. Há estudos mostrando uma diminuição da perfusão sanguínea no tálamo e núcleo caudado, importantes regiões do cérebro envolvidas com a percepção dolorosa. Também encontramos os distúrbios do sono bem como uma piora de suas queixas com o stress emocional. Pelo estado de dor crônica os pacientes tornam-se inativos e conseqüentemente descondicionados, sendo assim, o seu tratamento jamais pode ser realizado apenas com medicamentos. Para Goldstein (1996, citado em Fernandes, 2003), a fibromialgia tem base genética e é conseqüência de alterações no sistema límbico, decorrentes de experiências traumáticas na infância, doenças e acidentes. Segundo esse autor, o sistema nervoso do sujeito com fibromialgia não consegue lidar de maneira seletiva com as informações vindas do meio-ambiente, do corpo, ou geradas pelo próprio cérebro, em decorrência de disfunções dos circuitos neurais. Bennet (1999, citado em Fernandes, 2003), afirma que: a fibromialgia seria desencadeada por estímulos aversivos externos tais como: quadros virais, traumas físicos, acidentes, esforço físico excessivo, experiências traumáticas durante a infância e doenças graves. Knoplich (2001), fala que a justificativa mais freqüente para as dores musculares na SFM seria contrações musculares anormalmente prolongadas, que causam contração das artérias e veias que se encontram dentro do músculo e a hipóxia (falta de oxigenação no músculo), como resultado pode haver uma morte celular de algumas fibras e músculos, ou seja, uma necrose, a mesma formaria os nós ou tender points.

Esta doença atinge homens, mulheres e crianças de todas as etnias e grupos socioeconômicos em número ainda por definir, mas que se pensa ser elevado. De acordo com Franco (2001), não se pode entender e ajudar uma pessoa com fibromialgia, tento como foco a dor é necessário entender o contexto em que a pessoa está inserida para minimizar o sofrimento e melhorar a qualidade de vida. Os aspectos psicológicos envolvidos na doença são muito importantes, pois podem prejudicar o bem estar da pessoa. A relação que existe entre os aspectos psicológicos e a síndrome fibromiálgica vai desde da necessidade de assumir a enfermidade e as limitações, até seu estado de animo, passando pela capacidade de enfrentar as situações problemáticas, o manejo de situações familiares, sociais e laborais, em geral sua qualidade de vida. Os sintomas da fibromialgia podem provocar problemas que afetam a qualidade de vida, estado de ânimo incluindo a auto-estima da pessoa. Por este motivo é importante o estudo dos aspectos psicológicos. Os problemas mais comuns associados a fibromialgia são a ansiedade e a depressão, ainda que apareçam com muita freqüência não são considerados fatores determinantes da síndrome. A ansiedade é uma resposta do corpo frente a estímulos aversivos ao organismo, caracterizada por sintomas de mal estar e inquietude. Porém resposta de ansiedade pode generaliza-se a qualquer situação independente do estímulo ser ou não aversivo. A ansiedade pode agravar a condição dolorosa, já que o corpo não esta preparado para conviver ou adaptar-se a esta situação (Fernandes, 2003). A definição de depressão da Classificação Internacional de Doenças (CID – 10), pela Organização Mundial de Saúde (OMS), caracteriza-se por graus variados de intensidade, nos episódios típicos, humor deprimido, perda de interesse e prazer nas atividades, energia diminuída levando a uma fadiga aumentada e atividade diminuída. Podem ocorrer também idéias suicidas. Ambos processos depressão e ansiedade agravam os sintomas principais da fibromialgia. O que pode provocar a entrada em um círculo onde os sintomas o mal– estar vão aumentando e diminuindo a capacidade do indivíduo de enfrentar as circunstâncias que o rodeia. Dor persistente conduz ao desenvolvimento de pensamentos negativos que causam o próprio fracasso. Os pacientes podem, segundo Ackerman (1986), acreditar que porque não podem fazer tanto quanto uma pessoa “normal”, são de menor valor. Eles generalizam a inabilidade em executar certas tarefas em uma inabilidade de atuação em um contexto social mais amplo.

Estilos de pensamento catastróficos evoluem e podem levar a um sentimento de invalidez e desesperança. Esses pensamentos arruínam a confiança do indivíduo e resultam em depressão, que por sua vez afeta a percepção de dor e dificulta a adesão ao tratamento (Chaitow, 2002). A gravidade dos sintomas da fibromialgia torna esta situação clínica não só debilitante como também, freqüentemente, incapacitante, embora o doente apresente, muitas vezes, estar bem. Até à data não há análises ou testes que comprovem a existência desta doença. Individualmente, os sintomas são comuns a outras situações clínicas, mas a conjugação deles por um período de tempo prolongado numa pessoa que anteriormente não padecia deles e com uma tal gravidade que provoca alteração radical na rotina da pessoa permite que se faça o diagnóstico por exclusão. Estilos de pensamento catastróficos evoluem e podem levar a um sentimento de invalidez e desesperança. Esses pensamentos arruínam a confiança do indivíduo e resultam em depressão, que por sua vez afeta a percepção de dor e dificulta a adesão ao tratamento (Chaitow, 2002). A gravidade dos sintomas da fibromialgia torna esta situação clínica não só debilitante como também, freqüentemente, incapacitante, embora o doente apresente, muitas vezes, estar bem. Até à data não há análises ou testes que comprovem a existência desta doença. Individualmente, os sintomas são comuns a outras situações clínicas, mas a conjugação deles por um período de tempo prolongado numa pessoa que anteriormente não padecia deles e com uma tal gravidade que provoca alteração radical na rotina da pessoa permite que se faça o diagnóstico por exclusão.

Fibromialgia e relações familiares

Na idade média, a família era responsável pela transmissão de bens e nomes, não tinha uma função afetiva. A partir do século XVIII a família começa a distanciar-se da sociedade, valorizar a intimidade da vida privada e ter necessidades de uma identidade, passando a se unir pelo sentimento. A instituição família passa a ser responsável pela transmissão de valores e conhecimentos.

Atualmente a família é caracterizada por um grupo de pessoas que compartilham circunstâncias históricas, culturais, sócias, econômicas e afetivas. A família ocupa lugar intermediário entre o indivíduo e a sociedade da qual ele faz parte, porém possuindo intimidade, organização e dinâmica própria (Scodelario, 2002). Alguns aspectos da experiência de vida são mais individuais que sociais, outros mais sociais que individuais, porém a vida é uma experiência compartilhada e compartilhável (Ackerman, 1986). A família constitui um sistema delimitado por fatores como: consangüinidade e afinidade, ela determina papéis e, por isto mesmo, gera seus próprios anti-sistemas, que são constituídos por estímulos internos e externos, os quais tendem a modificálo ou destruí-lo. Os estímulos internos são inerentes ao desenvolvimento social e intelectual dos atores; e os externos são caracterizados pela evolução da sociedade em que está inserido o grupo familiar. Na medida em que os envolvidos crescem e interagem socialmente com outros grupos ou culturas familiares, se modificam, alteram suas concepções de certo e errado, evoluem, miscigenam seus costumes e, por lógica, conflitam com os paradigmas de seu grupo familiar originário.

Estes conflitos, gerados pelos paradigmas apreendidos na interação social extra-grupo e intra-grupo, geram estímulos de ação e reação, os quais tendem a fomentar os antagonismos relacionais familiares, os quais podem se manifestar no relacionamento de progenitores com prole; entre cônjuges; e núcleo familiar (pais e filhos) com grande grupo familiar (conjunto de grupos familiares ligados entre si por laços de consangüinidade e afinidade) (Ackerman, 1986).

Em seu livro, Ackerman (1986), relata que para falar de diagnóstico e tratamento familiar é necessário construir um arcabouço teórico, onde se possa então elaborar hipóteses sobre a dinâmica familiar. São relevantes para o levantamento de dados a autonomia do indivíduo; sua integração emocional no grupo familiar, o ajustamento ou falta de ajustamento do indivíduo aos papéis 20 familiares e extrafamiliares; como comportamentos dos membros da família podem apoiar ou ameaçar o indivíduo.

De acordo com Ackerman (1986), a identidade psicológica de um indivíduo ou de um grupo familiar refere-se à direção, enquanto estabilidade, organização e expressão do comportamento em ação. No contexto de relação familiar, identidade psicológica refere-se aos elementos da identidade psíquica harmonizada, as lutas, valores, expectativas, ações, medos e problemas de adaptação, compartilhados ou Influenciados pelos membros da família. A identidade psicologia é um aspecto da vida familiar que determina regras e padrões familiares como: linhas de autoridade, diferenças sexuais etc. E determina também o equilíbrio entre diferenças e semelhanças entre o indivíduo e a família.

Em grupos familiares cujo equilíbrio entre a identidade psicologia familiar e individual não ocorram pode prejudicar a formação da identidade individual. A identidade psicológica e estabilidade do comportamento devem ser consideradas juntas, essa estabilidade é produto de processos complexos e interdependentes, os mais importantes seriam a permanecia da identidade ao longo do tempo, controle de conflitos, capacidade de mudar, aprender desempenhar novos papéis na vida e conseguir se desenvolver a partir destes processos, a identidade e estabilidade, que se expressam em ação. Na adaptação familiar e individual a adaptação bem sucedida é fundamental para a saúde emocional, enquanto a desadaptação leva ao colapso e a doença (Ackerman, 1986). A estabilidade agrupa a capacidade de manter a igualdade ou continuidade de uma pessoa ou de um grupo de pessoas através do tempo, sob a influência de contextos variados, assegurando a integridade e totalidade do comportamento pessoal perante o perigo de novas experiências caracterizando assim o equilíbrio. O mesmo é mantido através do funcionamento conjunto da percepção, memória, associação, julgamento, controle da emoção e ansiedade. A interação dos membros da família em seus respectivos papéis familiares determina a qualidade da estabilidade das relações familiares, afeta a capacidade de competir com o conflito familiar e restaura o equilíbrio após um estresse emocional. A adaptação efetiva exige equilíbrio entre a necessidade de proteger a igualdade, a continuidade e a necessidade de acomodar-se à mudança. O conflito diz respeito às relações do indivíduo com família, a falha em solucionar o conflito gera o colapso adaptativo e a doença. Ao verificar o significado do conflito do indivíduo e dos membros da família, pode se descobrir às relações entre colapsos adaptativos e doença em um sujeito e distúrbios nas relações familiares (Ackerman, 1986). A fibromialgia pode ser resultado de um colapso adaptativo, caso ela tenha surgido por uma falha do sujeito em solucionar o conflito familiar. Neste caso verificando a relação familiar, o psicólogo saberia como a doença estaria sendo Influenciada por um desarranjo familiar.

O conflito nas relações familiares pode ajudar ou prejudicar o sujeito. O conflito pode proporcionar o crescimento, prejudicar o equilíbrio emocional das relações familiares e a adaptação individual. No caso de pacientes com fibromialgia, em que mudanças e adaptações constantes são necessárias é essencial que os conflitos sejam trabalhados de modo a proporcionar ao paciente um crescimento. De acordo com Scodelario (2002), no processo de elaboração da rede das relações familiares deve-se desenvolver experiências reforçadoras que proporcionam maior integração entre seus membros, de modo a evitar experiências punitivas que seguiria por uma desintegração familiar ou até a inclusão da violência na dinâmica familiar. A permanente necessidade de fixar a identidade pessoal e de integrar as necessidades pessoais ao contexto da vida social e a tensão de equilibrar papéis familiares com papéis extrafamiliares é um elemento importante no surgimento de doenças (Ackerman,1986). Essa afirmação pode sugerir que a fibromialgia pode ser o resultado de uma eterna tensão em equilibrar as necessidades pessoais ao contexto social. Malebi (1999) faz referência à alguns estudos que mostram como variáveis familiares podem influenciar o curso da doença. Goldberg, Kerns e Rosenberg (1993, citados em Malebi, 1999) verificaram que o apoio do cônjuge é capaz de impedir o desenvolvimento de depressão em pacientes com dor crônica. Sander, Shpherd, Cleghorn e Wooford (1994, citado em Malebi, 1999) disseram haver evidências de que o estilo de interação da família pode influenciar a freqüência das queixas de dor e de intensidade a dor em pacientes adultos com dor crônica, com artrite reumatóide e fibromialgia.

De acordo com Rolland (1995), quando se fala em fibromialgia é fundamental observar o sistema criado pela interação da doença com um indivíduo, uma família ou algum outro sistema biopsicossocial.

E para analisar o relacionamento entre a dinâmica familiar ou individual com a doença crônica é necessária criar uma tipologia da mesma, com o objetivo de facilitar a criação de categoria entre várias doenças crônicas. Esta tipologia conceitualiza diferenças de início; curso; conseqüências e grau de incapacitação da enfermidade. Rolland (1995), classifica o início das doenças em agudo e gradual.

A fibromialgia exige da família um período de ajustamento prolongado e caso a família e o indivíduo não estejam preparados para estas mudanças o tratamento pode ficar comprometido ou aumentar o conflito familiar. Uma doença crônica, como a fibromialgia, muda vários aspectos da vida pessoal e familiar da pessoa acometida pela mesma. A família tem papel fundamental na mudança, pois ao mostrar capacidade de adaptação e mudança, o doente terá mais possibilidades de se adaptar e aprender a viver com a doença.

Os membros da família podem juntos auxiliar o tratamento ou podem destruir o mesmo, por exemplo, isolando o doente ou desencorajando-o (Oliveira, 2005).

O curso das doenças crônicas é dividido em três formas diferentes: progressiva, constante ou reincidente. Doença de curso constante ocorre um evento inicial depois o curso biológico se estabiliza. Neste caso a família e o indivíduo se defrontam com mudanças estáveis e previsíveis durante um considerável período de tempo. Ocorre a exaustão familiar sem a tensão de novas demandas de papel ao longo do tempo. A doença reincidente, por ser episódica, exige da família uma estruturação para lidar com períodos de crise. As doenças de curso progressivo seriam doenças sintomáticas com progressiva severidade, como a fibromialgia, a família e o indivíduo se defrontam com efeitos de um membro da família apresentando constantemente a sintomatologia, e diminuindo a capacidade de modo gradual ou progressivo.

Os períodos de alívio em relação às demandas são mínimos, isto significa para a família uma continua adaptação e mudança de papel. Uma tensão crescente nos familiares é provocada tanto pelos riscos de exaustão quanto pelo contínuo acréscimo de novas tarefas ao longo do tempo. Isto exige da família flexibilidade nas reorganizações interna de papéis e a disposição para utilizar recursos externos, como a terapia (Rolland, 1995).

De acordo com Ackerman (1986), as doenças seriam um controle homeostático das relações do indivíduo com o meio externo. O desenvolvimento superior do córtex no ser humano lhe proporcionou o poder de introspecção e a capacidade de prever futuros problemas de adaptação, e examinar quais as possíveis respostas à experiência, e portanto, exercer através da razão algum grau de discriminação e escolha quanto à forma preferida de adaptação social. Para Ackerman, (1986), não existe estabilidade quando se fala em saúde familiar, às famílias podem ser predominantemente saudáveis ou doentes, ou seja, pode se observar componentes de funcionamento familiar que são saudáveis e outros prejudiciais.

Falhas na adaptação familiar podem ser classificadas por sua profundidade e nocividade. De acordo com o modo de lidar com problemas familiares, a família pode alcançar soluções realísticas para seus problemas de modo a conter ou controlar os efeitos do problema enquanto elabora uma solução e também pode ser incapaz de encontrar soluções ou conter os efeitos destrutivos do conflito, neste caso os membros da família podem responder ao conflito com comportamentos impulsivos, inadequadamente destrutivos e prejudiciais, como o de depositar toda a tensão familiar em um ou mais membros da família. A fibromialgia pode se manifestar no indivíduo devido às tensões familiares depositadas nele, e enquanto não se dissolver esta tensão, o paciente pode continuar apresentando os sintomas da doença ou até intensificar os mesmos (Ackerman, 1986).

Independente do nível social e econômico observa-se que a vida familiar age como um tipo de corrente transmissora de conflito e ansiedade patogênicos. A família torna-se fonte de transmissão emocional doentia. A ligação de identidade individual e familiar é fundamental e difusa, tornando-se impossível o indivíduo separa-se dessa transmissão (Ackerman, 1986).

Os efeitos da ansiedade, estresse e conflito familiar são destrutivos, e podem ser sentidos por vários membros da família, passando de um membro ao outro. Porém um membro da família pode atingir uma imunidade parcial através da vitimização de um ou mais membros da família.

Existem várias famílias nas quais a doença psiquiátrica de um membro representa um resultado sintomático da necessidade de diversos membros da família, para se proteger a família sacrifica um membro ou vários, às vezes, a família é quase totalmente sucumbida, todos os membros demonstram uma desestruturação emocional porém de formas diferentes.

A alienação emocional, isolamento de membros da família, construção de barreiras, críticas a comunicação, o surgimento de facções e divisões familiares são evidências de conflitos e hostilidades que desintegram a unidade familiar. Essas tendências desmoralizam os membros da família.

Todas as tendências acima listadas são freqüentes em pessoas com fibromialgia, o psicólogo deve intervir de modo a desconstruir este tipo de relação entre o sujeito e sua família, para não prejudicar o tratamento do paciente (Ackerman, 1986).

A família como um grupo desenvolve um padrão principal: membros individuais ou grupos familiares podem emitir esse padrão, inventar padrões opostos ou representar padrões secundários, e as tensões situadas nas relações conjugais, ou nas relações entre pais e filhos ou entre outros podem ser oriundos de necessidades pessoais que não são compartilhadas pelo grupo. O estresse e os conflitos gerados por estas tensões podem influenciar o quadro de fibromialgia gerando a dor ou intensificando a mesma. Por isso o psicólogo deve estar atento aos padrões de comportamentos familiares para entender como o comportamento familiar esta interferindo nos comportamentos de doença e saúde (Ackerman, 1986). Graus de sucessos ou falhas de adaptação nos papéis familiares relacionam-se diretamente com o “estar bem”. O primeiro sintoma de desadaptação é expresso em um contexto, se com o passar do tempo, o conflito e a ansiedade excedem os recursos integrativos que o indivíduo mobiliza dentro da família, os processos de desorganização e incapacidade espalham-se para outros contextos, neste caso o colapso é oriundo da falta de apoio do grupo familiar.

O indivíduo com fibromialgia se depara sempre com novas situações que podem gerar estresse e ansiedade, por isso ele necessita de apoio intra familiar para ajudá-lo a se adaptar as novas situações advindas da síndrome Fibromialgia (Ackerman, 1986). Alguns pacientes com fibromialgia podem ser visto como indivíduos aflitos e com uma expressão sintomática da patologia, porém às vezes esta síndrome só é um indicativo de distúrbio familiar, pois a relação familiar é de grande importância na manutenção ou precipitação da doença.

O terapeuta deve tomar como ponto de partida o sintoma apresentado pelo indivíduo; e posteriormente se deslocar para o padrão de conflito no qual esse paciente está envolvido dentro do contexto familiar; procurando tornar claro o grau de envolvimento do conflito familiar com a doença, no caso a fibromialgia (Ackerman, 1986).

Pensando a família de pacientes com fibromialgia, como doente, sustento a idéia de que famílias que maltratam têm como característica básica o sofrimento psíquico, ou ainda são portadoras de transtornos mentais, o que evidência a necessidade de auxílio, independente da decisão que vai ser tomada posteriormente. Talvez a única alternativa em algumas situações seja o afastamento, mas nunca sem antes usar de todos os recursos possíveis para a reestruturação familiar (Scodelario, 2002).

Por que uso de antibióticos na agropecuária preocupa médicos e cientistas

Por: BBC

Há quatro anos, em uma fazenda de criação intensiva em Xangai, na China, um exame feito em um porco prestes a ser abatido encontrou uma bactéria resistente ao antibiótico colistina. O achado acendeu um alerta que ecoou pelo mundo — cada vez mais temeroso com a capacidade que microrganismos têm demonstrado em driblar tratamentos à base de antibióticos.

A bactéria resistente encontrada no suíno, uma Escherichia coli, levou os cientistas da China a aprofundar os exames — agora, também em frangos de fazendas de quatro províncias chinesas, nas carnes cruas desses animais à venda em mercados de Guangzhou, e em amostras de pessoas hospitalizadas com infecções nas províncias de Guangdong e Zhejiang.

Eles encontraram uma “alta prevalência” do Escherichia coli com o gene MCR-1, que dá às bactérias uma alta resistência à colistina e tem potencial de se alastrar para outras bactérias, como a Klebsiella pneumoniae e Pseudomonas aeruginosa. O MCR-1 foi encontrado em 166 de 804 animais analisados, e em 78 de 523 amostras de carne crua.

Já nos humanos, a incidência foi menor, mas se mostrou presente — em 16 amostras de 1.322 pacientes hospitalizados.

“Por causa da proporção relativamente baixa de amostras positivas coletadas em humanos na comparação com animais, é provável que a resistência à colistina mediada pelo MCR-1 tenha se originado em animais e posteriormente se alastrado para os humanos”, explicou em 2015 Jianzhong Shen, da Universidade de Agricultura em Pequim, um dos autores do estudo, cujos resultados foram publicados no periódico The Lancet Infectious Diseases.

Mas como esse material genético resistente pode ter passado dos animais para os humanos? O caminho de “transmissão” de microrganismos (bactérias, parasitas, fungos e etc) resistentes é uma incógnita não só para o caso dos porcos, frangos e pacientes na China, mas para o uso veterinário e médico de antibióticos como um todo.

Pode ser que esses microrganismos ou resquícios de antibióticos (restos dos medicamentos que, em contato com os micróbios, podem estimular sua resistência) possam estar se alastrando pelos alimentos, ou ainda através do lixo hospitalar, lençóis freáticos, rios e canais de esgoto — e a investigação para desvendar as rotas de bactérias tem motivado inúmeras pesquisas no Brasil e no mundo (veja detalhes sobre esses estudos abaixo).

“As bactérias não têm fronteiras: a resistência pode passar de um lugar a outro sem passaporte e de várias formas”, explica Flávia Rossi, doutora em patologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e integrante do Grupo Consultivo da OMS para a Vigilância Integrada da Resistência Antimicrobiana (WHO-Agisar). “Com a globalização, não só o transporte de pessoas é rápido, como os alimentos da China chegam ao Brasil e vice-versa. Essa cadeia mimetiza o que acontece com o clima: estamos todos interligados. Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem trabalhando com o enfoque de ‘One Health’ (‘Saúde única’ em português, a perspectiva de que a saúde das pessoas, dos animais e o ambiente estão conectados).”

Agora, a dimensão global do problema ganhou um mapeamento inédito juntando pesquisas já feitas medindo a presença de microrganismos resistentes em alimentos de origem animal em países de baixa e média renda — e o Brasil aparece no grupo de lugares com situação preocupante. Não quer dizer que o estudo considere o país como um todo, mas pontos que já foram submetidos a pesquisas, como abatedouros de bois em cidades gaúchas ou em uma fazenda produtora de leite e queijo em Goiás.

Ovo em uma placa em laboratório, manipulado por mão de cientista com luva

China e Índia foram, segundo os autores do estudo, publicado na revista Science, “claramente” os lugares em que os maiores níveis de resistência foram encontrados.

Mas o Sul do Brasil, leste da Turquia, os arredores da Cidade do México e Johanesburgo (África do Sul), entre outros, se destacaram também como hotspots, ou focos de resistência microbiana em animais destinados à alimentação, principalmente bovinos, porcos e frangos (com níveis elevados de P50, percentual acima de 50% de amostras de microrganismos resistentes a determinados antibióticos).

As maiores resistências observadas foram relacionadas a alguns dos antibióticos mais usados na produção animal, como as tetraciclinas, sulfonamidas e penicilinas. Entre aqueles importantes para tratamento também em humanos, destacaram-se a resistência à ciprofloxacina e eritromicina.

Os autores reuniram ainda dados que apontam para focos de resistência emergentes, ou seja, em que a resistência dos microrganismos a antibióticos está crescendo. Aí, o Brasil também aparece, tanto o Sul quanto o Centro-Oeste.

Após ler o estudo, a pesquisadora brasileira Silvana Lima Gorniak, professora titular da Faculdade de Medicina Veterinária da USP, liga o destaque ao Sul justamente a uma maior criação de aves e suínos na região, animais para os quais há maior uso de antimicrobianos com a finalidade de promover o crescimento (entenda os diferentes usos de antibióticos veterinários e seus impactos abaixo).

A situação da América do Sul é particularmente preocupante por causa da carência de dados, diz o estudo: “Considerando que Uruguai, Paraguai, Argentina e Brasil são exportadores de carne, é preocupante que haja pouca vigilância epidemiológica da resistência microbiana disponível publicamente para esses países. Muitos países africanos de baixa renda têm mais pesquisas desse tipo do que os países de renda média na América do Sul. Globalmente, o número de pesquisas per capita não se correlacionou com o PIB per capita, sugerindo que a capacidade de vigilância não é impulsionada apenas por recursos financeiros.”

Buscando ampliar, em partes, o acesso a esse tipo de informação, os autores do estudo lançaram um banco de dados colaborativo para cadastro de pesquisas sobre o tema em todo o mundo, o “Resistance Bank”.

“O Brasil precisa urgentemente de dados de vigilância disponíveis publicamente sobre a resistência microbiana. É um grande exportador de carne, todos comemos frango brasileiro, seria bom saber o que há nele”, escreveu por e-mail à BBC News Brasil Thomas Van Boeckel, um dos autores do estudo e pesquisador do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zurich), na Suíça.

Em nota enviada à BBC News Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) afirmou que, “em relação ao estudo da revista Science”, está “ciente sobre a importância da resistência aos antimicrobianos”. “Trata-se de um dos maiores desafios globais de saúde pública e que deve ser abordado pelos países atendendo ao conceito de Saúde Única, exigindo ações imediatas de todos os envolvidos”.

A pasta garante que o país está correndo atrás para ter um sistema de vigilância, por meio do Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no âmbito da Agropecuária (PAN-BR AGRO), cujo prazo previsto para implementação vai de 2018 a 2022.

Segundo fontes consultadas pela reportagem, o cronograma do plano tem sido cumprido.

Ilustração de uma bactéria
Image captionJá foram detectadas em alimentos de origem animal bactérias resistentes que representam grandes riscos para os humanos

Um de seus pontos-chave, e já o colocado em prática, é a realização de testes oficiais de rotina para detecção de micróbios resistentes em animais e alimentos com essa origem.

São amostragens aleatórias de ovos, leite, mel e de animais encaminhados para abate sob inspeção federal, mas o que se busca são resquícios de antibióticos, e não microrganismos resistentes.

Em 2018, o relatório apresentado pelo ministério mostra que o percentual de amostras com resquícios de antibióticos em conformidade ficou na casa dos 99%.

“Para ser seguro para consumo alimentar, a presença de determinadas bactérias tem que estar dentro de limites estabelecidos pelas agências de saúde de cada país, o que já é feito. Mas mais do que saber, por exemplo, a presença de Salmonella (gênero de bactérias) em galinhas ou porcos, é possível testar sistematicamente a suscetibilidade dela aos antibióticos — que é realmente o que nos permite saber se as bactérias são ou não resistentes”, aponta João Pedro do Couto Pires, também coautor do estudo e pesquisador do ETH Zurich.

Frangos com Salmonella resistente em Estados brasileiros

Ainda que não tenha hoje um levantamento sistematizado, o Brasil já teve experiências pontuais na medição da resistência microbiana em alimentos de origem animal.

Uma análise feita entre 2004 e 2006 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em amostras de frangos congelados vendidos em 14 Estados brasileiros, detectou bactérias Salmonella e Enterococcus resistentes a vários antimicrobianos. Das 250 cepas de Salmonella analisadas, por exemplo, 77% foram consideradas multirresistentes (resistentes a duas ou mais classes de antibióticos).

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento destacou ainda que vem progressivamente proibindo medicamentos veterinários usados com o objetivo principal de fazer os animais engordarem, os chamados melhoradores de desempenho. Já foram proibidas substâncias do tipo como os anfenicóis, as tetraciclinas e as quinolonas.

“Na criação animal, há basicamente três tipos de uso de antimicrobianos. O primeiro é o terapêutico, como ocorre com o ser humano. A segunda maneira é a preventiva, como no desmame dos suínos — esse animal provavelmente vai passar por estresse, vai ter uma imunossupressão (redução da atividade do sistema imunológico), e ela pode levar à infecção por várias bactérias, então se faz preventivamente o tratamento”, explica Silvana Lima Gorniak, da USP.

“A terceira maneira é a mais polêmica, a mais discutida na ciência, que é a administração (de antimicrobianos) como melhorador de desempenho. Nesse caso, o animal não tem nenhuma doença, provavelmente não vai ficar doente, e o antimicrobiano é empregado com a finalidade de promover o crescimento. Não se sabe exatamente como, mas o animal de fato cresce.”

A colistina, aquela a que bactérias em porcos na China mostraram resistência no estudo publicado no The Lancet Infectious Diseases em 2015, foi uma das substâncias proibidas para uso como melhorador de desempenho em rações no Brasil, em 2016. Seu uso para o tratamento de doenças, como diarreias, continua, no entanto, permitido por aqui. Proibições foram impostas também em outros países, como a própria China, Índia e Argentina.

Ao mesmo tempo, esta substância é colocada pela OMS no grupo mais crítico entre os antibióticos que precisam urgentemente de substitutos — já que são o último recurso para o tratamento de algumas doenças para as quais outros antibióticos não funcionam mais, são amplamente usados na medicina humana e já se mostraram altamente vulneráveis à resistência microbiana.

Antimicrobianos passaram a ser mais significativamente usados na criação de animais para consumo nos anos 1950 em países de alta renda, algo que foi se estendendo para países de baixa e média renda — onde hoje, inclusive, projeções mostram que o uso desses medicamentos aumentará, já que a produção e consumo de carne nesses países tem crescido.

O elo entre precariedade e uso de antibióticos

Porcos em ambiente interno e gradeado, observados por homem de jaleco
Image captionProdução em larga escala de animais com fins alimentícios está associada ao uso de antibióticos

Thomas Van Boeckel destaca que, no mundo, o uso excessivo de antibióticos está associado à criação intensiva de animais, a produção industrial, “mas não em todos os países, algumas exceções existem, como a Holanda e a Dinamarca”, aponta.

Sandra Lopes, diretora da organização Mercy for Animals no Brasil, vê o uso de antibióticos como uma das práticas degradantes impostas aos animais.

“O uso de antibióticos força esses animais a seguirem produzindo em um sistema completamente cruel, onde os animais não podem exercer nenhum de seus comportamentos naturais”, aponta a representante da ONG, dedicada ao bem estar de animais ditos de produção, aqueles destinados ao consumo alimentício.

Como exemplos, ela menciona criações com confinamento intensivo em gaiolas.

As galinhas poedeiras, confinadas em uma área análoga ao que seria passar a vida inteira dividindo um elevador com outras 12 pessoas, segundo a ONG, não têm espaço para exercer comportamentos naturais como abrir as asas ou ciscar. Sem forças nas pernas por não movimentá-las, essas galinhas podem sofrer fraturas com o peso do próprio corpo. Isso leva a um ciclo em que o uso de antibióticos se faz necessário.

Há ainda a debicagem, quando os bicos dessas aves são retirados para evitar, entre outros, o canibalismo — intensificado pelo estresse vivido pelos animais. É algo que leva também ao corte dos rabos dos porcos, procedimentos esses que muitas vezes exigem também o emprego de antibióticos.

Lopes menciona ainda a falta de ventilação, a lotação de animais ou ainda o contato com excrementos como características da realidade da produção em escala que podem debilitar a saúde dos animais. Por isso, a ONG defende, entre outras medidas, a melhor regulamentação de várias etapas da criação de animais, a certificação de produtos gerados em práticas consideradas satisfatórias (como existe no caso das galinhas poedeiras criadas fora de gaiolas) e, como recomendação aos clientes, a redução do consumo de produtos de origem animal.

Silvana Lima Gorniak destaca que a ligação entre precariedade na produção e uso excessivo de antibióticos fica mais evidente, uma vez mais, no caso dos melhoradores de desempenho.

“As condições sanitárias impactam diretamente no uso de antimicrobianos. Os melhoradores de desempenho têm um efeito muito benéfico naqueles lugares onde as condições sanitárias não são tão adequadas. Em locais com higiene adequada, é claro que há benefícios, mas ele é diluído”, explica a pesquisadora.

Já os autores do artigo publicado na Science destacam que o cenário de precariedade e consequente uso de antibióticos pode ser uma faca de dois gumes para os produtores: “Uma consequência fundamental desta tendência é um esgotamento do portfólio de tratamento para animais doentes. Essa perda tem consequências econômicas para os agricultores, porque os antimicrobianos acessíveis são usados como tratamento de primeira linha, e isso pode eventualmente se refletir em alimentos com preços mais altos.”

Entidade veterinária pede maior controle de vendas de medicamentos no setor

“É como para a gente, humanos: os antibióticos resolveram muitas questões, mas se a gente abusa, vai chegar uma hora que eles não serão mais eficazes”, resume Fernando Zacchi, assessor técnico da presidência do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV).

Zacchi diz que a entidade está empenhada em educar a categoria para um uso mais racional de antibióticos e tornar mais rigoroso o acesso a antimicrobianos veterinários — hoje, ele explica ser necessária a apresentação, mas não retenção, da receita.

“Aí está uma fragilidade: estamos trabalhando com outros órgãos para a obrigatoriedade da retenção e escrituração”, aponta, lembrando que entra na questão ainda o uso de antimicrobianos em animais domésticos.

Outro ponto é o cumprimento da exigência de um responsável técnico nos pontos de venda destes medicamentos, algo que é fiscalizado pelo próprio CFMV — a BBC News Brasil pediu dados sobre multas e autuações relacionadas a essas regras, mas não teve a solicitação atendida.

“Embora o conselho e o Mapa entendam que deve haver um responsável técnico nesses estabelecimentos, o Judiciário está eventualmente dispensando este profissional, cuja presença garante mais controle e rastreabilidade.”

Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), nos últimos cinco anos, os antimicrobianos abocanharam cerca de 16% das vendas de tratamentos veterinários (que incluem ainda as categorias antiparasitários; biológicos; suplementos e aditivos; terapêuticos). A reportagem pediu valores — e não apenas percentuais — por categoria, mas não teve a demanda atendida.

Em nota enviada à BBC News Brasil, a Aliança para Uso Responsável de Antimicrobianos, que representa várias entidades do setor produtivo, afirmou também que no ramo a questão “é tratada com responsabilidade por todos os elos da cadeia produtiva”. “Contra achismos, a Aliança busca construir um debate pautado pelo pensamento científico e pela transparência. É formada por organizações nacionais da bovinocultura de corte e leite, avicultura, suinocultura, aquicultura e pescado.”

A Aliança defende que há controle interno, com análises diárias feitas pelas próprias empresas sobre a questão e que o “Brasil cumpre rigorosamente as determinações técnicas de todas as nações importadoras”.

Em relação à produção em escala, a entidade aponta que o país “segue as diretrizes estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para o alojamento dos animais”.

“Na produção industrial, o sistema produtivo é isolado em controles restritivos de acesso, o que evita a circulação de doenças. Em situações de produção precária, sem as devidas salvaguardas técnico-veterinárias, os riscos de enfermidades e o uso inadequado de antibióticos são maiores”, acrescentou.

E agora, o que fazemos em casa?

Ilustração mostra duas cápsulas com imagens de frutas e verduras caindo
Image captionEstudo recém-publicado na Science alerta: uso de antibiótiocos em países de baixa e média renda como o Brasil deve aumentar nos próximos anos

“Sou um cavaleiro do apocalipse”, brinca Victor Augustus Marin, professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

À frente do Laboratório de Controle Microbiológico de Alimentos da Escola de Nutrição (Lacomen), ele e seus alunos e orientandos têm desenvolvido uma metodologia própria para encontrar bactérias resistentes em alimentos minimamente processados, aqueles prontos para consumo, como frutas e queijos. Um resumo do que eles têm encontrado até aqui: muitas bactérias resistentes.

Em sua dissertação de mestrado orientada por Marin, Cristiane Rodrigues Silva, por exemplo, buscou bactérias resistentes em amostras de queijo minas frescal. Todos exemplares estudados apresentaram algum conjunto de bactérias resistentes — em 13%, a resistência foi constatada para todos os antibióticos testados e em 80%, para 8 a 10 diferentes antibióticos. Foi constatada ainda resistência em 87% dos queijos aos carbapanêmicos, tipo de antibiótico potente que é considerado uma das últimas alternativas na luta contra microrganismos muito resistentes.

Agora, Silva, Marin e o resto da equipe estão estudando outros tipos de queijo, como minas padrão, parmesão, ricota e cottage; além de frutas compradas no comércio comum, como manga, laranja e caju. Eles também querem verificar se outras formas de produção, como a orgânica, podem alterar a presença de microrganismos resistentes.

“Comprovamos não só que as bactérias nos alimentos estudados até agora têm alguma resistência, como genes de resistência”, aponta Marin, acrescentando que, embora em escala muito menor do que na pecuária ou entre humanos, antibióticos são usados também na agricultura.

“Como essa bactéria chegou ao queijo? Tem que voltar ao campo: a vaca come capim, que tem dentro dela bactérias endofíticas, que vivem dentro das plantas. A vaca ingere a planta, produz leite e o leite vai para o queijo. Mas é difícil falar quem originou a bactéria primeiro — elas evoluem junto com os humanos e animais. Também são promíscuas: trocam material genético.”

As diversas variáveis que influenciam a resistência dos micróbios são justamente o que representa um desafio para as pesquisas: para traçar o caminho dos microrganismos através dos animais, humanos e do ambiente, seriam necessários grandes volumes de amostras desses elementos.

E em tempo real, lembra João Pedro do Couto Pires, já que muitas vezes é diagnosticada alguma infecção em uma ponta, mas sua origem muitas vezes já se perdeu no tempo.

Por isso, o alarme tocado pelo artigo na Science traz um porém: “Está além do escopo deste estudo tirar conclusões sobre a intensidade e a direcionalidade da transferência de resistência microbiana entre animais e humanos — aspectos que devem ser investigados com métodos genômicos robustos”.

Enquanto a ciência busca decifrar o caminho percorrido pelas bactérias, o que nós, humanos e consumidores de alimentos podemos fazer?

Flávia Rossi, patologista da USP, lembra de procedimentos básicos de saneamento e higiene que cortam a circulação de microrganismos, como lavar as mãos; o uso de água potável na cozinha; e o armazenamento adequado de alimentos.

O cuidado deve ser redobrado com pessoas mais vulneráveis, como hospitalizados, imunossuprimidos ou transplantados. “As bactérias também nos protegem, estão no nosso intestino, na nossa pele… Mas elas nos atacam quando há um desequilíbrio”, diz.

João Pedro do Couto Pires brinca que, hoje, nossas casas são mais perigosas do que restaurantes por haver menos cuidado com questões sanitárias. Ele destaca ações a serem evitadas: misturar alimentos crus e cozidos; ou carnes e vegetais, como, por exemplo, no refrigerador ou no uso de uma mesma faca ou tábua para esses dois tipos de alimentos. Essas misturas levam a fluxos de microrganismos que, no caso de alimentos crus, como vegetais em uma salada, acabam sendo ingeridos pela pessoa que está comendo.

Marin garante que não se trata de parar de comer alimentos como os estudados por sua equipe, como queijos e frutas, mas de aprofundar investigações sobre como a resistência microbiana se expressa neles — para, aí sim, fazer-se uma escolha entre custos e benefícios. Por exemplo, algo a ser levado em conta, segundo descobriu sua equipe, é que queijos mais úmidos exigem maior cuidado no assunto.

“O queijo, além de ter bactérias com resistência, também tem outra microbiota — outras bactérias — que combatem as que têm resistência. Ninguém é demônio e ninguém é anjo, inclusive entre as bactérias. Por isso a visão holística (multifatorial) é tão importante”, diz.

Auxílio Doença – Fibromialgia

Só quem tem fibromialgia para saber quantas dores essa doença pode fazer alguém passar todos os dias, seja na cabeça, nas costas ou nas pernas — ela pode se dar em qualquer lugar do corpo. Em alguns casos, fica claro a falta de condição de se trabalhar por conta dela e o requerimento do auxílio-doença acaba sendo necessário.

E esse é sim um direito de todos os portadores da doença, mesmo muitos não sabendo que a fibromialgia dá afastamento pelo INSS. É claro que, muitas vezes, após uma consulta, o pedido pode ser negado, mas estamos aqui justamente para te ajudar com isso, e explicaremos melhor no texto. Pode se tranquilizar, você não está sem amparo!

Tenho fibromialgia, como consigo o auxílio-doença?

Fique tranquilo, lembramos, mais uma vez, que você possui direitos! Sim, a fibromialgia afasta pelo INSS. Logo, você pode sim pedir seu auxílio-doença por fibromialgia. O processo não é muito diferente de outros pedidos por conta de outras doenças.

O portador da fibromialgia que estiver afastado do serviço por mais de 15 dias pode solicitar diretamente ao INSS seu auxílio-doença. Aí entra a famosa “Autarquia Previdenciária”, que nada mais é do que a avaliação que um médico fará sobre você para saber se você realmente não está em condições de trabalhar.

O INSS só concederá o auxílio-doença caso o médico perito avalie sua incapacidade total ou parcial para trabalhar normalmente, assim como para atividades simples do dia a dia. Infelizmente, o trabalhador que já tiver começado a recolher o INSS possuindo a doença só poderá solicitar o auxílio-doença caso ela fique mais forte com o passar do tempo e já tiver quitado a carência.

Cabe lembrar que carência é o tempo mínimo que alguém precisa estar contribuindo ao INSS para poder usufruir do benefício do auxílio doença. Normalmente, esse prazo mínimo é de 12 mensalidades.

Sabemos que esses processos são difíceis e burocráticos e muitas vezes o resultado não é o esperado. É relativamente comum que pedidos para receber o auxílio-doença sejam indeferidos (rejeitados), o que nem sempre reflete a situação real de quem pede, muitas vezes impedida de trabalhar. Mas tudo bem, existem sempre saídas para essas circunstâncias!

E se eu quiser pedir aposentadoria por invalidez, também dá?

Os processos continuam parecidos quando se trata de aposentadoria por invalidez, mas algumas coisinhas mudam um pouco. Diferente do pedido por auxílio-doença, você precisa estar afastado permanentemente do trabalho por causa da fibromialgia para ter a aposentadoria pelo INSS.

Mais uma vez, você terá que passar por um médico para que ele veja se a sua fibromialgia é um problema permanente e que te deixe totalmente sem condições de continuar trabalhando.

Assim como no caso do auxílio-doença, algumas injustiças às vezes são cometidas e nem sempre quem solicita o benefício tem o pedido atendido.

Uma dica sempre valiosa para os que estão nesse processo é sempre reunir o máximo possível de documentos, exames e atestados que possam confirmar para o médico perito como realmente aquela doença te afeta. Isso pode afetar bastante o resultado final da perícia.

Como eu sei se tenho fibromialgia?

A fibromialgia é tão comum quanto incômoda. A doença basicamente se trata de uma síndrome que causa dores musculares profundas em qualquer lugar do corpo, sendo os mais comuns a cabeça e as costas. A doença pode também trazer mais fadiga, problemas com o sono e deixar partes do corpo mais delicadas. Outros sintomas são a depressão e o cansaço constante.

Você tem algo parecido com isso? Bom, se sim, existem boas chances de que você esteja sofrendo com a fibromialgia. Embora sua sensibilidade a dores possa ser uma causa para a fibromialgia, muitos casos ocorrem por conta de muito estresse, de traumas ou infecções.

Os tratamentos para a fibromialgia também são bastante complicados, variando de caso para caso, e muitos enfermos não conseguem ter acesso a eles. Um dos motivos para isso é a dificuldade de se detectar um paciente com fibromialgia.

Além disso, os portadores da fibromialgia também costumam sofrer bastante preconceito nos mais diversos meios, como na família, no trabalho e com os amigos, por conta do pouco entendimento sobre a doença. Muitos chegam a se irritar devido às constantes reclamações de dor e ignoram os efeitos provocados por ela, causando também problemas emocionais e psicológicos no portador da doença.

Complicado, né? Com isso, não é difícil concluir que muitas pessoas não possuem a mínima condição de trabalhar por causa da fibromialgia. As dificuldades no ambiente de trabalho logo são visíveis e causam problemas tanto para o enfermo quanto para a própria empresa. Imagine-se tendo que subir e descer escadas, carregar itens um pouco mais pesados ou interagir em locais de trabalho que exijam mais movimentação.

Por isso, estamos aqui para lembrar que quem possui fibromialgia tem direito ao auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez e que fazer o requerimento desse benefício não é nenhum ‘bicho de sete cabeças’.

Entendi tudo, só ainda não sei o que é o… auxílio-doença

Não esquente a cabeça! Isso é mais normal do que se pensa. Fala-se muito sobre a possibilidade de pedir auxílio-doença para o INSS, mas pouco mesmo se fala sobre o que é de fato o auxílio-doença.

O auxílio-doença é basicamente um benefício que o INSS concede a pessoas que estão incapacitadas de continuar trabalhando por causa de alguma doença. Mas, diferente da aposentadoria por invalidez, é um auxílio temporário e a remuneração varia de caso para caso.

Dica extra: Compreenda e realize os procedimentos do INSS para usufruir dos benefícios da previdência social.

Já pensou você saber tudo sobre o INSS desde os afastamentos até a solicitação da aposentadoria, e o melhor, tudo isso em apenas um final de semana?

Uma alternativa rápida e eficaz é o curso INSS na prática: Trata-se de um curso rápido, porém completo e detalhado com tudo que você precisa saber para dominar as regras do INSS, procedimentos e normas de como levantar informações e solicitar benefícios para você ou qualquer pessoa que precise.

Conteúdo original Maviene Advogados

Psoríase Palmo-plantar – Sintomas, Dicas e Tratamentos

Por: psoriasetratamento.com.br

Psoríase Palmo-plantar, o que é, quais os sintomas?

São psoríases localizadas nas palmas das mãos e nas solas dos pés, onde essas regiões tendem a ficar com a pele extremamente seca, grossa e as vezes com rachaduras profundas tornando a região dolorida.

A psoríase é uma doença crônica de pele e não é contagiosa, o que a faz localizar nas palmas das mãos e solas dos pés não é definida, porem estresse, uso de certos medicamentos, infecções, ingestão alcoólica e fatores psicológicos podem evoluir a doença.

Psoríase Palmo-Plantar

Semelhante a psoríase no corpo a palmo-plantar também formam placas redondas avermelhadas com descamação, em algumas situações são encontradas pústulas pequenas e profundas com coloração amarelada, que estão em conjunto na psoríase pustulosa palmo-plantar, porem essas pústulas não são infecciosas.

Vejam 4 dicas que te ajudarão na psoríase palmo-plantar.

  1. Evitar água quente nas lesões, pois podem ressecar mais as mãos, além disso deve se atentar para os produtos de limpeza, eles irritam as lesões e atrapalham o tratamento.
  2. É importante usar luvas com base de algodão para evitar a transpiração.
  3. Se as fissuras dos pés estiverem muito doloridas é recomendado usar meias grossas e sapatos abertos
  4.  hidratação é muito importante principalmente hidratantes que tenham ativos antinflamatórios.

O impacto na vida de quem tem a psoríase palmo-plantar

Vários estudos comprovam que a psoríase palmo-plantar atingem mais as mulheres do que os homens sendo comum em fumantes. Ocorrem geralmente em pessoas que tem entre 20 a 60 anos.

A qualidade de vida de quem tem a psoríase palmo-plantar pode ser afetada, é uma vida de altos e baixos com dores e incômodos causados pela doença, existe muita variação, mas alguns podem até encontrar dificuldade em executar as tarefas diária.

Por isso se você tem os sintomas da psoríase palmo-plantar vá ao encontro do seu médico, comece o tratamento e seja paciente, pois a psoríase palmo-plantar é muito persistente.

A eficácia de cada tratamento varia de pessoa para pessoa, por isso grande parte dos pacientes devem experimentar uma variedade de tratamentos antes de encontrar o que realmente funcione.

Saiba mais sobre espondilite anquilosante, doença incurável que atinge articulações

espondilite anquilosante atinge as articulações do esqueleto axial, causando lesões nos ossos da cabeça, tórax e coluna, costas, joelhos, e quadris. Pesquisadores ainda não descobriram a cura da doença, que é inflamatória e crônica.

Nesta quarta-feira, 23, o cantor Zé Felipe, filho do sertanejo Leonardo, anunciou que descobriu a espondilite e iria iniciar tratamento.

O cantor sertanejo Leonardo e o filho Zé Felipe, que descobriu diagnóstico de espondilite anquilosante.

“Fui no reumatologista e descobri que estou com um tipo de artrite, que chama espondilite. E eu vou começar a fazer o tratamento hoje e vamos embora. Dois anos de tratamento que vou ter que fazer, de dois em dois meses, vou ter que tomar uma injeção, mas estou feliz”, garantiu o cantor em uma série de vídeos no Instagram.

A espondilite atinge mais homens do que mulheres, entre o final da adolescência até, em média, os 40 anos de idade.

Primeiros sinais e sintomas

Dor persistente na lombar, por mais de três meses, que diminui com o movimento e aumenta com o repouso, merece atenção. O desconforto pode comprometer a mobilidade da coluna, que fica mais rígida, e se espalhar para as pernas.

Outra característica peculiar é que as dores são mais intensas durante à noite.

Em casos mais graves, a patologia pode provocar lesões nos olhos, coração, pulmão, intestinos e pele.

Assista ao vídeo:

Importância do diagnóstico precoce

De acordo com informações da Sociedade Brasileira de Reumatologia, o diagnóstico precoce pode evitar a progressão da doença que, se não tratada, pode incapacitar o paciente.

O surgimento das dores na coluna ocorre de modo lento e insidioso durante algumas semanas. No início, a patologia costuma causar dor nas nádegas, possivelmente se espalhando pela parte de trás das coxas e pela parte inferior da coluna.

Frequentemente observa-se que a dor melhora com exercícios e piora com repouso, sendo pior principalmente pela manhã.

Alguns pacientes se sentem globalmente doentes, cansados, perdem o apetite e também perdem peso. Geralmente essa dor está associada a uma sensação de enrijecimento na coluna (rigidez), com consequente dificuldade na mobilização.

Eventualmente, o paciente também pode apresentar dor na planta dos pés, principalmente ao se levantar da cama pela manhã. Posteriormente, a inflamação das articulações entre as costelas e a coluna vertebral pode causar dor no peito, que piora com a respiração profunda.

Tratamento

O tratamento é feito basicamente para controlar o avanço da doença e aumentar a qualidade de vida do paciente, que terá de conviver com os sintomas principais.

Fisioterapia e cirurgia são indicadas em alguns casos, assim como a medicação para aliviar as dores, como anti-inflamatórios, analgésicos ou relaxantes musculares.