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Lipossoma

Lipossomas, o mais comum dos vetores de transporte não-viral de genes, são pequenas vesículas esféricas formadas por bicamadas concêntricas de fosfolipídios que se organizam espontaneamente ou por ultra-sons em meio aquoso em que o componente da solução usada (íons, moléculas) pode preencher a cavidade do interior do lipossoma. Tais partículas são consideradas uma excelente forma de sistema de liberação controlada de medicamentos ou substâncias biologicamente ativas devido a sua flexibilidade estrutural seja no tamanho, composição e fluidez da bicamada lipídica, como na sua capacidade de incorporar uma variedade de compostos tanto hidrofílicos como hidrofóbicos.

Os lipossomas foram descobertos no início da década de 60, através de estudos da hidratação de filmes lipídicos depositados nas paredes de um frasco de vidro. Tal experimento foi realizado pelo Dr. Alec Bangham, mas quem primeiro utilizou o termo lipossoma (corpo gorduroso), para designar as estruturas vesiculares formadas por bicamadas fosfolipídicas com um compartimento aquoso em seu interior, foi Weissman em 1965.

Os lipossomas podem ser classificados tanto com relação ao seu tamanho e número de lamelas quanto a sua interação com o meio biológico. De acordo com os diametros médios em três categorias:

  • Vesículas Multilamelares (MLV – Multilamelar Vesicles): formas lipossomais formadas por bicamadas fosfolipídicas concêntricas intercaladas por compartimentos aquosos, cujo diâmetro varia de 400 a 3500 nm.
  • Vesículas unilamelares grandes (LUV – Large Unilamelar vesicles): formas lipossomais constituídas por apenas uma bicamada fosfolipídica, mas com uma grande cavidade aquosa. Diâmetro varia de 200 a 1000 nm.
  • Vesículas unilamelares pequenas (SUV – Small Unilamelar Vesicles): formas lipossomais constituídas por apenas uma bicamada fosfolipídica e um pequeno compartimento aquoso. Diâmetro varia de 20 a 50 nm (Scarpa et al.,1998).

De acordo com a carga, lipossomas podem ser classificados como catiônicos (carga positiva), aniônicos (carga negativa) e neutros (sem carga). Lipossomas catiônicos são os mais frequentemente utilizados na terapia gênica humana, pois o DNA possui uma carga efetiva negativa.

Quando comparado a vetores virais, os lipossomas apresentam muitas vantagens como a não patogenicidade, a não indução a resposta imune e a fácil produção. No entanto, a rápida duração da expressão genética e o baixo nível de expressão transgênica são as suas principais desvantagens.

De acordo com a interação com o meio biológico, os lipossomas podem ser caracterizados por possuírem interação não-específica com os fluidos biológicos (lipossomas convencionais), lipossomas estericamente estabilizados (longa duração) e com ligantes de direcionamento incorporados à estrutura (sítio-específicos). O primeiro grupo é caracterizado por possuir um fosfolipídios estrutural adicionado de um colesterol e um lipídeo com carga. Já o segundo grupo possui, além dos constituintes presentes no primeiro, uma cobertura por um polímero hidrofílico inerte, como o polietilenoglicol (PEG), à superfície. Os ligantes de direcionamento presentes no terceiro grupo podem ser anticorpos monoclonais ou oligossacarídeos.

O uso de formas lipossomais, como sistemas de liberação lenta de medicamentos, é viável clinicamente por serem tipicamente feitos de moléculas lipídicas de origem natural, biodegradável e não tóxica. Os lipossomas podem proteger o fármaco de degradação enzimática, possibilitam o aumento da concentração da droga no sítio alvo, podem ser utilizados como excipientes não tóxico para a solubilização de fármacos hidrofóbicos, além de prolongar o tempo da vesícula na circulação, permitindo um possível direcionamento para sítios específicos de células ou órgãos. Alguns problemas relacionados aos lipossomas têm sido a rápida liberação no sangue, devido a adsorção de proteínas do plasma (opsoninas) com a membrana fosfolipídica, como também reconhecimento e captação dos lipossomas pelo sistema fagocítico mononuclear (SFM). A habilidade dos lipossomas para penetrar nos tecidos doentes está diretamente correlacionada com o seu tamanho. Lipossomas grandes são rapidamente removidos da circulação por macrófagos (SFM) e não se obtém significantes níveis nos outros tecidos do corpo, enquanto lipossomas pequenos (≤ 100 nm) demoram um pouco mais para serem reconhecidos e fagocitados, aumentando a probabilidade dos mesmos de penetrarem os tecidos.

Alguns lipossomas que encapsulam fármacos e vacinas exibem superior propriedades farmacológicas sobre os medicamentos tradicionais. Isso pode ser evidenciado em áreas como quimioterapia do câncer, terapia antimicrobiana, vacinas, diagnóstico por imagem e tratamento de desordens oftálmicas.

Referências

  • Jacome-Junior, A.T. Desenvolvimento de formas lipossomais contendo levana. Tese de mestrado. Universidade Federal de Pernambuco, Pernambuco, 2006. 67f.
  • Lasic, D. D. Novel application of liposomes. Trends in Biotechnology, 16, 307-321, 1998.
  • Medina, O.P.; Zhu, Y.; Kairemo, K. Target liposomal drug delivery in cancer. Current Pharmaceutical Design, v. 10, n. 24, p. 2981-2989, 2004.
  • Ramesh, R.; Saeki, T.; Templeton, N.S.; Ji, L.; Stephens, L.C.; Ito, I.; Wilson, D.R.; Wu, Z.; Branch, C.D.; Minna, J.D.; Roth, J.A. Successful treatment of primary and disseminated human lung cancers by systemic delivery of tumor suppressor genes using an improved liposome vector. Mol Ther, 3:1–14, 2001.
  • SANTOS, C.N. e CASTANHO, M.A.R.B. Lipossomas: A bala acertou?, Química Nova, v. 25, 6B, p. 1181-1185, 2002.
  • Torchilin VP. (2006) Adv Drug Deliv Rev. 58(14):1532-55, 2006
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O CÂNCER SE TORNARÁ CURÁVEL NOS PRÓXIMOS 10 ANOS GRAÇAS AOS TRATAMENTOS DARWINIANOS

Por: https://www.greenme.com.br/

Notícias encorajadoras sobre a luta contra o câncer acabam de chegar de Londres, dos cientistas do ICR (Instituto Inglês de Pesquisa do Câncer) que acreditam seriamente que o câncer será “administrável” e “mais curável” até a próxima década, graças aos medicamentos que podem impedir que as células cancerosas se tornem resistentes aos tratamentos.

Trata-se de medicamentos “darwinianos” que seriam capazes de impedir que a doença se adaptasse e evoluísse, melhorando assim a expectativa e a qualidade de vida dos pacientes com câncer. Isso porque, no momento, o maior desafio enfrentado por quem trabalha para vencer tumores é a resistência ao tratamento. A mesma quimioterapia muitas vezes falha porque as células cancerígenas letais seriam capazes de se adaptar e sofrer mutações.

Daí a nova abordagem “evolucionária” do ICR, que lançou o primeiro programa de descoberta de medicamentos “darwinianos” do mundo. Os medicamentos foram projetados especificamente para lidar com a capacidade letal dos tumores de desenvolver resistência, bem como “entender, antecipar e superar” a evolução do câncer.

Para isso, foram investidos 75 milhões de libras em um novo centro de pesquisa em Londres, o qual abrigará mais de 300 cientistas de todo o mundo e de uma variedade de campos para trabalhar juntos e combinar sinergias para desenvolver novas terapias anti-câncer.

Os cientistas estão convencidos de que essa nova abordagem pode fornecer controle a longo prazo e tratamentos eficazes com uma mudança de paradigma e combinações de múltiplas drogas usadas com sucesso mesmo com doenças como HIV e tuberculose. E que dentro de 10 anos fará do câncer uma doença controlável e mais curável:

“Criaremos novos caminhos para enfrentar o desafio da evolução do câncer, bloqueando todo o processo de diversidade evolutiva, usando a inteligência artificial e a matemática para transformar o câncer em formas mais tratáveis ​​e combatendo o câncer com combinações de múltiplas drogas, como aquelas usadas com sucesso contra o HIV e a tuberculose”, disse Paul Workman, diretor administrativo do ICR.

Ele acrescentou:

“Acreditamos firmemente que, com mais pesquisas, podemos encontrar maneiras de tornar o câncer mais fácil e mais tratável, para que os pacientes possam viver mais e com uma melhor qualidade de vida. Mas essa pesquisa precisará de apoio e nosso novo Centro acelerará dramaticamente o progresso que já estamos fazendo”.

No entanto, para terminar o centro e abrir o novo edifício, são necessários 15 milhões de libras adicionais. Já começou uma campanha de arrecadação de fundos e crowdfunding para chegarem ao objetivo.

Este é um grande passo à frente na luta contra o mal mais difundido do século.

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