TAMOXIFENO, O MEDICAMENTO QUE MAIS SALVOU VIDAS NA ONCOLOGIA

Por: Dr. Felipe Ades

O tamoxifeno foi um dos primeiros bloqueadores hormonais utilizados no tratamento do câncer de mama. Sua função é impedir que a célula cancerígena perceba os hormônios femininos, bloqueando seu crescimento e causando a morte dessa células.

É um medicamento usado desde a década de 1970, sendo extremamente eficaz e seguro. É certamente o medicamento que mais salvou vidas na história da oncologia.

A maioria das pessoas não apresenta efeitos colaterais do seu uso. De cada 10 mulheres, 7 não têm nenhum efeito colateral. Em geral, quando os efeitos colaterais ocorrem, eles são limitados, se resolvendo em semanas a poucos meses. Os efeitos colaterais mais significantes são as ondas de calor, semelhantes às que ocorrem com a menopausa, o aumento do endométrio (que não causa maiores transtornos na vida da mulher), alteração na menstruação e aumento de risco de trombose em pessoas que têm predisposição ou já tiveram trombose antes (também um evento muito raro).

Uma minoria das pessoas pode ter efeitos mais intensos necessitando da troca do tratamento. Isto é extremamente raro.

Não se deve ter medo de usar este tratamento. Como dito anteriormente são extremamente eficazes contra o câncer de mama com receptores hormonais positivos, aumentando de maneira importante a chance de cura. É um medicamento altamente seguro, tem baixíssimo índice de complicações, que na maioria das vezes se resolvem sozinhas em poucas semanas.

Converse sempre com seu médico!

Saiba mais sobre este medicamento assistindo aos vídeos abaixo:

Tamoxifeno e antidepressivos

Efeitos do tamoxifeno no endométrio e útero

Tamoxifeno engorda? Risco de câncer de ovário? Tem risco na gravidez?

Tamoxifeno e anastrozol no tratamento do câncer de mama

Efeitos colaterais do tamoxifeno e anastrozol

Quem está tomando tamoxifeno pode tomar álcool?

Tamoxifeno e menstruação

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10 dicas de nutrição para pacientes em tratamento do câncer

Por: Minhavida

Não deixe a falta de apetite nem as náuseas atrapalharem a sua alimentação

Seja por meio de quimioterapia, radioterapia ou hormonioterapia, o tratamento do câncer pode provocar efeitos colaterais que interferem até na alimentação do paciente. “O tumor e o tratamento fazem o metabolismo da pessoa gastar mais energia e, ao mesmo tempo, perder o apetite, o que pode provocar desnutrição”, contra o nutricionista Nivaldo Pinho.

Junto a essa dificuldade, o tratamento pode causar náuseas, diarreia, falta de salivação, alteração no paladar e dificuldade de mastigar e digerir os nutrientes. A fim de amenizar esses efeitos, os cuidados na escolha dos alimentos e na forma de realizar as refeições devem ser redobrados. Anote o que especialistas em nutrição oncológica recomendam para garantir todos os nutrientes necessários e ter um corpo mais preparado para vencer essa doença.

Realce o paladar

Realce o paladar - Getty Images
Realce o paladar – Getty Images

Uma das primeiras mudanças que o paciente em tratamento do câncer nota é a modificação do paladar. O nutricionista Vitor Rosa, do Instituto de Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), conta que a quimioterapia e a radioterapia, quando realizada na região de cabeça e pescoço, destroem as células das glândulas salivares e papilas gustativas, o que diminui a salivação e a percepção do gosto dos alimentos.

Especialistas também acreditam que o próprio tumor pode aumentar a produção de moléculas chamadas interleucinas, que estão presentes em processos inflamatórios. “Elas provocam alterações no sistema nervoso central, o que deixa um gosto metálico na boca”, explica o nutricionista Nivaldo Pinho.

Procure um nutricionista

Procure um nutricionista - Getty Images

Procure um nutricionista – Getty Images

O acompanhamento do tratamento por um nutricionista pode até mesmo evitar complicações no processo. “Como é alto o risco de desnutrição do paciente com câncer, um nutricionista pode ser de extrema importância, já que o indivíduo desnutrido tem mais chances de enfrentar dificuldades durante o tratamento”, defende Nivaldo Pinho. Esse profissional também ajudará a amenizar o ganho de peso que costuma ocorrer na hormonioterapia – tratamento que leva ao aumento do apetite, ao contrário dos outros.

Considere a suplementação

Considere a suplementação - Getty Images
Considere a suplementação – Getty Images

Como a doença eleva o consumo de energia pelo corpo, a alimentação precisa ser mais reforçada e o uso de suplementos (desde que recomendados por um médico ou nutricionista) pode fazer a diferença. “Costumamos indicar suplementação quando há desnutrição ou algum risco nutricional”, diz o nutricionista Nivaldo Pinho. A desnutrição acontece quando o paciente está perdendo muito peso. Já os riscos nutricionais englobam uma perda de peso muito rápida (por exemplo, perder 10% do peso em 30 dias), uma ingestão inadequada (comer menos de 70% do que precisa durante muitos dias) ou casos de tumores localizados na cavidade oral e na região abdominal.

“Se você come menos do que precisa durante muito tempo, o organismo desenvolve um processo de compensação, ou seja, reduz o gasto energético e diminui o apetite?, explica o profissional. É nesses casos que a suplementação pode ser útil para tentar fazer com que o corpo volte à situação normal e o apetite melhore.

Fracione bem as refeições

Fracione bem as refeições - Getty Images
Fracione bem as refeições – Getty Images

A recomendação de comer pouco várias vezes ao dia é muito importante para pacientes com câncer. “Fracionar as refeições e comer devagar, mastigando bem os alimentos, ajuda tanto a diminuir as náuseas quanto melhorar o apetite”, garante Vitor Rosa. O nutricionista também aconselha que alimentos muito quentes sejam evitados, já que eles aumentam a sensação de náusea.

Peça para que alguém cozinhe para você

Peça para que alguém cozinhe para você - Getty Images

Peça para que alguém cozinhe para você – Getty Images

Muitos pacientes em tratamento – em especial aqueles que sofrem com tumores na região da cabeça e pescoço – ficam com o estômago embrulhando só de sentir o cheiro de comida. “A quimioterapia e radioterapia deixam o olfato mais realçado, o que aumenta as chances de náuseas diante do cheiro da comida”, explica o nutricionista Vitor Rosa. Por isso, uma boa saída pode ser pedir para que alguém cozinhe para esse paciente.

Atenção redobrada à higiene oral

Atenção redobrada à higiene oral - Getty Images
Atenção redobrada à higiene oral – Getty Images

Uma boca limpinha pode até mesmo melhorar a náusea. Segundo Nivaldo Pinho, a quimioterapia e a radioterapia reduzem a capacidade de regeneração das células das mucosas e deixam a cavidade oral e o trato gastrointestinal com muitas células mortas ou envelhecidas. “Isso provoca perda da percepção do gosto dos alimentos e aumenta a sensação de náusea”, afirma.

Além disso, a higiene bucal ajuda a evitar o aumento de bactérias na boca, que fica menos protegida devido à diminuição da salivação provocada pelo tratamento. “A saliva tem função bactericida sobre determinados grupos de micro-organismos”, justifica Nivaldo Pinho, que recomenda escovar bem os dentes e fazer bochechos com substâncias bactericidas.

Varie o cardápio

Varie o cardápio - Getty Images

Varie o cardápio – Getty Images

Com a falta de apetite e os demais sintomas, um grande desafio para quem está tratando o câncer é readquirir o prazer de comer. Segundo o nutricionista Nivaldo Pinho, o tumor aumenta a produção de citocinas, que avisam ao cérebro que precisamos comer menos. “Para combater o tumor, o organismo também aumenta a produção de citocinas, diminuindo ainda mais o apetite”, acrescenta. O segredo é variar bastante o cardápio, com opções que o paciente goste, para que a alimentação não fique enjoativa e ele tenha prazer em comer.

Inclua fibras solúveis na alimentação

Inclua fibras solúveis na alimentação - Getty Images
Inclua fibras solúveis na alimentação – Getty Images

A diarreia durante o tratamento pode acontecer por diversas causas – intoxicação medicamentosa, desnutrição, morte das células do intestino, infecção intestinal e até falta de uma proteína chamada albumina no sangue. O nutricionista Nivaldo Pinho recomenda comer fibras solúveis, presentes em frutas como maçã, pêra, banana maçã e goiaba sem casca, já que elas estimulam a produção de células intestinais e melhoram a imunidade do intestino.

Hidrate-se bem

Hidrate-se bem - Getty Images
Hidrate-se bem – Getty Images

Outra medida muito importante para vencer a diarreia é a hidratação. “O paciente deve tomar chás, sucos coados sem açúcar e bastante água”, aconselha Vitor Rosa, que também pede que seus pacientes evitem alimentos gordurosos, leite e derivados, fibras insolúveis (presentes em grãos integrais, cascas, sementes e cereais) e outros alimentos que possam soltar o intestino.

Evite alimentos crus

Evite alimentos crus - Getty Images

Evite alimentos crus – Getty Images

Dependendo do estado imunológico do paciente, alimentos crus podem ser perigosos, já que costumam apresentar alta concentração de bactérias. O médico ou o nutricionista poderá ajudar nessa determinação. “Podemos recomendar desde evitar comer a casca das frutas ou, em fases mais avançadas, procurar ingerir somente frutas cozidas”, exemplifica o nutricionista do INCA.

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Remédio contra diabetes é testado contra câncer

Indivíduos com diabetes que usavam metformina apresentaram risco 46% menor de ter câncer de cabeça e pescoço

Em um estudo feito com mais de 2 mil voluntários em cinco hospitais do Estado de São Paulo, o uso de metformina – um dos medicamentos antidiabéticos mais prescritos no mundo – foi associado a uma redução no risco de câncer de cabeça e pescoço.

A diminuição foi mais acentuada, em torno de 60%, entre os voluntários considerados de alto risco para a doença – aqueles que consumiam mais de 40 gramas de álcool por dia (o equivalente a três latas de cerveja) e mais de 40 maços de cigarro em um ano.

Os dados foram apresentados por Victor Wünsch Filho, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), no congresso “Next Frontiers to Cure Cancer“, organizado pelo A.C. Camargo Cancer Center.

“Estudos anteriores já haviam mostrado uma associação entre diabetes, uso de metformina e uma redução no risco de outros tipos de câncer, como pulmão, cólon e pâncreas. No caso dos tumores de cabeça e pescoço, porém, os dados existentes na literatura científica eram muito contraditórios. Por isso decidimos investigar melhor”, contou Wünsch.

O estudo do tipo caso-controle foi realizado durante o doutorado de Rejane Figueiredo, como parte do projeto Gencapo (Genoma do Câncer de Cabeça e Pescoço), que reúne cientistas de diversas instituições e é apoiado pela FAPESP.

Os resultados foram publicados na revista Oral Oncology.

Foram incluídos, ao todo, 1.021 portadores de câncer de cabeça e pescoço – um conjunto heterogêneo de tumores que afeta locais como a cavidade oral (lábios, língua, assoalho da boca ou palato), os seios da face, a faringe e a laringe – além das glândulas, vasos sanguíneos, músculos e nervos da região.

metformina Metformina: Uso foi associado a uma redução no risco da doença em estudo feito na Faculdade de Saúde Pública da USP com mais de 2 mil participantes (molécula da 1,1-dimetilbiguanida / imagem: Wikimedia)

Metformina: Uso foi associado a uma redução no risco da doença em estudo feito na Faculdade de Saúde Pública da USP com mais de 2 mil participantes (molécula da 1,1-dimetilbiguanida / imagem: Wikimedia) (Reprodução/Wikimedia Commons)

Mais prevalente nos países em desenvolvimento, representa o 9º tipo de câncer mais comum no mundo, com 700 mil novos casos anuais segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Tabaco e álcool são ainda considerados os principais fatores de risco, embora tenha crescido nos últimos anos o número de casos associados à infecção pelo papilomavírus humano (HPV), principalmente entre os pacientes mais jovens.

Na pesquisa, os portadores da doença foram divididos em cinco subgrupos: cavidade oral, orofaringe, hipofaringe, laringe e orofaringe/hipofaringe não especificado.

Já no grupo-controle, foram incluídos 1.063 participantes sem a doença – selecionado entre pessoas que visitavam pacientes internados no hospital ou que estavam no serviço de saúde para atendimento ambulatorial de problemas não relacionados ao câncer, como doenças de pele, trato urinário, fraturas ou questões oftalmológicas, por exemplo.

“Excluímos aqueles que tinham doenças associadas ao uso de álcool e tabaco e também os visitantes de pacientes com câncer de cabeça e pescoço, dada a grande probabilidade de eles estarem expostos aos mesmos fatores de risco dos doentes, o que poderia enviesar os resultados”, explicou o pesquisador.

Todos os participantes responderam a um questionário com dados sobre o perfil sociodemográfico, estilo de vida (consumo de cigarro e álcool, entre outros fatores) e condições de saúde (se eram portadores de diabetes, se faziam uso de metformina e se tinham histórico familiar de câncer, entre outros). Também foram coletadas amostras de sangue que, no presente estudo, foram usadas para fazer o teste hemoglobina glicada, um dos mais precisos para diagnosticar o diabetes.

“Cruzamos as informações dos questionários, dos prontuários médicos e dos testes de sangue para fazer as análises estatísticas e esse foi um dos diferenciais do estudo. Se tivéssemos considerado como diabéticos apenas aqueles que se apresentaram como tal o número seria muito menor”, contou Wünsch.

Os participantes com diabetes foram depois subdivididos entre os que faziam ou não uso de metformina. “Consideramos no grupo metformina somente os pacientes em que a informação sobre o uso do fármaco constava do prontuário médico. Ficaram de fora nesse quesito, portanto, os voluntários que estavam no hospital apenas como visitantes”, explicou.

Nas análises que consideraram o uso de metformina, foram incluídos 1.021 casos (pacientes com câncer de cabeça e pescoço) e 587 controles hospitalares.

Diabetes e consumo de álcool

Análises estatísticas mostraram que no grupo dos casos de câncer a porcentagem de fumantes (68,0%) e bebedores (53,6%) foi bem maior que no grupo-controle (16,3% e 43,5% respectivamente). Ao todo, 359 participantes foram confirmados como portadores de diabetes, sendo 150 (14,7%) entre os portadores de câncer e 209 (19,7%) entre os controles.

O diagnóstico de diabetes foi inversamente associado ao câncer de cabeça e pescoço tanto em homens quanto em mulheres e em todos os subtipos da doença considerados no estudo. Contudo, a redução do risco foi estatisticamente significativa apenas no sexo masculino (32% menor) e no câncer de faringe (57% menos risco).

Em geral, indivíduos com diabetes que usavam metformina apresentaram risco 46% menor de ter câncer de cabeça e pescoço quando comparados aos participantes sem diabetes. Entre indivíduos com diabetes que não usavam metformina não foi evidenciada estatisticamente uma diminuição do risco.

Entre os indivíduos com alto consumo de tabaco e álcool, os que eram portadores de diabetes e usavam metformina apresentavam 69% menos probabilidade de ter câncer que os indivíduos sem diabetes.

“Inicialmente pensamos em investigar apenas a associação entre o câncer de cabeça e pescoço e o diabetes. A ideia de incluir a metformina surgiu quando participei de um congresso sobre câncer e metabolismo, no qual pude perceber a importância do medicamento. De forma simples, ele ativa uma enzima chamada AMPK [proteína quinase ativada por AMP], que pode inibir a proliferação celular”, contou Figueiredo.

Os achados, avaliou a pesquisadora, apontam para a necessidade de estudos mais aprofundados sobre a ação da metformina no câncer de cabeça e pescoço.

“É preciso tentar entender melhor o mecanismo de proteção, o tempo de uso e a dosagem da droga por meio de estudos específicos. Somente assim poderemos avaliar se é viável usá-la na quimioprevenção da doença ou para prolongar a sobrevida dos pacientes com câncer”, disse.

Segundo Wünsch, até o momento, só foi possível avaliar o efeito da metformina associado ao diabetes, pois são os portadores dessa doença os principais usuários do medicamento.

“Mas já há evidências de que o fármaco tem um efeito protetor importante por si só, que precisa começar a ser estudado na profilaxia do câncer e também no tratamento. Trata-se de uma droga barata e com poucos efeitos colaterais, então pode ser muito interessante”, disse o pesquisador.

O artigo Diabetes mellitus, metformin and head and neck cancer (doi: https://doi.org/10.1016/j.oraloncology.2016.08.006), de Rejane Augusta de Oliveira Figueiredo, Elisabete Weiderpass, Eloiza Helena Tajara, Peter Ström, André Lopes Carvalho, Marcos Brasilino de Carvalho, Jossi Ledo Kanda, Raquel Ajub Moyses e Victor Wünsch-Filho, pode ser lido aqui.

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Alimentos que nos chegam ao prato não foram feitos para comer, diz a médica Cristina Sales

Por: Revista Prosa Verso e Arte


Cristina Sales – foto: Pedro Granadeiro, GI

E se o seu organismo não reconhecer aquilo que você come como um alimento? Defende-se, inflama-se, fica doente. É o que fazem muitos dos produtos que levamos à boca. Cristina Sales*, médica e especialista em alimentação, garante que na origem da maioria das doenças que afetam o homem do século XXI está o que comemos e o modo como o fazemos. É que os alimentos são veículos de comunicação: dizem às células como devem comportar-se.

Reproduzimos abaixo parte da entrevista da médica Cristina Sales, concedida à jornalista Célia Rosa | jornal português DN**.

Precisamos de mudar a forma como nos alimentamos?
É obrigatório que o façamos porque a alimentação que a população dos países ocidentais, incluindo Portugal, passou a fazer nos últimos cinquenta anos é o que está na origem da maior parte das doenças endócrinas, metabólicas, autoimunes, degenerativas e alérgicas. As novas epidemias devem-se sobretudo aos estilos de vida e à alimentação que fazemos desde o pós-guerra.

A alimentação é decisiva para a saúde e o bem-estar mas está a provocar doenças e a aumentar a mortalidade precoce?
A geração dos nossos filhos terá uma esperança de vida mais reduzida do que a nossa por causa dos estilos de vida e da alimentação. Primeiro, os produtos altamente processados pela indústria alimentar conduzem a uma desnutrição em nutrientes fundamentais e ingerimos uma grande quantidade de calorias vazias. Segundo, são muito diferentes dos alimentos originais e o organismo não sabe lidar com eles, não os reconhece como alimentos. Depois, há uma sobrecarga tóxica inerente à alimentação que provém dos agroquímicos (da produção), dos conservantes, corantes e adoçantes que são adicionados para preservar os produtos durante mais tempo e para os manter bonitinhos.

São alimentos para ver…
Os produtos que nos chegam ao prato foram feitos para vender e não para comer. Não têm nada que ver com os alimentos que ingerimos e que nos fizeram viver e sobreviver ao longo de milhões de anos. Esta mudança ocorreu tão depressa que o organismo não está adaptado para gerir, digerir e assimilar estes produtos, pelo contrário, vê-os como substâncias estranhas e reage, inflamando-se.

Como é que podemos livrar-nos dessa teia?
As escolhas alimentares são condicionadas pela publicidade, as pessoas não são ensinadas a escolher. Quem é que é ensinado a consumir maçãs ou laranjas? Ninguém. A informação que passa de forma subliminar através dos anúncios da TV e dos jornais é que se deve beber sumo de maçã e de laranja. Mas se alguém ler os rótulos das embalagens verifica que contém imenso açúcar, frutose, acidificantes, etc., e o que falta é a maçã e a laranja. É preciso informar, ensinar e consciencializar a população.

A atitude da indústria alimentar tem de mudar?
No global sim, mas também depende do que a indústria faz. A conservação de alimentos através da congelação, por exemplo, é perfeita. Os legumes congelados são uma ótima opção, por vezes mais económica, e chegam ao consumidor mais frescos e com mais nutrientes do que os que são mantidos durante cinco ou seis dias nas cadeias de distribuição. Já quando falamos de alimentos que têm de levar uma quantidade enorme de aditivos para serem consumidos – é o caso das carnes de muito má qualidade e dos aproveitamentos que se fazem dos restos dos mariscos – é diferente. Sempre que tivermos de dobrar a língua muitas vezes para conseguir ler o que está escrito nos rótulos é porque não é comida. Não compre. Será qualquer coisa que do ponto de vista nutricional, químico e metabólico está muito longe do alimento original.

Está a falar de alimentos que duram ad eternum?
Por exemplo. Como é que duram? Fizeram-se estudos com hambúrgueres e batatas fritas – uns feitos em casa, com carne picada, e batatas que foram descascadas, outros com produtos processados e embalados – e verificou-se que ao fim de trinta ou quarenta dias alguns hambúrgueres se mantinham iguaizinhos. Não se degradaram, ao contrário dos que foram feitos em casa, que estavam estragados três dias depois. Ora alguém acha que uma coisa daquelas pode ser comida?

Quando ingerimos produtos desse tipo como é que o organismo reage?
Defende-se e inflama-se ou agarra naquelas coisas que não considera importantes e arruma-as nos depósitos de lixo, que são as células gordas. Estas, além de serem o nosso reservatório de energia, são também o depósito de substâncias tóxicas que o organismo não metaboliza ou não utiliza para impedir que entrem nos circuitos mais nobres. Esta acumulação de lixo cria bloqueios bioquímicos e alterações metabólicas que impedem as células de trabalhar em condições. Hoje ninguém sabe que consequências é que isto tem para o cérebro e o sistema imunitário e para o bom trabalho hepático e digestivo. Os circuitos da toxicidade são cruzados – se uma pessoa come de vez em quando um gelado, um iogurte, umas bolachas ou um sumo que tem um determinado corante é uma coisa, mas se o faz com regularidade, ao fim de seis meses já ultrapassou as doses suportáveis e entra em sobrecarga tóxica.

E o que é que acontece?
Veja-se o ácido fosfórico, um aditivo que está presente em alimentos de consumo diário, como os cereais de pequeno-almoço e os refrigerantes. Quem ingere estes produtos todos os dias, além de ficar com o sistema acidificado e perder cálcio (uma compensação do organismo que depois predispõe à osteoporose), também fica numa excitação – o ácido fosfórico é um estimulante cerebral e é óbvio que uma criança que de manhã come um prato de cereais chega à escola e não para quieta. O ácido fosfórico altera o comportamento e em determinadas concentrações é neurotóxico.

Como é que os alimentos atuam no organismo?
Os alimentos servem para construir tecido, osso, órgãos, etc., e para nos darem energia, mas o que as ciências da nutrição têm vindo a mostrar é que os alimentos são essencialmente moduladores do comportamento celular – são informadores das células, dizem-lhes como devem funcionar. Imagine que tem um prato com uma determinada quantidade de proteínas (peixe ou carne) e outra de hidratos de carbono. Só a proporção entre a quantidade de carne e batatas ingeridas vai informar o organismo da necessidade de produzir uma hormona ou outra, neste caso insulina (que é a hormona do armazenamento) ou glucagon (a hormona do desarmazenamento).

Explique lá melhor…
Se comer mais proteínas do que hidratos de carbono vai produzir mais glucagon e induzir o metabolismo a ir buscar gordura acumulada para disponibilizar às células, ou seja, vai desarmazenar. Mas se comer mais arroz, massa ou batatas vai dar uma ordem em sentido contrário, vai dizer que é precisa mais insulina e vai acumular gordura.

Mas se as pessoas forem ativas podem queimar essa energia…
Isso é outra coisa, o que importa reter é que na proporção hidratos de carbono/proteínas a quantidade de açúcar que chega aos sensores do tubo digestivo aciona imediatamente uma ordem de libertação de glucagon ou de insulina. Se a indicação é libertar glucagon, o organismo vai usar a gordura acumulada, se a ordem for para libertar insulina, o organismo vai armazenar gordura. Isto é pura informação.

Quem quer perder peso tem de saber isso, certo?
Se a pessoa tiver consciência da informação que dá ao corpo tem muito mais capacidade para o modular. Outro exemplo. A leptina, a hormona que sinaliza o apetite, que depende sobretudo do ritmo solar. Ora, uma pessoa equilibrada, que durma de noite e trabalhe de dia, produz mais leptina de manhã (e tem apetite) e ao fim do dia produz menor quantidade (o apetite diminui). Se uma pessoa comer muito à noite estraga este equilíbrio e a certa altura está sempre com fome porque inutilizou os sensores da leptina. Nós somos mamíferos e de noite, quando dormimos, não precisamos de comer. O nosso corpo tem a sabedoria para sinalizar o apetite em função da hora do dia – comer muito à noite estraga essa sinalização, faz ter apetite a toda a hora.

A alimentação é bioquímica?
Os alimentos são veículos de comunicação. Se fizer uma refeição de gordura saturada – uma sopa com um chouriço e depois um cozido à portuguesa – dá um sinal à cárdia (esfíncter entre o estômago e o esófago) para alargar e é assim que ocorrer o refluxo gastroesofágico e aparece a azia. A gordura saturada é um sinal que se dá à cárdia para se manter aberta. Se no dia seguinte a mesma pessoa só comer azeite ou gorduras de peixe não terá azia. Sabe porquê? É que o azeite ajuda a fechar a cárdia. Este é outro exemplo que ilustra a importância do conhecimento. Pessoas mais esclarecidas fazem escolhas mais acertadas.

A forma como nos alimentamos dita o comportamento das células?
Quando ingeridas, as gorduras saturadas e as gorduras ómega 6 (provenientes essencialmente dos animais e dos cereais, sobretudo da soja) são a estrutura a partir da qual as células fazem substâncias pró-inflamatórias. As gorduras ómega 3 – provenientes das algas e dos peixes – são as que permitem que as células produzam substâncias anti-inflamatórias. Se uma pessoa tem uma doença inflamatória (por exemplo, uma alergia, artrite ou doença autoimune) e come muita gordura saturada, esta vai funcionar como substrato para a fogueira e agravar o processo inflamatório da doença que já tem. Ao contrário, se a pessoa ingerir gorduras ómega 3, vai ser capaz de construir extintores de incêndio para que as suas células produzam anti-inflamatórios.

Há outros exemplos?
Se uma pessoa tem tendência depressiva porque não consegue produzir serotonina em quantidade suficiente, deve comer os alimentos que têm os aminoácidos precursores da serotonina – a carne de peru, por exemplo, é extremamente rica em triptofano, que é um precursor da serotonina. Se a pessoa souber isto, no outono, quando o tempo fica mais escuro, porque é que não há de comer mais carne de peru em vez de carne de vaca?

A alimentação e o processo digestivo podem agravar ou controlar certas doenças?
Sim, se uma pessoa tem uma predisposição genética para a diabetes, Alzheimer, etc., a doença só vai manifestar-se se o gene for ativado. Mas o que as pessoas precisam de saber é que os genes também podem ser desativados – é a modulação genética através da nutrigenética. Como? O que ativa ou suprime a expressão dos genes é a presença de determinados fitoquímicos, substâncias que também se encontram nos alimentos.

Podemos dizer que há alimentos anti-inflamatórios?
Claramente. Os que têm ómega 3 – sardinha, cavala e os peixes das águas frias do Norte. Algumas substâncias vegetais dos legumes (tomate), frutos (quivi) e especiarias (a curcuma, que confere a cor amarela ao caril) também têm efeito modulador de alguns genes pró-inflamatórios. Mas alimentos anti-inflamatórios devem ser consumidos, independentemente de se ter doença ou não. Hoje sabe-se que um cérebro com Alzheimer já está inflamado vinte anos antes da manifestação da doença. Todas as doenças degenerativas começam com processos inflamatórias, as autoimunes também. Não conhecemos é as causas.

Há substâncias que devem mesmo ser eliminadas da alimentação?
Os aditivos químicos. Falo das substâncias químicas que não são alimentos, que são usadas pela indústria alimentar e podem ser geradoras de inflamação em contacto com o organismo. A vida corrente não nos permite evitar todos os aditivos, mas se estivermos despertos para esta realidade teremos mais atenção, faremos escolhas mais saudáveis e ingerimos menores quantidades.

E as gorduras?
As gorduras ómegas 6, que se encontram nas margarinas e nos óleos e que são provenientes da soja, do milho e do amendoim, são claramente pró-inflamatórias. Precisamos de ómega 6 no organismo, mas em quantidades muito reduzidas. O problema é que a cadeia alimentar atual é geradora de uma alimentação extraordinariamente rica em ómega 6 e pobre em ómega 3. Basta pensar que, dantes, as galinhas e as vacas comiam erva, agora comem rações provenientes da soja; os peixes comiam algas, agora comem rações também com soja. Os produtos alimentares que usamos são essencialmente da linha produtora de ómega 6.

Nos supermercados temos centenas de alimentos à escolha. Precisamos de tanta coisa?
Não precisamos de tantos produtos alimentares, necessitamos é de maior diversidade alimentar. Essas centenas ou milhares de produtos que vemos nas prateleiras são provenientes de quatro ou cinco alimentos – cereais, lácteos, açúcares e gorduras – e da indústria de processamento. Se olharmos para a quantidade de legumes, frutos, oleaginosas e peixe que as pessoas comem no dia a dia verificamos que não há variedade alimentar, as pessoas comem quase sempre o mesmo. Já pensou na variedade de saladas que é possível fazer? Mas se perguntar a alguém qual é a que come diz-lhe alface e tomate.

[…]

De que produtos podemos e devemos mesmo prescindir quando vamos às compras?
Devemos tirar os refrigerantes, cereais com açúcar, pastelaria, óleos e margarinas – para cozinhar devemos usar o azeite, só azeite. Todos os refrigerantes são um estrago de dinheiro – as pessoas devem beber água. Os cereais com açúcar (os de pequeno-almoço e as bolachas) também são prescindíveis – devemos escolher cereais completos, integrais, que até são mais baratos. Compare-se o preço de uma caixa de cereais de pequeno-almoço com o de um pacote de flocos de aveia, que são altamente nutritivos. A aveia é muito mais barata e muito nutritiva.

Mas comprar carne magra e peixe gordo, frutos e hortaliças é muito mais dispendioso…
Mas há estratégias que podem ser implementadas. Uma é comprar carne de melhor qualidade e comer menos quantidade e menos vezes. É preferível comer carne três vezes por semana em vez de comer carne gorda todos os dias. Além disso, toda a gente ganha se fizer uma alimentação vegetariana dois dias da semana e em vez da carne comer, por exemplo, arroz de feijão ou grão-de-bico com massa. Se se acrescentar hortaliças, ervas aromáticas e azeite, podemos dizer que são refeições perfeitas. Menos carne, mas de melhor qualidade; mais peixe (incluindo cavala e sardinhas, frescas ou em conserva de azeite) e ovos (podem ser consumidos três ou quatro por semana) são opções a privilegiar.

Não retira massa, arroz ou batatas ao seu carrinho de compras?
Não, mas reduzo as quantidades ingeridas. No prato devemos ter pequenas porções de massa, arroz ou batatas e maior quantidade de hortaliças, legumes e leguminosas.

Fala-se muito na responsabilidade social da indústria farmacêutica, que ganha dinheiro à custa do tratamento dos doentes. E quanto à responsabilidade social da indústria alimentar, que ganha dinheiro atirando-nos para a doença?
A indústria alimentar está a fazer maus alimentos, mas a verdade é que as pessoas só compram o que querem. Sei que quanto menor é a informação maior é a permeabilidade ao marketing, mas o caminho também se faz através da informação dos cidadãos e da sua responsabilização. Custa-me imenso ver nas caixas de supermercado que as pessoas aparentemente mais pobres também são as que levam os carrinhos repletos de produtos inúteis e nefastos para a sua saúde. É preciso repensar a política alimentar e inovar.

* QUEM É CRISTINA SALES E O QUE É A MEDICINA FUNCIONAL INTEGRATIVA?
A medicina que Cristina Sales exerce dá pelo nome de medicina funcional integrativa – reúne diferentes disciplinas, profissionais e recursos terapêuticos, é centrada na pessoa e procura entender onde estão os desequilíbrios que desencadeiam a doença. Para uns, trata-se de uma abordagem vanguardista, mais adaptada aos pacientes, ao tratamento e controlo das chamadas doenças da civilização. Para outros, a prática médica de Cristina Sales ainda gera alguma desconfiança. Quem não receia são os doentes que a procuram – sobretudo pessoas que vivem com doenças crônicas (alergias, enxaquecas, fadiga crônica, doenças inflamatórias, endócrinas, metabólicas e autoimunes) e que não encontraram resposta satisfatória para os problemas que as afetam. Uma consulta com a médica do Porto dura uma hora e não se marca de um dia para o outro. Porque os pacientes já são muitos e porque as palestras e conferências em que Cristina Sales é oradora convidada também são frequentes.

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Como o Médico diferencia um Tumor Primário do Metastático

Por: Oncoguia

Para determinar se um tumor é primário ou metastático, um patologista, médico especializado na interpretação de exames laboratoriais, análise e avaliação de células, examina uma amostra do tumor. Em geral, as células cancerígenas se parecem com as células do tecido onde o tumor se iniciou. O patologista, por meio de exames de diagnóstico específicos, é capaz de determinar a origem das células cancerígenas. Os marcadores ou os antígenos encontrados nas células cancerígenas podem indicar o local do tumor primário. A técnica mais comum através da qual o patologista identifica a origem das células é a imunohistoquímica. Mais recentemente, análises sofisticadas de determinados genes estão ajudando a identificar o tecido de origem das células malignas.

Os tumores metastáticos podem ser diagnosticados ao mesmo tempo que o tumor primário, ou meses ou até anos mais tarde. Em raros casos, descobre-se a metástase antes mesmo de se identificar um tumor na mama. Quando um novo tumor é encontrado em um paciente já tratado anteriormente para um câncer, muitas vezes é uma metástase do tumor primário que demorou anos para crescer e se manifestar.

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Câncer raro

Por: http://www.acbgbrasil.org/

Trata-se de um compilado sobre os cânceres raros de cabeça e pescoço, para maior esclarecimento sobre as doenças, seus principais sintomas e o tratamento.

De acordo com o oncologista clínico Otávio Clark, presidente e diretor da Evidências – Credibilidade Científica, “(…) os tumores raros são assim chamados por serem de baixa incidência, originários em locais incomuns ou em locais comuns, mas de tipos celulares raros. Por exemplo, a glândula pineal, também conhecida como hipófise, que fica bem no meio do cérebro, pode, muito raramente, originar um tumor de tipo celular germinativo. Como é incomum, o tumor pode receber a denominação de câncer raro.”

Falando do tratamento, especificamente, salientamos a importância do paciente ser atendido por uma equipe multidisciplinar, composta pelo cirurgião de cabeça e pescoço, profissional de fonoaudiologia, fisioterapia, nutrição, endocrinologista, neurologista, cirurgião buco-maxilo, protesista, entre outros, a depender da região de localização do tumor.

Nesse sentido, vamos abordar algumas espécies de tumores raros, conforme abaixo.

Referência:

Oncoguia – acesso em 25/02/2018, às 20:36

CÂNCER DE NASOFARINGE

O que é e onde é

Trata-se de um tipo de câncer raro, que atinge a região de parte da garganta (faringe), englobando a parte de trás do nariz e da boca, conforme se pode observar na figura abaixo:

Sinais e Sintomas

Cerca de 75% dos pacientes com câncer de nasofaringe se queixam de um nódulo ou massa no pescoço. Isto é causado pela disseminação da doença para os gânglios linfáticos da região, que aumenta o seu tamanho. Outros sintomas possíveis do carcinoma de nasofaringe incluem:

  • Sensação constante de ouvido tampado, zumbido no ouvido ou perda de audição;
  • Infecções de ouvido que não melhoram;
  • Obstrução nasal;
  • Hemorragia nasal;
  • Dor de cabeça;
  • Dor facial ou dormência;
  • Dificuldade para abrir a boca;
  • Visão embaçada ou dupla.

Estes são os possíveis sinais e sintomas do câncer de nasofaringe, mas que são mais frequentemente causados por outras doenças. No entanto, se você tiver qualquer um desses sintomas é importante consultar um médico para que a causa seja diagnosticada e, se necessário, iniciado o tratamento.

Tratamento

Após o diagnóstico e estadiamento da doença, o médico discutirá com a paciente as opções de tratamento. Dependendo do estágio da enfermidade e outros fatores, as principais opções de tratamento para pessoas com câncer de nasofaringe podem incluir a cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapia alvo. Em muitos casos, mais do que um desses tratamentos ou uma combinação deles podem ser utilizados.

Em função das opções de tratamento definidas para cada paciente, a equipe médica deverá ser formada por especialistas, como cirurgião, oncologista, radioterapeuta e otorrinolaringologista. Mas, muitos outros poderão estar envolvidos durante o tratamento, como, enfermeiros, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos e outros profissionais de saúde.

A escolha do tratamento dependerá muito do estadiamento da doença no momento do diagnóstico, além de outros fatores como idade da paciente, estado geral de saúde, circunstâncias individuais e preferências da paciente. É importante que todas as opções de tratamento sejam discutidas com o médico, bem como seus possíveis efeitos colaterais, para ajudar a tomar a decisão que melhor se adapte às necessidades de cada paciente.

Referências:

Oncoguia – acesso em 22/02/2018, as 15:19.

ADENÓIDE CÍSTICO

O que é

O carcinoma adenóide cístico, outro câncer raro, é uma neoplasia maligna rara de crescimento lento, caracterizando prognóstico reservado, devido a sua agressividade e grande potencial recidivante. A lesão é mais prevalente em pacientes na faixa etária entre 50 e 70 anos, sendo incomum em jovens.

Sinais e Sintomas

Os principais sintomas de Adenóide Cístico são:

  • lesões (angustiante e indolor);
  • assalto de células nervosas;
  • alterações sensoriais;
  • paralisia;
  • dor muscular;
  • problemas de respiração;
  • mudanças na voz.

Tratamento

Alguns destes tipos de câncer podem ser tratados com cirurgia, desde que todo o tumor possa ser removido. Isto seria seguido, possivelmente, por radioterapia e quimioterapia.

Mas, na maioria das vezes, a radioterapia é realizada como tratamento principal para tentar reduzir o tamanho do tumor, aliviar a dor, sangramento ou outros sintomas provocados pela doença. Isto pode ser combinado com a quimioterapia. Se a doença se disseminou para outros órgãos, a químio pode reduzir ou retardar o crescimento do tumor por um determinado tempo e ajudar a aliviar os sintomas.

Como estes tipos de cânceres são difíceis de serem tratados, uma opção seria participar de um estudo clínico com novos medicamentos.

Referências:

PUC/RS – acesso em 22/02/2018, às 15:32.

Oncoguia – acesso em 22/02/2018, às 15:46.

MUCOEPIDERMÓIDE

O que é

O Carcinoma Mucoepidermóide (CME) é a neoplasia de glândula salivar mais comum, acredita-se que essa doença tenha origem a partir do ducto excretor das glândulas salivares. A lesão é formada por células mucosas (contendo glicoproteínas e mucina) e células epidermóides (contendo filamentos de ceratina).

O CME pode acometer indivíduos de todas as idades, sendo mais prevalente entre a terceira e quinta décadas de vida. Não existe predileção por gênero e apesar de são ser uma doença frequente em crianças, é a neoplasia maligna de glândula salivar mais comum na infância.

Sinais e Sintomas

O CME manifesta-se de forma assintomática, com aumento volumétrico do palato, com características algumas vezes flutuantes, com coloração azul ou avermelhada, o que pode ser confundido clinicamente com mucocele.

Tratamento

Os tumores de glândula parótida em estágio inicial podem ser tratados a partir da remoção parcial da glândula com preservação do nervo facial. Tumores maiores são removidos com a parótida em sua totalidade juntamente com o nervo facial.

Em glândulas salivares menores, as lesões são removidas através da excisão cirúrgica com margem de segurança.

A radioterapia pós-cirúrgica está indicada em lesões mais agressivas. Os tumores de glândula submandibular apresentam um pior prognóstico. Os mucoepidermóides intraósseos, na sua grande maioria, são representados por tumores de baixo grau, sendo tratados por ressecção cirúrgica. Manobras mais conservadoras como a curetagem está muito relacionada com os casos de recidiva.

Referências:

BrownMed – acesso em 22/02/2018, às 15:40.

Estomatologia Online – acesso em 22/02/2018, às 15:51.

Combate ao Câncer – acesso em 22/02/2018, às 15:53.

Estomatologia Online – acesso em 22/02/2018, às 15:55

CARCINOMA INDIFERENCIADO OU ANAPLÁSICO SINONASAL (SNUC)

O que é

São tumores incomuns, altamente agressivos, difíceis de diagnosticar. São de curso rápido, muitos pacientes apresentando-se já com sinais e sintomas locais de doença avançada. O diagnóstico diferencial com outros tumores indiferenciados da região é muito difícil. É importante procurar e excluir mesmo evidências leves de diferenciação em sentido escamoso ou glandular.

Prognóstico. SNUCs têm prognóstico muito ruim, com sobrevida mediana de 4 meses a 1 ano, e sobrevida de 5 anos da ordem de 15%. Raramente são ressecáveis devido ao estágio já avançado quando da apresentação. Usa-se combinação de radio- e quimioterapia. Envolvimento primário dos seios paranasais é pior que origem nasal. Propagação à órbita ou linfonodos cervicais é ainda mais sombria.

Sinais e Sintomas

Os possíveis sintomas incluem:

  • Congestão nasal que não melhora com o tempo.
  • Dor acima ou abaixo dos olhos.
  • Bloqueio de um dos lados do nariz.
  • Gotejamento nasal na parte posterior do nariz e da garganta.
  • Hemorragia nasal.
  • Secreção purulenta pelo nariz.
  • Diminuição do sentido do olfato.
  • Dormência ou dor em partes do rosto.
  • Desprendimento ou dormência dos dentes.
  • Crescimento de uma massa no rosto, no nariz ou na língua.
  • Olhos lacrimejantes.
  • Abaulamento de um olho.
  • Perda ou alteração da visão.
  • Dor ou pressão nas orelhas.
  • Dificuldade para abrir a boca.
  • Linfonodos do pescoço (ínguas) aumentados.

Ter um ou mais destes sintomas não significa ter câncer de cavidade nasal ou seios paranasais. Na verdade, muitos destes sintomas são causados ​​por outras condições clínicas. Ainda assim, se você tem qualquer um desses sintomas, é importante consultar um médico para que a causa possa ser diagnosticas e se necessário, iniciado o tratamento.

Tratamento

O principal tratamento é a radioterapia, apesar de ser uma região de difícil acesso e que requer muitos cuidados. A quimioterapia pode ser associada à radioterapia, com diminuição das metástases, mas não tem ação no controle local ou na sobrevida.

Referências:

ANATPAT Unicamp – acesso em 24/02/2018, as 10:15.

CENAPRO – acesso em 24/02/2018, às 10:36.

FORL – acesso em 24/02/2018

O que é

O estesioneuroblastoma é um tumor maligno raro originado das células do epitélio olfativo e freqüentemente é confundido com outras neoplasias da cavidade nasal. Devido à raridade desses tumores, há controvérsia quanto ao diagnóstico e tratamento da doença.

Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas são comumente confundidos com outras patologias na região, como por exemplo obstrução nasal, dor facial e hemorragia nasal.

Tratamento

A depender do estadio e localização do tumor, sendo realizadas abordagens com radioterapia, cirurgia e quimioterapia isoladas ou combinadas entre si.

Referências:

SBCP – acesso em 24/02/2018, às 10:58

MELANOMA DE CONJUNTIVA E MUCOSA DE CABEÇA E PESCOÇO

O que é

O melanoma de mucosa oral (MMO) é uma neoplasia de baixa prevalência, representando cerca de 0,5% de todos os tumores malignos orais. Caracteriza-se pela proliferação atípica de melanócitos, com crescimento vertical agressivo e possível surgimento de lesões-satélites.

Sinais e Sintomas

Os sintomas mais comuns são sangramento, dor local e amolecimento dentário; podendo, entretanto, ser assintomático.

Tratamento

A conduta médica dependerá do estadio e localização do tumor, podendo ser feito por meio de cirurgia, radioterapia e quimioterapia, isoladas ou combinadas.

Referências:

INCA – acesso em 24/02/2018, às 14:15

SARCOMA DE PARTES MOLES

O que é

Os sarcomas de partes moles são tumores malignos que têm origem em tecidos como os músculos e gordura. A grande maioria cresce e se desenvolve nos membros, porém podem acometer qualquer parte do corpo, desde cabeça e pescoço até tronco e órgãos internos.

Sinais e Sintomas

Quando esses tumores crescem nos membros a pessoa nota o crescimento progressivo no volume do membro ou de parte dele. Geralmente são indolores até atingir grandes tamanhos e provocar acometimento sensitivo ou motor. Como geralmente crescem de forma muito lenta, na maioria das vezes, o paciente demora para procurar ajuda médica.

Tratamento

O tratamento é baseado no tripé CIRURGIA, RADIOTERAPIA E QUIMIOTERAPIA, a depender de cada caso. Em geral consiste na ressecção do tumor com margens de segurança. A radioterapia atua de forma a reduzir a chance de reincidência da doença. Já a quimioterapia é geralmente utilizada para casos de doença metastática (espalhada em outros órgãos).

Referências:

Hospital de Amor – acesso em 24/02/2018, às 14:37.

OSTEOSSARCOMA

O que é

O Osteossarcoma é uma neoplasia maligna agressiva, de origem mesenquimal, caracterizada por formação de osso irregular imaturo, produção de matriz osteoide e células fusiformes estromais malignas. É o tumor maligno primário mais comum do osso, responsável por aproximadamente 20% dos sarcomas, sendo que 5% destes ocorrem nos maxilares.

Sinais e Sintomas

Os sintomas mais frequentes são o aumento de volume local, dor intensa e limitação funcional.

Tratamento

O tratamento atual do osteossarcoma consiste em ressecção cirúrgica e quimioterapia complementar.

Referências:

Revista Cirurgia BMF – acesso em 24/02/2018, às 14:53.

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Batons e Desodorantes – O que você não sabia.

Por: www.curapelanatureza.com.br

O mercado de produtos para maquiagem lucra bilhões de dólares todos os anos.

O mundo dos cosméticos só faz crescer em variedade de produtos.

Especialistas dizem que, nos próximos  cinco anos, o mercado global de beleza subirá numa taxa de cerca de 4% anualmente.

Não precisamos dessas informações para saber que a indústria da estética é uma grande potência – somos testemunhas disso.

Revistas, vídeos no YouTube, programas de televisão e muitos blogs têm como função divulgar os produtos da moda para que seus seguidores consumam.

A maquiagem não serve apenas para disfarçar algumas falhas do rosto, mas também é usada para realçar o que você deseja.

Até aqui, não há nada de errado.

O problema aparece quando a pessoa cria dependência.

Um estudo realizado pela Renfrew Center Foudation revelou que 44% das mulheres se sentem feias sem maquiagem.

Ou seja, para garantir autoestima, é preciso investir tempo e dinheiro em cosméticos.

Isso não é só ruim para a saúde psicológica, como física também.

Por possuírem grande quantidade de substâncias químicas que penetram as camadas mais profundas da nossa pele até chegar na corrente sanguínea, os cosméticos podem:

– Intoxicar o corpo com metais tóxicos

Pesquisa publicada no Journal of Archaeological revelou que muitas crianças foram intoxicadas com metais pesados numa quantidade 12 vezes maior do que o limite de segurança.

Segundo os pesquisadores, a causa estava no uso do pó facial, que contaminava as mães e os bebês através da amamentação.

Em 1991, um estudo mostrou que os lápis de olho tinham muito chumbo.

Infelizmente, mais de vinte anos depois, as coisas só fizeram piorar.

Metade dos cosméticos contém produtos químicos nocivos e proibidos, segundo o Breast Cancer Fund, dos EUA.

– Prejudicar a pele

Algumas pessoas passam a maquiagem para disfarçar espinhas e acnes.

Além de ser apenas um paliativo, prejudica ainda mais o tecido, pois obstrui os poros.

Alguns das substâncias químicas mais nocivas presentes nestes produtos são:

1. Cádmio

Metal pesado que, segundo estudos,  causa insuficiência renal, doença óssea e ate câncer.

Os pesquisadores acreditam que o cádmio se torna tóxico em níveis bem abaixo dos limites estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde.

Em um teste realizado com produtos de marcas famosas, o resultado é que a maioria delas tem cádmio.

2. Tolueno

Este é um diluente de tinta que pode danificar o sistema nervoso e levar a distúrbios neurológicos, como a demência.

O tolueno é encontrado em vários produtos para unhas e também em alguns corantes capilares.

3. Benzofenonas

São usadas em produtos que protegem contra os raios ultravioleta.

Um artigo publicado na revista Dermatitis, nos EUA, afirma que as benzofenonas podem causar reações alérgicas, como erupções cutâneas e até mesmo choque anafilático.

As benzofenonas são encontradas também em perfumes, xampus, condicionadores, spray de cabelo e outros produtos.

4. Chumbo

É um metal pesado presente em um grande número de produtos de maquiagem, especialmente aqueles com mais pigmento, como sombra, batom e delineador.

O chumbo é altamente tóxico quando entra na corrente sanguínea, pode  causar distúrbios neurológicos, além de infertilidade e câncer.

Desodorantes e alumínio

Por:  Portal UNICAMP

Seu uso é diário e poucos se aventuram a não utilizar o antitranspirante num país tropical como o Brasil. Mas recentemente esse recurso tem sido, talvez precipitadamente, associado ao aparecimento do câncer de mama. Existe a hipótese de que o efeito do alumínio em células humanas possa ter implicações na sua origem. O alumínio não é um componente fisiológico da mama, mas foi medido há pouco no tecido mamário humano com níveis superiores aos encontrados no sangue. Alguns estudos demonstraram a absorção do alumínio em aplicação tópica através dos sais de alumínio (cloridrato de alumínio, cloreto de alumínio ou complexos de alumínio-zircônio) contido nos antitranspirantes, os quais, comprovadamente, apresentam efeitos tóxicos ao organismo humano em determinadas quantidades e cumulativamente. Apesar disso, as pesquisas ainda não são conclusivas e muito menos consensuais. Mas a abordagem sobre a absorção de sais de alumínio deve continuar sendo investigada e na mira dos pesquisadores da área. Para esclarecer algumas questões sobre o uso do antitranspirante, foram convidadas a abordar o tema as dermatologistas da Unicamp Renata Magalhães, docente da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), e Luiza Pitassi, responsável pela área de Cosmiatria. Leia a entrevista a seguir.

Portal Unicamp – Qual é a diferença entre os desodorantes e os antitranspirantes hoje vistos no mercado?
Renata – Os desodorantes são substâncias utilizadas para combater ou disfarçar o odor que acompanha as áreas de maior sudorese. Antitranspirantes são os produtos que tentam diminuir a quantidade do suor inibindo a produção ou dificultando a eliminação pelas glândulas sudoríparas.
Luiza – O desodorante possui substâncias químicas antissépticas que matam temporariamente as bactérias, como álcool ou triclosan, que são capazes de inibir o crescimento das bactérias na pele, mascarando o odor desagradável. Os antitranspirantes, além de antissépticos, possuem complexos de alumínio na composição e funcionam como inibidores da transpiração. A maioria dos antitranspirantes tem também ação desodorante, mas a maioria dos desodorantes não age como os antitranspirantes.

Portal Unicamp – O uso desses produtos tem uma faixa etária mínima?
Renata – Não se fala de uma faixa etária mínima, mas são recomendados pela época da adolescência, quando começam a aparecer os pelos, mudança do odor do suor nas axilas e diante da real necessidade. Há produtos adequados para a pele das crianças com menos risco de causar alergias. Mas até mesmo os desodorizantes sem perfume e álcool contêm substâncias químicas que podem causar irritações na pele delas.
Luiza – A Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina que o uso de antitranspirantes e produtos no formato em aerossol não seja liberado para o público infantil antes dos 12 anos. A partir desta faixa etária, estes produtos podem ser utilizados, e o fabricante deve garantir que ele tenha sido dermatologicamente testado e, portanto, seja seguro para esse público. Além disso, somente na adolescência as glândulas sudoríparas apócrinas começam a funcionar, sendo estas as responsáveis pelo suor.

Portal Unicamp – O desodorante pode ser aspergido em outras partes do corpo?
Renata – Sim, desde que não cause irritação. Devem ser evitadas as regiões da face e o contato com os olhos e com a boca.
Luiza – O alumínio pode adentrar o organismo humano por inalação, ingestão ou atravessando a pele. Nesse último caso, a pele oferece grande proteção contra fatores externos, desde que esteja íntegra. O uso da lâmina para a depilação da axila pode produzir pequenos cortes ou abrasões, que se tornam vias de entrada para substâncias externas, como os compostos contendo alumínio. Um estudo recente demonstrou que ocorre absorção de alumínio, contido em compostos como o cloridrato de alumínio, mesmo pela pele íntegra, em pequena proporção na aplicação de dose única, mas o uso contínuo e prolongado de substâncias desse tipo pode levar ao acúmulo de elementos como o alumínio nos tecidos humanos.

Portal Unicamp – As pessoas podem passar o desodorante várias vezes por dia?
Renata – Sim, pode ser usado mais de uma vez ao dia, desde que não cause irritação local, pelo uso repetido. É sempre importante ter bom senso na aplicação dos produtos.
Luiza – O recomendado é aplicar o desodorante no início do dia, mas ele pode ser reaplicado antes de fazer exercícios. Recomenda-se daí o uso do desodorante antitranspirante de longa proteção.

Portal Unicamp – Qual a recomendação da Anvisa, sendo que todos os produtos referidos como antitranspirantes são classificados como de grau de risco 2?
Renata – Os produtos de risco II compreendem os saneantes domissanitários e afins que sejam cáusticos, corrosivos, os produtos cujo valor de pH seja igual ou menor que 2 e igual ou maior que 11,5, aqueles com atividade antimicrobiana (os desinfetantes e os produtos biológicos à base de microorganismos). Os produtos classificados como risco II devem atender ao disposto em legislações específicas. Significa que são produtos passíveis de registro junto à Anvisa.
Luiza – As pesquisas sobre este tema ainda são inconclusivas e não há conformidade entre os pesquisadores. Alguns estudos no momento demonstram que o alumínio contido nos antitranspirantes fica depositado no tecido mamário, mas também existem evidências de que os ativos presentes em formulações de antitranspirantes ou desodorantes não são os responsáveis pelo surgimento do câncer de mama. Portanto não existe embasamento científico para isso. A Anvisa, por meio da Gerência Geral de Cosméticos, constituiu uma subcomissão de trabalho e concluiu que, até o presente, não foram apresentados dados capazes de inferir a relação dos sais de alumínio e a incidência de câncer de mama, embora a abordagem sobre a absorção de sais de alumínio deva continuar na mira dos pesquisadores da área.

Portal Unicamp – No passado, as pessoas usavam minâncora nas axilas. Essa receitinha ainda está valendo? E o leite de rosas?
Renata – Estas práticas fazem parte do conhecimento popular. Não têm embasamento científico, mas podem ajudar algumas pessoas graças ao efeito secativo, refrescante e que disfarça o odor local.
Luiza – A minâncora tem como ativos o óxido de zinco, o cloreto de benzalcônio e a cânfora, sendo um medicamento antisséptico (ajuda a inibir a proliferação de microorganismos presentes na superfície da pele), adstringente (contrai os tecidos da pele, reduzindo as secreções) e cicatrizante. Hoje a mesma empresa que o fabrica lançou a linha de desodorantes e antitranspirantes contendo como um dos componentes o cloridróxido de alumínio, além de outros ativos na formulação. O leite de rosas também possui os princípios ativos que são o óxido de zinco e o cloreto de benzalcônio em sua formulação, além de outras substâncias antissépticas e álcool. Outro produto antigo receitado pelas avós é o leite de magnésia, que é uma mistura de hidróxido de magnésio com água, capaz de neutralizar os ácidos carboxílicos que compõem o suor e, com isso, evitar o mau cheiro das axilas.

Portal Unicamp – O que usar com o calor inesperado: só água e sabão?  
Renata – A sudorese é um fenômeno fisiológico necessário para o organismo, no controle da temperatura e na excreção de certas substâncias. Com variações de temperatura ambiente é esperado que o corpo tenha sudorese em maior ou menor quantidade. Isso é difícil de evitar. Mesmo usando antitranspirante, o organismo ainda consegue achar meios de manter suas funções fisiológicas. Se existe um incômodo pelo calor, ao qual não estamos acostumados, é recomendado o óbvio: evitar lugares quentes ou a exposição solar, usar ventiladores ou ar-condicionado nos ambientes fechados, roupas leves e frescas, preferencialmente claras, que reflitam o calor. Para o banho, é recomendado a água mais morna ou fria e a aplicação de um produto de higiene de preferência da pessoa. Quando o problema é o mau odor das axilas ou do pé, associado à sudorese, a questão é outra. O odor da área que transpira mais fica desagradável devido à produção de substâncias a partir destas excretas por bactérias, que são do habitat natural desta região. Então, diminuindo a população bacteriana que ali se proliferou, pode-se melhorar o odor. Assim, sabonete antisséptico e uso de antibióticos tópicos podem ajudar a melhorar o odor desagradável.
Luiza – No verão, manter as axilas depiladas ajuda a evaporar o suor e a diminuir o odor causado pelas bactérias, cuja proliferação é favorecida pela umidade retida nos pelos. Durante o banho, é importante usar um sabonete antisséptico nas axilas. Preferir usar um desodorante/antitranspirante de marca neutra e hipoalergênico para evitar as alergias, pois o processo inflamatório causado na reação alérgica agrava a sudorese. É importante também evitar o uso dos desodorantes antitranspirantes, pois estes fazem a obstrução dos ductos das glândulas sudoríparas. Uma dica no verão é fazer compressas com chá preto, pois ajuda a diminuir o suor, devido à presença de ácido tânico – uma substância que desacelera a produção da glândula sudorípara. Existe a opção de usar os desodorantes manipulados, que são prescritos por dermatologistas e que na sua formulação possuem substâncias que não agridem o corpo.

Portal Unicamp – Como lidar com o suor excessivo?
Renata – A hiperidrose é uma situação em que a pessoa sua excessivamente na cabeça, nas mãos, nos pés, nas axilas ou mesmo no corpo todo, independentemente da temperatura ambiente, principalmente associado ao estresse. Nestes casos, algumas doenças associadas são investigadas, como obesidade, distúrbios hormonais ou emocionais, infecções, neoplasias, etc., ao passo que, nas situações sem causa definida, que são muito comuns, mesmo na infância, há opções de tratamento com substâncias manipuladas à base de cloridróxido de alumínio, toxina botulínica e até medicação oral anticolinérgica.
Luiza – Algumas pessoas possuem um quadro conhecido como hiperidrose localizada, um quadro de excesso de transpiração (em especial nas axilas) que incomoda bastante e que também pode decorrer de situações de ansiedade e nervosismo, quando o sistema nervoso estimula as glândulas sudoríparas écrinas. A hiperidrose incomoda até nos dias frios, mas é no calor que o desconforto piora. Ambientes ventilados, roupas claras (que não retêm o calor) e fabricadas com tecidos leves, que absorvem o suor, podem reduzir o desconforto. Para casos mais graves de suor excessivo, a aplicação da toxina botulínica pode ser indicada, pois bloqueia a transmissão nervosa das glândulas sudoríporas, desaparecendo o suor por aproximadamente seis a oito meses. Daí a necessidade de se procurar um especialista para investigar a origem do problema.

Portal Unicamp – Como os desodorantes mancham as roupas, eles também podem manchar a pele? 
Renata – Manchas na pele podem ocorrer se há irritação primária ou alergia ao produto, o que leva à vermelhidão e outros sinais inflamatórios locais, e podem causar uma pigmentação pós-inflamatória. Eventualmente, algum produto com corantes ou outra substância química pode impregnar a pele e gerar manchas indesejáveis. Ao utilizar um antitranspirante, procure lavar a roupa o mais rápido possível, evitando que, ao guardar a roupa, o produto tenha oportunidade de penetrar nas fibras e secar demais, o que dificulta posterior remoção. Ao utilizar o produto, devem-se seguir as seguintes recomendações: secar bem as axilas, espalhar o produto uniformemente, evitar o uso de uma quantidade excessiva, esperar as axilas secarem antes de se vestir e nunca aplicar o produto diretamente na roupa. Para minimizar as manchas deixadas nas roupas, recomenda-se ainda utilizar produtos antitranspirantes específicos, que evitam o processo de manchamento, como o desodorante antitranspirante Rexona Women Crystal Aerosol ou o desodorante antitranspirante Rexona Men Invisible Aerosol.
Luiza – As manchas nas roupas são provocadas pelos sais de alumínio presentes na fórmula que podem se acumular nos tecidos e causar manchas. Algumas condições podem favorecer o aparecimento de manchas na pele, principalmente na área das axilas. Quando a pele é agredida, pode haver aumento na produção de melanina, provocando escurecimento. Em algumas mulheres, é comum surgirem manchas na pele após a depilação das axilas, pelo trauma provocado pela lâmina de barbear ou pelo uso de cremes depilatórios que causam a irritação da pele. Outro fator conhecido é a presença do álcool no desodorante, que provoca o ressecamento da pele, favorecendo o surgimento de um quadro conhecido como hipercromia pós-inflamatória. Alguns desodorantes podem causar irritação, vermelhidão, inchaço (edema), sensação de ardor, prurido (coceira), vesículas e, em casos mais graves, até bolhas no local de aplicação. Isso porque estes permanecem em contato com a pele por um longo período, favorecendo as reações alérgicas e também a sensibilização, que são causadas pelas numerosas substâncias químicas presentes nos produtos.

Portal Unicamp – Quais devem ser os cuidados ao escolher o desodorante ou outros produtos?
Renata – Se a pele é saudável e sem alergias conhecidas, a pessoa pode escolher o produto da sua preferência, tendo atenção ao prazo de validade. Deve ler as instruções de uso e a composição. Se a pele é sensível, é recomendado evitar produtos alcoólicos, detergentes, e procurar produtos em veículos mais cremosos e hipoalergênicos.
Luiza – Para ter certeza da qualidade e segurança do produto, a primeira providência a ser tomada é procurar na embalagem o número de registro da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que é a responsável pelo registro de produtos. Alguns produtos são dermatologicamente testados ou hipoalergênicos; isto significa que foram testados sob o controle de médicos dermatologistas, o que reduz o risco de surgimento de alergia. Quando o produto não é registrado, sua composição não foi avaliada. Ele pode reunir substâncias proibidas ou de uso restrito, em condições e concentrações inadequadas ou não permitidas, o que pode acarretar sérios riscos à saúde. As pessoas que recebem o diagnóstico de dermatite de contato alérgica a alguma substância presente na formulação de desodorantes devem ficar atentas sobre a importância da leitura dos rótulos do produto, para que se evite o uso daqueles que contenham a substância que apresenta o risco de desencadear a alergia. Em caso de dúvida, consultar um dermatologista, especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. Se o consumidor encontrar irregularidades, poderá entrar em contato com a Vigilância Sanitária ou com a Anvisa.

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Caquexia é a causa de morte de muitos pacientes com câncer

Por: Paula Weidlich – http://www.tribunapr.com.br

Trata-se do emagrecimento profundo no paciente causado pela doença

Câncer é o conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células, que invadem tecidos e órgãos. Estas células, bastante agressivas, dividem-se rapidamente e formam tumores malignos, que podem se instalar e se espalhar para várias regiões do corpo.

Mas o que muita gente desconhece é que parte das mortes em consequência do câncer não são causadas diretamente pelos tumores e, sim, por um desdobramento desta temida doença: a caquexia, o emagrecimento profundo do paciente provocado pelo câncer. De acordo com pesquisas da divisão nutricional da farmacêutica Abbott Brasil, um em cada cinco pacientes morre devido à caquexia. O mesmo estudo ainda revela que a perda de peso induzida pelo câncer é evidente em até 87% dos pacientes, dependendo do tipo de tumor.

 Sobre a pouco conhecida síndrome da anorexia-caquexia (SAC), o médico oncologista do Departamento de Oncologia Clínica do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP) Luciano Biela esclarece que ela é uma complicação frequente no paciente com neoplasia maligna em estado avançado. Segundo ele, a caquexia caracteriza-se por um intenso consumo dos tecidos muscular e adiposo, com consequente perda involuntária de peso, além de anemia, astenia (fraqueza), fadiga e perda de performance clínica.

De causas multifatoriais, a caquexia neoplásica quase sempre está ligada à condição avançada da doença em sua fase terminal. “Estima-se que cerca de 66% dos pacientes em fase terminal evolua para caquexia neoplásica. A SAC pode ser provocada pelo aumento do consumo energético pelo tumor, pela liberação de fatores que agem no centro da saciedade, diminuindo o consumo alimentar, e pelas citocinas produzidas pelo hospedeiro e pelo tumor, que levam às anormalidades metabólicas características da síndrome”, explica.

E a caquexia pode ser classificada como primária ou secundária. A primária está relacionada às consequências metabólicas da presença do tumor, associada a alterações inflamatórias. “Ela resulta em consumo progressivo, frequente e irreversível de proteína visceral, musculatura esquelética e tecido adiposo”. E a secundária é resultante da diminuição na ingestão e absorção de nutrientes por obstruções tumorais do trato gastrointestinal, anorexia por efeito do tratamento e ressecções intestinais maciças. De acordo com o oncologista, as duas condições podem aparecer em um mesmo indivíduo.

O médico ainda ressalva que nem todo o paciente desenvolve a caquexia, sendo ela mais frequente em idosos, crianças e em pessoas os tumores gastrointestinais, tumores de vias biliares e de cabeça e pescoço. Para amenizar a doença, Biela lembra que o acompanhamento de nutricionistas é fundamental. “O tratamento da SAC é multifatorial, envolvendo o uso de medicamentos estimulantes de apetites, reposição nutricional com suplementos, reposição hormonal e acompanhamento psicológico”.

 Acompanhamento nutricional

A nutricionista Regina Vilela explica que o paciente com câncer precisa de uma avaliação criteriosa e um atendimento nutricional especializado. Assim, é possível definir a dieta que pode auxiliar na resposta imunológica do paciente e também na preservação da musculatura. “O nutricionista sempre observa todos os aspectos dos pacientes: idade, sexo, composição corporal, metabolismo da doença, alterações gastrointestinais, presença de outras doenças que exigem cuidado nutricional, como hipertensão, diabetes, medicação, além ,da condição socioeconômica e os hábitos e a cultura alimentar do mesmo”.

Segundo ela, na caquexia, além das mudanças no metabolismo, a falta de apetite e os efeitos da medicação, podem provocar uma diminuição no consumo de nutrientes. “Estes fatores associados fazem com que o nutricionista tenha que orientar várias estratégias como suplementos proteicos, horários de refeições longe dos períodos em que as náuseas podem surgir como resultado da quimioterapia, troca de talheres de metal por de plástico, adoção de pequenas refeições não muito quentes ou muito geladas, evitar consumir líquidos com as refeições e a modificação na consistência dos alimentos, para concentrar mais calorias em pequenas porções. Nos casos de desnutrição mais grave ou quando o paciente faz uma cirurgia que o impede de se alimentar, pode ser necessário utilizar nutrição enteral por meio de sondas”.

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