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Tratamento de médicos da USP faz desaparecer células de câncer

Chamado de terapia celular CAR-T, o procedimento já é adotado nos Estados Unidos como “último recurso” para tratar linfomas avançados

Por: Exame

Pela primeira vez na América Latina, médicos da Universidade de São Paulo (USP) realizaram com sucesso um tratamento com o uso de células T alteradas em laboratório para combater células cancerígenas de linfoma. Chamado de terapia celular CAR-T, o procedimento já é adotado nos Estados Unidos como “último recurso” para tratar linfomas e leucemias avançadas.

O tratamento, realizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, no interior paulista, foi aplicado, no início de setembro, em um homem de 62 anos, com linfoma em estado grave e sem resposta a tratamentos convencionais para a doença.

“O paciente tinha um câncer em um estágio terminal, já tinha sido submetido a quatro tipos diferentes de tratamento, sem resposta. Estava no que nós chamamos tratamento compassivo, que é tratamento sintomático, esperando o desencadear normal, que é o óbito. Estava na fila dos sem possibilidade de tratamento”, lembra o médico Dimas Tadeu Covas, coordenador do Centro de Terapia Celular (CTC) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP.

Cerca de 20 dias após o início do tratamento, a resposta de saúde do paciente foi promissora: os exames passaram a mostrar que as células cancerígenas desapareceram. “Ele teve essa resposta quase milagrosa. Em um mês, a doença desapareceu. Para essa situação, existem experiências americanas [que mostram] que o índice é superior a 80% de cura. Pacientes que estavam condenados, como esse do nosso caso, têm 80% de chance de cura com uma única aplicação desse tratamento”, destaca o médico.

“Daí a sua característica revolucionária. As pessoas não acreditam na resposta tão rápida em um curto espaço de tempo”, acrescenta Covas. O paciente, que deve ter alta no próximo sábado (12), será acompanhado por uma equipe médica, por pelo menos 10 anos, para que se saiba a efetividade do procedimento.

Terapia celular CAR-T

O linfoma combatido com o novo tratamento é um tipo de câncer que afeta o sistema imunológico. O paciente sofria de uma forma avançada de linfoma de células B, que não havia respondido a nenhum dos tratamentos de quimioterapia e radioterapia indicados para o caso. O prognóstico era de menos de um ano de vida.

Diante da falta de resultado das terapias convencionais disponíveis, o doente foi autorizado a se submeter ao tratamento com as chamadas células CAR-T, ainda em fase de pesquisa. A aplicação do novo procedimento foi coordenado pelo médico hematologista Renato Cunha, pesquisador associado do Centro de Terapia Celular da USP, que conta com apoio pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A forma de terapia celular usada em Ribeirão Preto é a CAR-T, na qual as células T do paciente (um tipo de célula do sistema imunológico) são alteradas em laboratório para reconhecer e atacar as células cancerígenas ou tumorais. O termo CAR refere-se a um receptor de antígeno quimérico (chimeric antigen receptor, em inglês).

“A terapia consiste em modificar geneticamente células T para torná-las mais eficazes no combate ao câncer. Esta forma de terapia celular é justamente indicada para aqueles casos que não respondem a nenhuma outra forma de tratamento,” explica Cunha.

Depois que as células T do paciente foram coletadas e geneticamente modificadas, a equipe de Cunha as reinjetou na corrente sanguínea, num procedimento chamado infusão. “Feito isto, as células T modificadas passaram a se multiplicar aos milhões no organismo do paciente, fazendo com que o sistema imune deste passasse a identificar as células tumorais do linfoma como inimigos a serem atacados e destruídos.”

De acordo com o hematologista, os resultados da terapia celular para o tratamento das formas mais agressivas de câncer são tão espetaculares, que seu desenvolvimento rendeu o Prêmio Nobel de Medicina de 2018. Os premiados foram os dois pioneiros da terapia celular, o norte-americano James Allison e o japonês Tasuku Honjo.

Vitória da saúde pública

Dimas Covas disse que a realização com sucesso do tratamento no Brasil significa um avanço científico, econômico, social e do setor de saúde pública. “Nós temos vários avanços. Primeiro, o avanço científico – nós conseguimos fugir das grandes companhias, das patentes das multinacionais, porque isso é um desenvolvimento próprio, brasileiro. Segundo, isso é feito dentro de um instituto público – é um tratamento destinado aos pacientes do setor público, do SUS [Sistema Único de Saúde].”

“Hoje, nos Estados Unidos, existem só duas companhias que oferecem esse tratamento. Em outras partes do mundo, ele ainda não está disponível. Poucos países do mundo têm esse tipo de tratamento sendo ofertado a população, principalmente na área pública”, enfatizou o médico.

Ele informou que, nos Estados Unidos, a produção das células a partir da qual é feito um único tratamento custa US$ 400 mil. E o paciente tem os gastos da internação em unidade de transplante e demais despesas médicas. O tratamento completo chega a US$ 1 milhão para uma única pessoa. “Aí se tem uma ideia do impacto que isso causaria no Brasil se não houvesse uma tecnologia nacional disponível. Como é um desenvolvimento da área pública, a terapia poderá ser disseminada para outros laboratórios. Esse conhecimento que nós adquirimos pode ser replicado em outros laboratórios e com outros tipos de tratamento”, ressaltou.

Antes de ser disponibilizado no SUS, o procedimento deverá cumprir os requisitos regulatórios da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A pesquisa deverá incluir mais 10 pacientes nos próximos seis meses, mas ainda não há prazo para que o tratamento seja feito em larga escala. Segundo Covas, isso deve ocorrer na medida em que ocorram adaptações nos laboratórios de produção, o que exigirá investimentos. “O conhecimento está disponível, agora é uma questão de definir a estratégia para que isso aconteça.” Ele destacou ainda que, “felizmente”, os investimentos necessários para ampliação da capacidade produtiva são “de pequena monta, da ordem de R$ 10 milhões”.

A capacidade brasileira atual é de fazer um tratamento por mês. “Nós estamos demonstrando que dominamos a tecnologia, porque o paciente respondeu, então, ela funciona, o produto atingiu o que se esperava dele. Agora é o seguinte: isso é produzido em um laboratório, nós temos capacidade de produção, de tratamento, de um por mês, porque ele é um processo laboratorial”, concluiu o coordenador do Centro de Terapia Celular (CTC) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

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Nano-vacina contra o melanoma desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Tel Aviv

Nova abordagem para o câncer de pele mortal tem sido eficaz na prevenção e tratamento de tumores primários em camundongos, diz estudo

Pesquisadores da Universidade de Tel Aviv dizem que podem ter desenvolvido uma nova maneira de tratar e prevenir o melanoma.

O foco da pesquisa, publicada na segunda-feira na Nature Nanotechnology, é uma nanopartícula que serve de base para a nova vacina.

Uma nano-vacina desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Tel Aviv aumenta a sensibilidade do melanoma à imunoterapia para destruir as células cancerígenas. Ilustração de Maayan Harel.

O melanoma se desenvolve nas células da pele que produzem melanina ou pigmento da pele. O câncer é responsável por apenas cerca de 1% dos tumores de pele, mas está por trás da grande maioria das mortes por câncer de pele, segundo a American Cancer Society . Cerca de 7.230 pessoas nos EUA devem morrer de melanoma em 2019, de acordo com a American Cancer Society.

“A guerra contra o câncer em geral e o melanoma em particular avançou ao longo dos anos por meio de várias modalidades de tratamento, como cirurgia, quimioterapia, radioterapia e imunoterapia; mas a abordagem da vacina, que se mostrou tão eficaz contra várias doenças virais, ainda não se materializou contra o câncer ”, disse Satchi-Fainaro. “Em nosso estudo, mostramos que é possível produzir uma nano-vacina eficaz contra o melanoma e sensibilizar o sistema imunológico para imunoterapias”.

Os pesquisadores usaram partículas minúsculas, com cerca de 170 nanômetros de tamanho, formadas por polímeros biodegradáveis. Dentro de cada partícula, eles “empacotaram” dois peptídeos – cadeias curtas de aminoácidos, que são encontrados nas células do melanoma. Eles então injetaram as nanopartículas (ou “nano-vacinas”) em camundongos que tinham melanoma.

“As nanopartículas agiam como vacinas conhecidas para doenças transmitidas por vírus”, disse Satchi-Fainaro. “Eles estimularam o sistema imunológico dos camundongos e as células do sistema imunológico aprenderam a identificar e atacar as células contendo os dois peptídeos – ou seja, as células do melanoma. Isso significa que, a partir de agora, o sistema imunológico dos camundongos imunizados atacará as células do melanoma se e quando elas aparecerem no corpo ”.

Pesquisadores da Universidade de Tel Aviv desenvolveram nano-vacina para combater o melanoma em camundongos. Da esquerda para a direita: Prof. Helena Florindo, Dr. João Conniot, Prof. Ronit Satchi-Fainaro, Dra Anna Scomparin. (Galia Tiram).

Os pesquisadores então examinaram a eficácia da vacina sob três condições.

No primeiro cenário, a vacina foi injetada em camundongos saudáveis, seguida de injeção de células de melanoma. “O resultado foi que os ratos não ficaram doentes, o que significa que a vacina impediu a doença”, disse Satchi-Fainaro. Isso significa que a vacina provou ter um efeito preventivo, explicou ela.

Em segundo lugar, a vacina de nanopartículas foi usada para tratar tumores primários de melanoma em camundongos, juntamente com tratamentos de imunoterapia que já estão aprovados para uso ou ainda em desenvolvimento. A combinação da vacina com o tratamento “atrasou significativamente a progressão da doença e aumentou muito a vida de todos os ratos tratados”, disse o comunicado.

No último cenário, os pesquisadores testaram sua abordagem em tecidos retirados de pacientes humanos em que as células cancerosas do melanoma se espalharam para o cérebro. Eles descobriram que no cérebro humano, onde há metástases, os dois mesmos peptídeos existem. Isso sugere que, assim como esses dois peptídeos podem desencadear uma reação imunológica em camundongos quando usados como uma nano-vacina, eles provavelmente desencadearão uma reação semelhante no cérebro, indicando que a vacina poderia ser usada para tratar metástases cerebrais em humanos também , Satchi-Fainaro disse em uma entrevista por telefone.

Uma nano-vacina desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Tel Aviv ativa o sistema imunológico para atacar o melanoma (Ilustração de Galia Tiram).

O próximo passo para os pesquisadores, disse ela na entrevista por telefone, é “mostrar que podemos controlar o crescimento” das células metastatizadas, a fim de “prolongar a sobrevida global”.

Os pesquisadores acreditam que sua abordagem de “nano-vacina” poderia ser expandida além do melama.

“Acreditamos que nossa plataforma também pode ser adequada para outros tipos de câncer e que nosso trabalho é uma base sólida para o desenvolvimento de outras nano-vacinas contra o câncer”, disse Satchi-Fainero.

Os pesquisadores estão agora montando uma empresa para levar adiante o desenvolvimento de sua nano-vacina. Pode levar pelo menos cinco a dez anos para que um produto chegue ao mercado, se todos os testes clínicos forem bem, disse ela na entrevista sobre o melanoma, através do uso de uma “nano-vacina”.

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Prevenção do câncer de mama: evite alimentos embutidos

Nova pesquisa relaciona consumo de alimentos embutidos ao câncer de mama; OMS já havia colocado-os na lista de fatores de risco.

Por: PROTESTE

Os alimentos embutidos, como salsicha e bacon, há tempos são mal vistos pelos médicos, principalmente os oncologistas. Há cerca de dois anos, a Organização Mundial da Saúde colocou-os na lista de fatores de risco para o câncerNo entanto, agora os cientistas da Universidade de Glasgow, na Escócia, foram além. E identificaram há que uma relação entre esses alimentos e o câncer de mama. A notícia foi publicada no site Saúde, da editora Abril.

O estudo foi feito com base em informações de mais de 262 mil mulheres, entre 40 e 69 anos. No experimento, o consumo de apenas 9 gramas de embutidos ao dia (cerca de três fatias de salame) aumentou em 21% a probabilidade de câncer de mama.

“É um risco pequeno, bem menor do que o registrado para câncer de intestino“, compara Renato Cagnacci, cirurgião oncológico do Departamento de Mastologia do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo. Porém, vale notar também que a quantidade de embutido considerada perigosa foi baixa.

“O resultado do trabalho sugere que é melhor nem comer esse tipo de alimento”, diz Cagnacci. Se não der para resistir, o médico recomenda deixar apenas para ocasiões especiais.

O que são os embutidos?

De acordo com a nutricionista Thais Manfrinato Miola, do A.C.Camargo, a carne processada é aquela que passa por uma transformação com fermentação ou sal, podendo ser curada ou defumada. Dessa forma, as substâncias usadas no processo são capazes de predispor ao câncer.

Alguns dos alimentos com essas características são:

  • Salsicha
  • Bacon
  • Salame
  • Presunto
  • Linguiça
  • Peito de peru
  • Rosbife
  • Mortadela
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O que é Tumor Cerebral, benigno, maligno, sintomas, tem cura?

Por: Minuto Saúdavel

Um tumor cerebral é caracterizado quando há formação de células anormais no cérebro. Elas se dividem de maneira muito rápida e descontrolada, trazendo consigo uma série de complicações. Quando se originam de células do próprio Sistema Nervoso Central são classificados como primários. Já quando vêm de outros tumores, são secundários.

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimou que surgiriam aproximadamente 9.090 (4.960 em homens e 4.130 em mulheres) novos casos de tumor cerebral nos anos de 2014 e 2015. Estima-se também que, em números gerais, isso significa que a probabilidade de uma pessoa vir a desenvolver um tumor cerebral maligno no seu período de vida é inferior a 1%.

As causas dos tumores cerebrais ainda são desconhecidas, porém, dentre os seus fatores de risco, a hereditariedade é um dos principais em conjunto com a exposição à materiais cancerígenos.

Dentre suas complicações, alterações sensoriais (visão, audição), mudanças de cognição, náuseas, dores de cabeça e mudanças de personalidade e comportamento podem ocorrer, apesar da última ser a menos comum.

É muito difícil tratar um tumor cerebral, visto que sua localidade, muito sensível, exige tratamentos minuciosos e, em caso de cirurgias, muita precisão.

Não é possível afirmar que o tumor cerebral tem cura, pois cada caso possui suas características particulares. Apesar disso, muitas pessoas conseguem se curar e voltar a viver uma vida normal.

O tumor cerebral pode ser encontrado na Classificação Internacional de Doenças, ou CID-10, através dos códigos D71 e D33.

O cérebro

O cérebro faz parte do sistema Nervoso Central (SNC) e fica localizado no crânio, onde flutua num líquido transparente chamado líquido cefalorraquidiano, ou líquor, que o protege tanto fisicamente quanto imunologicamente.

Por ser considerado o principal órgão do SNC, podemos dizer que ele é o “diretor” que controla a grande maioria das funções cerebrais e corporais.

Tudo que acontece em nossas vidas, mesmo enquanto estamos dormindo, seja respirar, engolir, ver, ouvir, tocar, ler, escrever, cantar ou dançar; tudo passa pelo cérebro. Dessa forma, é possível afirmar que esse órgão é responsável pelas seguintes funções:

  • Controlar as funções vitais: funções como o controle da temperatura corporal, pressão arterial, frequência cardíaca, respiração, sono, apetite, sede etc.;
  • Receber, processar e integrar todas as informações sensoriais: visão, audição, tato, paladar e olfato;
  • Controlar os movimentos: caminhar, correr, falar, ficar em pé, etc.;
  • Controle de emoções e comportamento: alegria, raiva, tristeza, nojo, medo, surpresa etc.;
  • Controlar funções cognitivas: raciocínio, pensamento, memória, aprendizagem, percepção, funções executivas, etc.

O cérebro humano contém cerca de 86 milhões de neurônios e representa apenas 2% da massa corporal. Apesar disso, recebe aproximadamente 25% de todo o sangue que é bombeado pelo coração.

Para facilitar ainda mais o entendimento e a compreensão da complexidade dos tumores cerebrais e o porquê da sua dificuldade de tratamento, é preciso ainda entender o papel de certas estruturas anatômicas desse órgão, pois cada uma desempenha uma função. Confira!

Anatomia cerebral

O cérebro é considerado o órgão mais complexo do corpo o humano. Tem formato ovoide e pesa um pouco menos de 1,5kg. É simetricamente dividido em 2 hemisférios, o direito e o esquerdo, sendo que um deles é dominante.

Cada hemisfério se divide em duas extremidades, posterior e anterior, e três faces, a externa, a inferior e a interna. Abaixo dos dois hemisférios se encontra o cerebelo. À união dessas e de outras estruturas em conjunto, dá-se o nome de encéfalo.

Buscando facilitar a compreensão e expor rapidamente as funções de cada parte do cérebro, não vamos entrar em detalhes quanto a estruturas como o tronco cerebral, os ventrículos e bulbo raquidiano, por exemplo.

Confira agora as principais regiões do cérebro e suas funções:

Lobo frontal

Ocupa a parte anterior dos hemisférios. É de grande importância para desempenhar funções como a flexibilidade mental, resolução de problemas, mas também é responsável por várias características que definem nossa personalidade.

Para se ter uma ideia de como o lobo frontal é importante nesse quesito, podemos citar o famoso caso de Phineas Gage, um dos mais famosos no âmbito da neuropsicologia.

Depois de sofrer um acidente no qual uma barra de ferro de 1 metro de comprimento lhe atravessou o crânio, Gage se recuperou completamente fisicamente, porém com alguns efeitos colaterais bastante peculiares.

Para as pessoas ao seu redor, sua personalidade mudou muito depois do acidente. Elas dizem que o homem deixou de ser um homem responsável e tranquilo e se tornou irregular, blasfemo, agressivo e impaciente.

Isso prejudicou severamente seus relacionamentos, assim como seu rendimento no trabalho, fazendo com que ele pulasse de emprego em emprego até arranjar um trabalho onde exibia suas cicatrizes no circo.

Foi graças ao caso de Phineas Gage que a ciência começou a considerar a possibilidade de o lobo frontal desempenhar um papel fundamental na manutenção da nossa personalidade.

É por essa razão que tumores na região do lobo frontal pode trazer diversos problemas de cognição, memória e até mesmo trazer mudanças de personalidade, como veremos posteriormente na sessão “Alterações psiquiátricas” do tópico “Complicações”.

Lobo parietal

É a parte do meio do cérebro, se localizando entre os lobos frontais e occipitais. Tem a função de possibilitar a percepção de sensações como o tato, a dor e o calor. É a zona mais sensível do cérebro e representa todas as áreas do corpo humano.

Por essas razões, quando tumores se fazem presentes nesta região do cérebro, sintomas que afetam a percepção, como dormência, se fazem presentes.

Lobo occipital

Localiza-se na parte posterior dos hemisférios. Trabalha processando estímulos visuais, sendo, por essa razão, também conhecidos como córtex visual. Além disso, essa região do cérebro interpreta os sinais visuais, fazendo com que seja possível reconhecer que o gato que vemos é um gato, e não um objeto desconhecido.

Tumores e lesões nessa região podem trazer problemas de visão, como perda parcial, ou a incapacidade de reconhecer objetos, palavras e até mesmo o rosto de familiares.

O famoso neurologista Oliver Sacks, no seu conto que dá nome ao livro “O Homem que confundiu sua mulher com um chapéu”, conta a história de um de seus pacientes, a quem ele chama Dr. P, que possuía alguma disfunção no lobo occipital e outras regiões e, por isso, não reconhecia pessoas nem objetos.

O problema era tal que chegou ao ponto de Dr. P confundir sua esposa com um chapéu e ter tentado colocá-la na própria cabeça ao final de uma consulta. O caso é tão peculiar que, apesar de Dr. P ter conseguido voltar a levar a sua vida normalmente, não houve de fato uma cura nem explicação 100% confiável para explicar esse problema.

Lobo temporal

Fica na parte inferior, na região das têmporas, acima das orelhas, de onde recebe o nome “temporal”. Sua principal função é a de processar os estímulos auditivos. Assim como nos lobos occipitais, ele não só detecta os sinais sonoros como também os interpreta.

Tumores nessa localidade pode trazer problemas de audição.

Cerebelo

Fica na parte de trás do crânio, logo abaixo do cérebro. É responsável pela manutenção do equilíbrio, pelo controle do tônus muscular, dos movimentos voluntários e pela aprendizagem motora.

É através do funcionamento do cerebelo que conseguimos andar, correr, pular, nadar e desenvolver outras atividades físicas. Por isso, tumores nessa região podem trazer sintomas relacionados a dificuldades motoras.

Tipos

Existem, de maneira geral, 2 tipos de tumor no cérebro: o primário e o secundário.

Quando os tumores têm origem em outros órgãos, como nas mamas ou nos pulmões, e só então atingem o cérebro, são denominados tumores secundários, enquanto os que têm origem diretamente no cérebro são chamados de primários.

Nos adultos, a maioria dos tumores no cérebro provém de alguma outra região do corpo e que alcançaram o cérebro através da metástase. Já os tumores cerebrais primários podem ter origem em qualquer parte do cérebro ou da medula espinhal e alguns contém uma combinação de tipos celulares.

É muito importante saber de que tipo de tumor se trata, pois os tumores primários e secundários exigem tratamentos diferentes entre si.

Ao contrário dos outros tipos de câncer, um tumor no cérebro dificilmente entra em metástase e se espalha para órgãos distantes. Por outro lado, eles causam danos sérios e podem ter consequências gravíssimas, como veremos futuramente no artigo.

Muito dificilmente um tumor cerebral ou espinhal é benigno, existindo apenas algumas raras exceções. Se eles não forem completamente removidos, vão continuar a crescer até levar a eventual morte do paciente.

Ainda assim, é preciso lembrar que o cérebro é um órgão muito plástico, muito complexo e dividido em várias regiões. Por isso, é possível afirmar que existem diferentes classificações de tumores, referentes ao tanto ao local que afetam quanto ao tipo celular de origem. Confira:

Tumores da Hipófise

Tumores da hipófise normalmente apresentam sintomas neurológicos e hormonais em conjunto.

Os sintomas neurológicos acontecem, na maior parte das vezes, por conta da compressão que o tumor causa nas estruturas adjacentes, e podem se apresentar como dor de cabeça constante nas regiões frontal e lateral, sem alívio após o uso de analgésicos comuns.

Outro sintoma neurológico bastante comum é a diminuição da acuidade visual, principalmente pela perda do campo visual lateral, que ocorre devido a compressão do quiasma óptico (uma estrutura em formato de X formada pelo encontro de dois nervos ópticos) pelo tumor.

Os sintomas hormonais, por outro lado, são um reflexo de um excesso de produção ou de uma falta de produção de hormônios.

A falta de hormônios causa sintomas que incluem a falta de energia, queda de pressão, sonolência, desânimo, falta de vitalidade, queda de glicemia e outros. Já o excesso hormonal é um pouco mais complexo e podemos dividir os sintomas de acordo com o tipo de hormônio que está sendo produzido em excesso.

O excesso hormonal pode se dar, por exemplo, nos hormônios do crescimento (GH e IGF-1), o que pode causar acromegalia, um distúrbio que ocasiona o surgimento de alterações  no organismo como o crescimento das extremidades (mãos e pés), mudança no aspecto facial e alterações no metabolismo (hipertensão e diabetes).

Outro hormônio que pode se encontrar em excesso no organismo é a prolactina. Um pequeno excesso desse hormônio pode ocorrer por outras causas que não necessariamente um tumor, como estresse ou o uso de anticoncepcionais.

Entretanto, quando os níveis de prolactina estão muito elevados, a possibilidade de se ter um tumor como responsável deve ser considerada. Nas mulheres, ocorre a queda da libido, irregularidade do ciclo menstrual e saída de leite pelo peito (galactorréia). Nos homens, há a perda de potência sexual, disfunção erétil e aumento do tamanho das glândulas mamárias (ginecomastia).

Ainda existe outro hormônio que pode ter sua produção aumentada por causa de um tumor. Trata-se do cortisol.

O cortisol é um hormônio relacionado com as reações de estresse do organismo e é produzido pela glândula suprarrenal quando estimulada pelo hormônio hipofisário ACTH. Isso faz com que o paciente desenvolva a síndrome de Cushing, uma condição rara, caracterizada pela presença de um nódulo na hipófise que produz níveis elevados ACTH.

A produção elevada de ACTH tem como consequência a produção elevada de cortisol, que acaba por exercer efeitos bastante negativos no organismo.

Quando há uma quantidade elevada de cortisol no organismo, podem ocorrer sintomas como ganho de peso, decorrente de aumento da gordura no abdômen, perda da massa muscular com afinamento dos braços e pernas, surgimento de grandes estrias, arredondamento do rosto, pele mais fina e sujeita a hematomas, além de alterações metabólicas como diabetes e hipertensão.

Trata-se de uma doença muito rara e severa e que deve ser tratada por um neuroendocrinologista experiente em centros de referência.

Existe ainda mais uma situação, que é quando o tumor da hipófise surge durante a adolescência. Nesses casos, pode ocorrer o aumento exagerado da altura do paciente, levando ao gigantismo.

Os principais sintomas desse quadro são mudanças na aparência física, alargamento da região frontal da testa, queixo proeminente, espaçamento entre os dentes com perda dentária, aumento do volume do nariz e dos lábios, espessamento da pele (se tornando oleosa e mais propensa à acne), sudorese abundante e alterações respiratórias, cardiovasculares e metabólicas.

Craniofaringioma

Trata-se do surgimento de tumores benignos que ocorrem normalmente na base do cérebro, perto dos nervos oftálmicos e centros hormonais. Eles afetam com mais frequência crianças, adolescentes e indivíduos acima dos 50 anos de idade.

São classificados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como tumores de grau I, ou seja, tumores de baixo ou incerto potencial de malignização.

Seus sintomas vão depender bastante do local onde cresceu o tumor. Quando ele se encontra, por exemplo, comprimido no talo hipofisário ou circundando a glândula pituitária, pode levar à deficiência parcial ou completa da produção de hormônios do crescimento, causando atraso da puberdade.

Outros sintomas que podem surgir são dores de cabeça, problemas de visão, alterações menstruais, aumento da sensação de frio, fadiga, constipação, pele ressecada, náuseas, hipotensão e podendo levar à depressão.

Hemangioblastoma

São tumores do sistema nervoso central (SNC) que se originaram do sistema vascular. Ocorrem, normalmente, na meia idade e podem acometer outras regiões como a coluna vertebral, tronco cerebral ou a retina.

Geralmente estão associados com outras doenças, tais quais a poliglobulia (aumento exagerado na quantidade de glóbulos vermelhos), cistos pancreáticos e a síndrome de Von Hippel-Lindau (doença genética e rara que envolve o crescimento anormal de tumores).

Neuroma acústico

Trata-se de um tipo de tumor localizado no nervo auditivo. Constitui aproximadamente 6% de todos os tumores cerebrais, ocorre igualmente em todas as raças e possui uma leve predileção por mulheres.

São tumores benignos que podem se localizar profundamente no crânio e próximos aos centros vitais do cérebro. Seus primeiros sintomas normalmente estão relacionados à perda de audição, barulhos no ouvido (zumbido) ou falta de equilíbrio.

Na maior parte das vezes são de crescimento lento e, em grande parte dos pacientes, os sintomas são leves e quase imperceptíveis, sendo que muitos não apresentam evolução do quadro durante anos.

Ele pode se apresentar de duas formas:

  1. Esporádico;
  2. Associado à neurofibromatose.

Paciente que possuem um neuroma acústico esporádico costumam começar a apresentar sintomas entre os 40 e 60 anos de idade, e os tumores normalmente afetam somente um dos lados do cérebro, isto é, são unilaterais.

Os neuromas acústicos associados à neurofibromatose, por outro lado, costuma apresentar sintomas quando o paciente está entre os 20 e 30 anos (fase conhecida como “jovem adulto”). Ao contrário dos esporádicos, esses tipos de tumor são bilaterais, isto é, atingem os dois lados do cérebro.

Enquanto o neuroma acústico esporádico representa mais ou menos 95% dos casos de neuroma acústico, o associado a neurofibromatose representa os outros 5%.

Tumores da região pineal

Os tumores da região pineal tendem a acontecer durante a infância, mas podem surgir a qualquer momento da vida. Eles acontecem na glândula pineal, uma pequena estrutura localizada perto do centro do cérebro e responsável por exercer a regulação dos chamados ciclos circadianos, responsável pela regulação do ciclo biológico.

Esses tumores podem aumentar a pressão intracraniana pela compressão do aqueduto de Sylvius, canal que permite a passagem do líquido cefalorraquidiano. Também pode causar ptose (pálpebras caídas) e perda dos reflexos pupilares à luz e de acomodação.

Meningeoma

Não se trata exatamente de um tumor cerebral, pois acontece nas meninges, que são as camadas de tecido que recobrem o cérebro e a medula espinhal. Eles causam sintomas parecidos, no entanto, pois aumentam o tamanho da meninge, pressionando o cérebro ou a medula espinhal.

São bastante comuns e representam cerca de 25% dos tumores cerebrais primários e a maioria dos tumores de medula espinhal. Nos adultos, é o tipo de tumor cerebral mais comum e sua taxa de incidência aumenta com a idade, sendo maior em pessoas na faixa de 70 e 80 anos.

Ao contrário dos outros tipos de tumor no cérebro, a maioria dos meningiomas (cerca de 85%) são benignos e podem ser curados através de cirurgia. Alguns, entretanto, surgem em locais muito próximos à estruturas vitais e não podem ser curados apenas com cirurgia.

A outra parcela, maligna, é mais difícil de ser curada e pode voltar a aparecer depois da realização da cirurgia de remoção.

Astrocitoma

A maior parte dos tumores cerebrais propriamente ditos surge a partir de um tipo de célula chamada astrócito — por isso o nome astrocitoma. Eles representam cerca de 35% de todos os tumores cerebrais.

É muito difícil curar esse tipo de tumor porque ele se espalha amplamente pelo tecido cerebral normal próximo. Muitas vezes, inclusive, os astrocitomas se disseminam ao longo dos tecidos banhados pelo líquor.

É muito raro que os astrocitomas se disseminem para além da medula espinhal.

De maneira geral, eles são classificados em astrocitomas de alto ou baixo grau de malignidade. Essa classificação se dá através de de análise microscópica, onde o patologista avalia as seguintes características:

  • A proximidade das células dentro do tumor;
  • O grau de anormalidade das células;
  • A quantidade de células que se encontram em processo de divisão;
  • A presença de vasos sanguíneos no interior do tumor;
  • A reação das células tumorais ao tratamento.

Os astrocitomas de baixo grau possuem um desenvolvimento lento, enquanto os de alto grau são especialmente malígnos, desenvolvendo-se rapidamente e representando 60% de todos os astrocitomas.

Ainda não se sabe exatamente o que causa um tumor no cérebro e a maioria deles aparece sem que possamos saber o porquê. Alguns traumatismos foram relacionados com o surgimento de tumores, mas essa relação ainda não é completamente entendida e ainda resta dúvida se esses são fatores determinantes ou não.

De uns anos pra cá, os tumores cerebrais têm sido associados a algum tipo de predisposição ou mutação genética. Foi descoberto, por exemplo, que alterações nos cromossomos 1, 10, 13, 17, 19 e 22 podem estar relacionados ao surgimento de tumores cerebrais.

Outra hipótese é a influência da radioterapia em qualquer lugar do corpo, inclusive no cérebro, para pessoas que já fizeram tratamento para tumores.

Além disso, algumas variações de oncovírus, um tipo de vírus que têm a capacidade de alterar o ciclo celular induzindo o desenvolvimento de um tumor,  são conhecidas por potencialmente causarem tumores no cérebro.

A boa notícia é que ao mesmo tempo em que as radioterapias estão ficando cada vez mais seguras para impedir o aparecimento de outros tumores, muitos oncovírus estão sendo estudados e já tem até vacina para sua prevenção.

Entretanto, ainda não se tem uma completa relação sobre o que causa a doença. Tudo que se sabe até o momento, são os fatores de risco envolvidos no seu desenvolvimento.

Fatores de risco

Como dito no tópico anterior, ainda não se sabe exatamente o que causa um tumor no cérebro, especialmente por causa da variedade de tipos existentes. Entretanto, algumas doenças, comportamentos e fatores externos estão intimamente associados ao desenvolvimento de tumores no cérebro. Confira:

Exposição à radiofrequência

Trata-se de um tema polêmico. Ainda não foi descoberto completamente que a radiofrequência, emitida principalmente por aparelhos celulares, seria ou não um fator de risco para o desenvolvimento de tumores cerebrais.

Em 2011, a Organização Mundial da Saúde (OMS) deu um parecer afirmando que o uso de telefones móveis poderia estar relacionado a câncer cerebral.

A OMS chegou a essa conclusão depois de um painel realizado com 31 cientistas que compõe a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, em inglês International Agency for Research on Cancer).

Os pesquisadores observaram uma diversa gama de estudos epidemiológicos (análises da incidência da doença em populações com uso variado de celular ou outra exposição à campos de radiofrequência) para chegar a essa conclusão.

Vale lembrar, porém, que o que a organização disse, é que a existe a possibilidade de os celulares serem responsáveis ou parcialmente responsáveis pelo surgimento de tumores cerebrais. Ela não contraindica o uso de celulares e aponta que não há nenhum dado novo que comprove que celulares causam câncer.

Apesar disso, não deixam de surgir inúmeras pesquisas com resultados variados, tendo algumas que mostram seu potencial carcinogênico e outras que o desmentem. É por essa razão que a OMS classifica os celulares e a radiofrequência como um possível, e não provável, carcinogênico.

Um exemplo de estudo que fala sobre a possibilidade dos celulares terem responsabilidade no surgimento de tumores cerebrais, mais especialmente gliomas, veio da França em 2015, em um artigo de revisão.

Os pesquisadores acompanharam aproximadamente 400 pacientes diagnosticados com glioma ou meningioma e seus hábitos.

O estudo mostrou que o uso excessivo de celulares pode aumentar consideravelmente as chances de um tumor cerebral, especialmente no lobo temporal, área do cérebro mais próxima às orelhas, onde coincidentemente usamos o telefone celular.

Em compensação, uma pesquisa feita na Austrália mostra o contrário. Os pesquisadores analisaram os dados relativos à incidência de câncer entre os anos de 1982 até 2012 para verificar a incidência de tumores na população.

Os dados mostraram que, apesar do uso de celulares no país, que começou em 1987, ter aumentado mais de 90% desde aquele ano, a incidência de tumores cerebrais não seguiu o mesmo padrão de crescimento. Nem mesmo chegou perto.

De modo geral, desde a introdução dos celulares na sociedade australiana, o número médio de tumores cerebrais diagnosticados cresceu 0,05%. No entanto, um o aumento significativo no número de tumores cerebrais em idosos foi constatado.

Os cientistas descartam a hipótese de que são os celulares e a radiofrequência que causou esse aumento, porque desde 1982, data que antecede a introdução de telefones celulares à sociedade, os métodos de diagnóstico para tumores cerebrais têm ficado cada vez mais eficientes, o que explicaria o aumento na incidência de casos registrados.

Portanto, até o presente momento não é possível afirmar categoricamente que o celular é responsável direto ou ao menos desempenha algum papel no surgimento de tumores cerebrais.

Já que o excesso, para os dois lados, pode ser prejudicial, o melhor a se fazer é manter a opinião alinhada a da OMS e considerar o celular um possível carcinogênico.

Gênero

O tumor cerebral é muito mais comum em homens do que em mulheres. Entretanto, os meningiomas ocorrem principalmente em mulheres.

Idade

Embora o tumor cerebral possa se desenvolver em qualquer idade, ele é bem mais comum nos idosos (acima de 65 anos).

Neurofibromatose

A neurofibromatose é uma doença hereditária que se manifesta por volta dos 15 anos de idade. Ela aumenta as chances de tumor cerebral porque provoca o crescimento anormal do tecido nervoso e o surgimento de pequenos neurofibromas, também uma espécie de tumor, nas partes mais externas do cérebro.

Esclerose tuberosa

A esclerose tuberosa é uma doença genética rara, multi-sistêmica, isto é, atinge diversos tecidos e órgãos, e causa o aparecimento de tumores benignos no cérebro e outros órgãos vitais, como coração, rins, olhos, pulmões e pele.

Síndrome de Li-Fraumeni

A síndrome de Li-Fraumeni é uma rara síndrome autossômica dominante que se caracteriza pelo surgimento de diversos tipos de câncer com correlação genética entre si, ou seja, eles são herdáveis e não causados exclusivamente por pressão do ambiente.

Como o padrão de herança é autossômico dominante, não há diferenças entre a herança entre homens e mulheres, bastando o indivíduo herdar um alelo que já está predisposto a desenvolver a síndrome.

Síndrome de Von Hippel-Lindau

A síndrome de Von Hippel-Lindau é uma doença genética autossômica dominante rara que causa o crescimento anormal de tumores em diversas partes do corpo, especialmente aquelas bastante irrigadas por sangue, o que é o caso do cérebro.

O início dessa doença se dá aproximadamente na 2ª e 3ª década de vida, ou seja, aos 20 ou 30 anos.

Síndrome de Turner

Lembra das aulas de biologia do ensino médio? Então, nelas o professor falava de diversas síndromes no cromossomo X, ou cromossomo sexual. A síndrome de Turner é uma delas.

Para refrescar um pouco a memória, a síndrome de Turner é uma anomalia cromossômica do cromossomo X cuja origem é total de um cromossomo X ou então parcial do outro cromossomo X, criando um Y defeituoso que não necessariamente está relacionado ao sexo masculino, já que a síndrome afeta somente mulheres.

Ela já é identificada no momento do nascimento, ou então antes da puberdade, porque ele possui características fenotípicas, isto é, de expressão, muito claras e evidentes.

Todas as pessoas que nascem com a síndrome de turner apresentam baixa estatura, órgãos sexuais e características secundárias (seios) pouco desenvolvidos, tórax largo, pescoço alado, maior frequência de problemas cardiovasculares e são quase sempre estéreis, isto é, não podem ter filhos.

Especialmente nas portadores que possuem uma linha celular XY, isto é, que possuem um gene X normal e outro Y defeituoso, o risco de tumorigênese, isto é, de desenvolver tumores em diversas áreas do corpo, é maior. Isso acaba se aplicando ao cérebro.

Síndrome de Turcot

A síndrome de Turcot é uma doença genética rara que se caracteriza pela associação do surgimento de pólipos no intestino e tumores primários no sistema nervoso central. Seus principais sintomas incluem diarréia, sangramento retal, dor abdominal, perda de peso e cansaço.

Síndrome de Gorlin

A síndrome de Gorlin é uma doença rara herdada geneticamente que causa o surgimento de múltiplos defeitos no organismo, afetando, especialmente, a pele, o sistema nervoso, os olhos, o sistema endócrino e os ossos.

Essas pessoas possuem chances maiores de desenvolver alguns tipos de câncer, como o câncer de pele e o cerebral.

AIDS

As pessoas portadoras de HIV possuem chances maiores de desenvolver linfomas (tumor no linfócito), especialmente quando o seu sistema imunológico se encontra enfraquecido e debilitado por alguma razão.

Entretanto, com o avanço nas terapias anti-retrovirais, os linfomas no cérebro têm se tornado cada vez mais raros.

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O CÂNCER SE TORNARÁ CURÁVEL NOS PRÓXIMOS 10 ANOS GRAÇAS AOS TRATAMENTOS DARWINIANOS

Por: https://www.greenme.com.br/

Notícias encorajadoras sobre a luta contra o câncer acabam de chegar de Londres, dos cientistas do ICR (Instituto Inglês de Pesquisa do Câncer) que acreditam seriamente que o câncer será “administrável” e “mais curável” até a próxima década, graças aos medicamentos que podem impedir que as células cancerosas se tornem resistentes aos tratamentos.

Trata-se de medicamentos “darwinianos” que seriam capazes de impedir que a doença se adaptasse e evoluísse, melhorando assim a expectativa e a qualidade de vida dos pacientes com câncer. Isso porque, no momento, o maior desafio enfrentado por quem trabalha para vencer tumores é a resistência ao tratamento. A mesma quimioterapia muitas vezes falha porque as células cancerígenas letais seriam capazes de se adaptar e sofrer mutações.

Daí a nova abordagem “evolucionária” do ICR, que lançou o primeiro programa de descoberta de medicamentos “darwinianos” do mundo. Os medicamentos foram projetados especificamente para lidar com a capacidade letal dos tumores de desenvolver resistência, bem como “entender, antecipar e superar” a evolução do câncer.

Para isso, foram investidos 75 milhões de libras em um novo centro de pesquisa em Londres, o qual abrigará mais de 300 cientistas de todo o mundo e de uma variedade de campos para trabalhar juntos e combinar sinergias para desenvolver novas terapias anti-câncer.

Os cientistas estão convencidos de que essa nova abordagem pode fornecer controle a longo prazo e tratamentos eficazes com uma mudança de paradigma e combinações de múltiplas drogas usadas com sucesso mesmo com doenças como HIV e tuberculose. E que dentro de 10 anos fará do câncer uma doença controlável e mais curável:

“Criaremos novos caminhos para enfrentar o desafio da evolução do câncer, bloqueando todo o processo de diversidade evolutiva, usando a inteligência artificial e a matemática para transformar o câncer em formas mais tratáveis ​​e combatendo o câncer com combinações de múltiplas drogas, como aquelas usadas com sucesso contra o HIV e a tuberculose”, disse Paul Workman, diretor administrativo do ICR.

Ele acrescentou:

“Acreditamos firmemente que, com mais pesquisas, podemos encontrar maneiras de tornar o câncer mais fácil e mais tratável, para que os pacientes possam viver mais e com uma melhor qualidade de vida. Mas essa pesquisa precisará de apoio e nosso novo Centro acelerará dramaticamente o progresso que já estamos fazendo”.

No entanto, para terminar o centro e abrir o novo edifício, são necessários 15 milhões de libras adicionais. Já começou uma campanha de arrecadação de fundos e crowdfunding para chegarem ao objetivo.

Este é um grande passo à frente na luta contra o mal mais difundido do século.

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Biópsia líquida, aplicações e perspectivas de expansão

Por: Onconews

Estudo de pesquisadores brasileiros publicado na Precision Medicine, com participação do oncogeneticista José Claudio Casali da Rocha (foto), discute desafios e perspectivas da biópsia líquida, com recomendações para expandir sua adoção no Brasil. “Em um país com limitada capacidade de recursos e profundas desigualdades na assistência à saúde, queremos mostrar a importância de aumentar a utilização da biópsia líquida no diagnóstico, tratamento e seguimento do câncer, melhorando o acesso a essa nova ferramenta molecular”, diz Casali.

Entre os argumentos descritos no artigo da Precision Medicine (vol 4, nº 1), o estudo brasileiro explica que a biópsia líquida é custo- efetiva para o manejo do câncer no Brasil e mostra que diante da heterogeneidade da doença é uma ferramenta complementar ao gerenciamento atual, permitindo acompanhar a evolução do paciente e a resposta ao tratamento.

Ao comparar vantagens e desvantagens da biópsia líquida frente à biópsia de tecido, os autores concluem que a nova abordagem deve ser vista de forma complementar, com a vantagem de capturar a informação genômica do tumor a partir do DNA, tendência que marca a moderna oncologia personalizada. “As diretrizes clínicas aprovadas atualmente incluem biópsia líquida apenas em câncer de pulmão, mas o potencial também é enorme em outros tumores, seja para rastreamento e diagnóstico, até para avaliar risco de recaída e controle da doença”, explica o oncogeneticista.

A revisão brasileira recorre à base de evidências para ilustrar a variabilidade de aplicações e cita estudo de Bettegowda et al, que usaram a reação baseada em cadeia da polimerase digital para medir os níveis de DNA tumoral circulante (ctDNA) em amostras de plasma de 640 pacientes com vários tipos de câncer. “Entre os participantes com doença metastática avançada, o ctDNA foi detectado em 82% dos pacientes com tumores sólidos fora do cérebro, incluindo mais de 75% de pacientes com câncer de bexiga, colorretal e ovário avançado, além de tumores gastroesofágicos, de pâncreas, mama, hepatocelular e melanomas”, descrevem os autores.

Para aplicações de screening, a evidência vem de Cohen et al, em estudo que examinou 1.005 pacientes com tumores não metastáticos de ovário, fígado, estômago, pâncreas, esôfago, colorretal, pulmão e mama. “Os testes de triagem foram positivos em uma mediana de 70%, mesmo para tumores que atualmente não possuem estratégias efetivas de rastreamento populacional”, registra o artigo da Precision Medicine.

Entre as principais recomendações, o estudo brasileiros propõe a definição de diretrizes gerais sobre os usos e aplicações da biópsia líquida, sublinhando a importância de estabelecer as melhores práticas, incluindo protocolos padronizados para coleta da amostra, processamento e detecção de ctDNA. “Melhores práticas devem ser desenvolvidas para diminuir complexidades metodológicas e garantir um processo padronizado altamente confiável”, recomendam os autores.

Em outra frente, o estudo destaca a avaliação de doença residual mínima através da biópsia líquida, uma aplicação que começa a ganhar importância, com evidências de que a ferramenta molecular “é capaz de prever a recidiva clínica com alto nível de precisão”.

Referência: Neder et al., Precision Medicine, vol 4, nº1, 2019,1-10

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Dá para prevenir o câncer inclusive com a alimentação?

Por: saude.abril.com.br

Cientista explica os fatores ligados ao surgimento de tumores malignos e o papel da nutrição e da alimentação saudável em seu combate

câncer é uma doença que ainda intriga muito os cientistas e profissionais que trabalham com saúde. Isso porque o processo de seu aparecimento não é totalmente compreendido. Além do mais, quando, por exemplo, dizemos “câncer de mama”, estamos nos referindo na verdade a diferentes doenças que são agrupadas sob um mesmo termo.

Assim, podemos falar que existem vários tumores de mama, cada um com comportamentos diferentes. Podem ser mais ou menos agressivos quanto à forma com que as suas células alteradas se dividem e invadem outros órgãos, levando às chamadas metástases e, muitas vezes, à morte. O assunto se mostra bastante preocupante quando consideramos o aumento no número de casos que tem ocorrido nas últimas décadas — daí o desafio de desenvolver também novos métodos para o diagnóstico e o tratamento.

Uma convicção muito comum entre as pessoas é a de que o câncer não é uma doença que se possa prevenir. Mas será que isso é mesmo um fato? Em parte, a razão para essa visão pessimista está relacionada à percepção bastante difundida de que o câncer seria uma doença exclusivamente genética. Ou seja, para aqueles que nascem com mutações nos genes, não haveria muito o que fazer e o destino seria esperar a doença aparecer para, então, tratá-la.

Embora a genética seja um fator importante no surgimento do câncer, pesquisas conduzidas nas últimas décadas mostram que o meio ambiente em que vivemos tem um papel central na origem da doença. Assim, diferentes fatores ambientais aos quais estamos expostos, como cigarro, poluição, radiação solar e vírus, são reconhecidos como causadores do problema. O que sabemos é que, na maior parte dos casos, o aparecimento do câncer é o resultado da combinação entre exposições ambientais e fatores genéticos, sendo a minoria dos casos aqueles em que a causa tenha sido exclusivamente um gene mutado.

Desse modo, podemos afirmar que sim, o câncer é uma doença que pode ser evitada. Estratégias atuais de prevenção são baseadas na minimização da exposição a vários desses fatores e incluem não fumar (câncer de pulmão), usar protetor solar (câncer de pele) e se vacinar contra o papilomavírus humano, o HPV (câncer do colo do útero).

Mas e os alimentos? Eles têm mesmo alguma participação na prevenção da doença?

Na história da pesquisa do câncer, o interesse pelo papel da alimentação é um fenômeno mais recente. Dois pesquisadores britânicos, Richard Doll e Richard Peto, tiveram uma contribuição essencial nesse sentido, quando no início da década de 1980 estimaram que cerca de 30% dos casos de câncer no mundo estariam relacionados a dietas inadequadas. Esse número, que continua válido até hoje, não é desprezível e significa que um número expressivo de pessoas poderia evitar o problema por meio da melhoria de seus hábitos alimentares.

Diferentes organizações internacionais, como o Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer (World Cancer Research Fund) e o Instituto Americano para a Pesquisa do Câncer (American Institute for Cancer Research), e nacionais, como o Instituto Nacional do Câncer (Inca), recomendam o consumo diário de pelo menos 5 porções de frutas e verduras (cerca de 400 g) para a prevenção da doença.

Essas recomendações são baseadas em evidências científicas de que pessoas que ingerem mais frutas e verduras têm menor risco de desenvolver e morrer de câncer em comparação com aquelas populações que apresentam menor consumo. Também são baseadas em experimentos com animais de laboratório e células de câncer isoladas, em que os componentes desses alimentos de origem vegetal são estudados para se entender como exercem suas ações protetoras contra os tumores.

O que aprendemos com diversas pesquisas é que, além de vitaminas, minerais e fibras, frutas e verduras contêm uma série de compostos chamados de bioativos ou fitoquímicos, capazes de interferir em vários processos alterados nas células durante o desenvolvimento do câncer. Tais substâncias combatem os radicais livres, protegem o nosso DNA e impedem que as células se dividam descontroladamente.

Exemplos desses compostos bioativos são os flavonoides, amplamente distribuídos em vegetais, que compõe uma família com mais de 5 mil membros;  as antocianinas, que dão a cor avermelhada a cerejas, morangos, uvas e amoras; compostos que contêm enxofre presentes no alho e responsáveis pelo seu gosto característico; isotiocianatos, que são encontrados em repolho, brócolis e couve-flor; e derivados isoprênicos que conferem a fragrância cítrica a frutas como laranja, tangerina e limão.

O câncer leva anos, décadas, para aparecer. Isso significa que sempre é tempo de adotar medidas de prevenção. Comece já e inclua mais frutas e verduras em seu cardápio.

* Thomas Prates Ong é farmacêutico-bioquímico, professor do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP) e secretário-geral da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN)

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Câncer de mama: sintomas, tratamentos e causas

Por: minhavida

 

Jo Toledo – Bioterapeuta

O que é Câncer de mama?

O câncer de mama é um tumor maligno que se desenvolve na mama como consequência de alterações genéticas em algum conjunto de células da mama, que passam a se dividir descontroladamente. Ocorre o crescimento anormal das células mamárias, tanto do ducto mamário quanto dos glóbulos mamários. Esse é o tipo de câncer que mais acomete as mulheres em todo o mundo, sendo 1,38 milhões de novos casos e 458 mil mortes pela doença por ano, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). A proporção em homens e mulheres é de 1:100 – ou seja, para cada 100 mulheres com câncer de mama, um homem terá a doença. No Brasil, o Ministério da Saúde estima 52.680 casos novos em um ano, com um risco estimado de 52 casos a cada 100 mil mulheres. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Mastologia, cerca de uma a cada 12 mulheres terão um tumor nas mamas até os 90 anos de idade.

Tipos

Existem diversos tipos e subtipos de câncer de mama. No geral, o diagnóstico leva em conta alguns critérios: se o tumor é ou não invasivo, seu tipo tipo histológico, avaliação imunoistoquímica e seu estadio (extensão):

Tumor invasivo ou não

Um câncer de mama não invasivo, também chamado de câncer in situ, é aquele que está contido em algum ponto da mama, sem se espalhar para outros órgãos – a membrana que reveste o tumor não se rompe, e as células cancerosas ficam concentradas dentro daquele nódulo. Já o tipo invasivo acontece quando essa membrana se rompe e as células cancerosas invadem outros pontos do organismo. Todo câncer in situ tem potencial para se transformar em invasor.

Avaliação Imunoistoquímica

Também chamada de IQH, a avaliação imunoistoquímica para o câncer de mama avalia se aquele tumor tem os chamados receptores hormonais. Aproximadamente 65 a 70% dos cânceres de mama tem esses receptores, que são uma espécie de ancoradouro para um determinado hormônio. Existem três tipos de receptores hormonais: o de estrógeno, o de progesterona e o de HER-2. Esses receptores fazem com que o determinado hormônio seja atraído para o tumor, se ligando ao receptor e fazendo com que essa célula maligna se divida, agravando a doença.

A progesterona e o estrógeno são hormônios que circulam normalmente por nosso organismo, que podem se ligar aos receptores hormonais do câncer de mama, quando houver. Já o HER-2 (sigla para receptor 2 do fator de crescimento epidérmico humano) é um gene que pode ser encontrado em todas as células do corpo humano, que tem como função ajudar a célula nos processos de divisão celular. O gene HER-2 faz com que a célula produza uma proteína chamada proteína HER-2, que fica na superfície das células. De tempos em tempos, a proteína HER-2 envia sinais para o núcleo da célula, avisando que chegou o momento da divisão celular. Na mama, cada célula possui duas cópias do gene HER-2, que contribuem para o funcionamento normal destas células. Porém, em algumas pacientes ocorre o aparecimento de um grande número de genes HER-2 no interior das células da mama. Com o aumento do número de genes HER-2 no núcleo, ficará também aumentado o número de receptores HER-2 na superfície das células.

Tipo histológico do câncer de mama

O tipo histológico é como se fosse o nome e o sobrenome do câncer. Os tipos histológicos se dividem em vários subtipos, de acordo com fatores como a presença ou ausência de receptores hormonais e extensão do tumor. Os tipos mais básicos de câncer de mama são:

  • Carcinoma ducta in situ: é o tipo mais comum de câncer de mama não invasivo. Ele afeta os ductos da mama, que são os canais que conduzem leite. Ele não invade outros tecidos nem se espalha pela corrente sanguínea, a membrana que reveste o tumor não se rompe, e as células cancerosas ficam concentradas dentro daquele nódulo mas pode ser multifocal, ou seja, pode haver vários focos dessa neoplasia na mesma mama. Caracteriza-se pela presença de um ou mais receptores hormonais na superfície das células.Todo câncer de mama in situ tem potencial para se transformar em invasor.
  • Carcinoma ductal invasivo: ele também acomete os ductos da mama, e se caracteriza por um tumor que pode invadir os tecidos que os circundam. O câncer do tipo ductal invasivo representa de 65 a 85% dos cânceres de mama invasivos. Esse carcinoma pode crescer localmente ou se espalhar para outros órgãos por meio de veias e vasos linfáticos. Caracteriza-se pela presença de um ou mais receptores hormonais na superfície das células.
  • Carcinoma lobular in situ: ele se origina nas células dos lobos mamários e não tem a capacidade de invasão dos tecidos adjacentes. Frequentemente é multifocal. O carcinoma lobular in situ representa de 2 a 6% dos casos de câncer de mama.
  • Carcinoma lobular invasivo: ele também nasce dos lobos mamários e é o segundo tipo mais comum. O carcinoma lobular invasivo pode invadir outros tecidos e crescer localmente ou se espalhar. Geralmente apresenta receptores de estrógeno e progesterona na superfície das células, mas raramente a proteína HER-2.Tem maior de afetar as duas mamas.
  • Carcinoma inflamatório: raramente apresenta receptores hormonais, podendo ser chamado de triplo negativo. Ele é a forma mais agressiva de câncer de mama – e também a mais rara. O carcinoma inflamatório se apresenta como uma inflamação na mama e frequentemente tem uma grande extensão. Ele também começa nas glândulas que produzem leite. As chances dele se espalhar por outras partes do corpo e produzir metástase é grande.
  • Doença de Paget: é um tipo de câncer de mama que acomete a aréola ou mamilos, podendo afetar os dois ao mesmo tempo. Ele representa de 0,5 a 4,3% de todos os casos de carcinoma mamário, sendo portando uma forma mais rara. Ele é caracterizado por alterações na pele do mamilo, como crostas e inflamações – no entanto, também pode ser assintomático. Existem duas teorias para explicar a origem da doença de Paget da mama: as células tumorais podem crescer nos ductos mamários e progredir em direção à epiderme do mamilo, ou então as células tumorais se desenvolvem já na porção terminal dos ductos, na junção com a epiderme.

Estadiamento do câncer de mama

O câncer de mama é dividido em quatro estadios ou estágios, conforme a extensão da doença, que vão do 0 ao 4:

  • Estadio 0: as células cancerosas ainda estão contidas nos ductos, por isso o problema é quase sempre curável
  • Estadio 1: tumor com menos de 2 cm, sem acometimento das glândulas linfáticas da axila
  • Estadio 3: nódulo com mais de 5 cm que pode alcançar estruturas vizinhas, como músculo e pele, assim como as glândulas linfáticas. Mas ainda não há indício de que o câncer se espalhou pelo corpo
  • Estadio 4: tumores de qualquer tamanho com metástases e, geralmente, há comprometimento das glândulas linfáticas. No Brasil cerca de 60 a 70% dos casos são diagnosticado em estadio 3 ou 4.

Fatores de risco

Os principais fatores de risco para o câncer de mama são:

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Depressão e Câncer

Por: Daniela Camargo – Psicóloga

As pessoas que recebem um diagnóstico de câncer, passam por vários níveis de estresse e angústia emocional. O medo da morte, a interrupção de planos futuros, as mudanças físicas e psíquicos, as mudanças do papel social e do estilo de vida, bem como as preocupações financeiras e legais são assuntos importantes para qualquer pessoa com câncer. Entretanto, nem todas as pessoas com diagnóstico de câncer sofrem uma depressão grave.

Existem muitas idéias preconcebidas e falsas sobre o câncer e sobre como vivem os pacientes com câncer. Por exemplo, a ideia de que todas as pessoas com câncer sofrem, obrigatoriamente, de depressão. Ou ainda, a idéia de que a depressão é normal nas pessoas com câncer, que no existe tratamento para ajudar com a depressão da pessoa com câncer, ou que todos os pacientes com câncer sofrem muitíssimo e têm uma morte muito dolorosa.

A tristeza e o pesar são reações normais às crises que se enfrenta ao se saber com câncer, e todos pacientes as sofrem num momento ou outro. Não obstante, sendo a tristeza comum nesses pacientes, será muito importante distinguir entre os níveis “normais” de tristeza e a depressão.

Uma das partes mais importantes no cuidado de pacientes com câncer é, exatamente, saber reconhecer quando necessitam de tratamento para a depressão. Algumas pessoas têm mais dificuldades que outras para aceitar o diagnóstico de câncer e a desadaptação à essa condição existencial pode precipitar uma Depressão Grave, a qual acaba acometendo 25% desses casos. Nesse caso, já não se trata simplesmente de estar triste ou desanimado.

Assim sendo, basicamente todos os pacientes com câncer sentem tristeza e pesar de forma periódica durante alguma fase de sua doença, seja no diagnóstico, durante o tratamento e/ou depois dele. Inicialmente, quando é comunicado o diagnóstico de câncer ao o paciente, a primeira reação emocional é de descrença, rejeição (negação) ou desespero.

Nessa fase de negação a pessoa pode ter problemas de insônia, perder o apetite, sentir-se angustiada e estar preocupada com o futuro. Esses sintomas podem diminuir conforme ela vai se acostumando com o diagnóstico.

Um dos sinais de que a pessoa está tendo melhor aceitação de sua doença, é a manutenção da capacidade para continuar participando das atividades diárias e sua habilidade para continuar cumprindo seu papel social, de cônjuge, pai (mãe), funcionário(a), etc, incorporando as sessões de tratamento em seu esquema de vida cotidiano.

Por outro lado e, inversamente, aquelas pessoas que demoram muito em aceitar o diagnóstico e perdem o interesse em suas atividades diárias pode ser um forte indício de Depressão.

Uma preocupação muitíssima importante é em relação aos pacientes que no demonstram sintomas óbvios e típicos de depressão. Esses terão uma série de manifestações emocionais patológicas não só extremamente molestas, como também, capazes de interferir negativamente na evolução do tratamento. Esses pacientes com depressão atípica também podem beneficiar-se muito do tratamento.

Tanto os indivíduos como as famílias que se enfrentam a um diagnóstico de câncer experimentaram diversos níveis de estresse e de perturbação emocional. A Depressão aparece como uma doença comórbida, aproximadamente 25% de todos pacientes com câncer (Henriksson – 1995). O medo da morte, alteração dos planos de vida, mudanças na imagem corporal, abalo na autoestima, mudanças na situação social e no estilo de vida, assim como preocupações econômicas e ocupacionais são assuntos importantes na vida de qualquer pessoa com câncer e, ainda assim, nem todos os que estão diagnosticados com câncer experimentam Depressão Grave, como se poderia pensar.

Existem muitos mitos sobre o câncer e da maneira como as pessoas o enfrentam. Alguns desses mitos seria, por exemplo: todas as pessoas com câncer estão deprimidas, a Depressão numa pessoa com câncer é normal, os tratamentos antidepressivos não ajudam a Depressão no câncer.

Mitos sobre o Câncer

Todas as pessoas com câncer estão deprimidas
Depressão numa pessoa com câncer é normal
Tratamentos não ajudam a Depressão no câncer
Todos com Câncer sofreram uma morte dolorosa

Sendo a tristeza uma reação comum à qual todas as pessoas com câncer têm que enfrentar e, sendo também a Depressão bastante comum nesses pacientes, é importante distinguirmos entre os graus normais dessa tristeza e os Transtornos Depressivos francos.

Dependendo da personalidade e do perfil afetivo de cada paciente, alguns podem ter severas dificuldades em se ajustar emocionalmente ao diagnóstico de câncer. O quadro a que estão sujeitas essas pessoas mais sensíveis não diz respeito, simplesmente, à tristeza, aos pensamentos negativos ou à falta de ânimo. Elas podem desenvolver a Depressão Grave (ou Maior). Como vimos, esses 15 a 20% de pacientes têm Depressão Maior e devem ser tratados, para que melhore a qualidade de vida e, principalmente, as perspectivas de sucesso no tratamento oncológico (Massie, 1987; Lynch, 1995).

A Reação Vivencial ao Câncer

Inicialmente, a resposta emocional diante do diagnóstico de câncer pode ser relativamente breve, durando alguns dias ou semanas, e pode incluir sentimentos de incredulidade e rejeição da doença ou, de desespero. Esta resposta emocional é considerada fisiologicamente normal e se situa dentro de um espectro de sintomas depressivos que vai, progressivamente, desde a tristeza normal, até um Transtorno de Adaptação do tipo depressivo ou, mais grave, até uma Depressão Maior. Em seguida vem um período de disforia, marcado por uma confusão emocional crescente. Durante este tempo a pessoa experimentará transtornos do sono e do apetite, ansiedade, ironias e críticas amargas e medo do futuro.

Além de algumas pesquisas apontarem entre 15 e 25% a porcentagem de pacientes com câncer que desenvolvem um quadro de Depressão emocional comórbida, outros estudos epidemiológicos indicam que, no mínimo, metade de todos as pessoas diagnosticadas com câncer se adaptou satisfatoriamente. Spencer (1998) sugeriu alguns indicadores sugestivos de adaptação satisfatória. Seriam:

  1. manter-se ativo nos afazeres cotidianos;
  2. reduzir ao mínimo o impacto da doença nos papeis cotidianos (de pai, cônjuge, empregado, etc.), e;
  3. controlar as emoções normais à doença.

Por outro lado, existem também indicadores sugestivos da necessidade de se efetuar uma intervenção o mais precoce possível:

Indícios da necessidade de tratamento para Depressão

  1. Antecedentes pessoais de Depressão;
  2. Sistema precário de respaldo social, tais como: ser solteiro, ter poucos amigos, ambiente de trabalho solitário;
  3. Crenças persistentes e irracionais ou negação à respeito do diagnóstico (alguns aidéticos se recusam a acreditar em sua doença);
  4. Prognóstico mais grave do tipo e estadiamento do câncer;
  5. Maior disfunção orgânica consequente ao câncer.

Alguns níveis de Depressão se consideram leves e subclínicos, normalmente quando inclui apenas alguns, mas não todos, dos critérios para o diagnóstico de Depressão Grave (Veja os critérios de diagnóstico em DSM.IV). Ainda se tratando de Depressão Leve, poderia ser também angustiante e necessitar de certa intervenção, como por exemplo, a terapia de grupo ou individual, tanto através de um profissional de saúde mental como dos vários grupos de apoio ou auto-ajuda (Meyer, 1995).

Mesmo na ausência de sintomas expressivos de Depressão muitos pacientes manifestam interesse na terapia de apoio, embora nem sempre esses pacientes são encaminhados a um profissional de saúde mental qualificado. Quando não tratados esses casos de Depressão (ainda que leves), depois de terem aparentemente desaparecido, podem recorrerem, se intensificarem e se tornarem duradouros (Massie, 1989; Massie, 1993; Weisman, 1976).

O diagnóstico psiquiátrico nas crianças com câncer

As informações sobre a incidência de depressão em crianças fisicamente saudáveis ainda são limitadas e, muitas vezes, contraditórias. Estudos, não tão recentes, em ambulatórios de pediatria mostram que 38% das crianças apresentam problemas suficientes para justificar uma intervenção psicológica-psiquiátrica.

Algumas pesquisas falam que, entre as idades de 7 a 12 anos, há uma incidência de depressão de 1,9%. Se esses números são verdadeiros, pode-se estimar entre 10 a 15% de alunos deprimidos nas escolas. Em 1982, uma comissão conjunta sobre Saúde Mental Pediátrica nos Estados Unidos indicava que 1,4 milhões de crianças abaixo dos 18 anos de idade, necessitavam de ajuda imediata para transtornos depressivos. (Deuber, 1982).

Em relação ao câncer, tudo leva a crer que a maioria das crianças é capaz de lidar com o caos emocional ocasionado pela doença, e não só dar mostras de boa adaptação mas, muitas vezes, fazendo isso melhor que os adultos com câncer e, frequentemente, muito melhor que seus pais.

Nos momentos imediatos e mediatos ao diagnóstico do câncer infantil os resultados podem ser diferentes. Crianças e pais entrevistadas imediatamente depois do diagnóstico do câncer tiveram significativamente mais problemas psicológicos do que as crianças e pais da população geral. Entretanto, em avaliações subsequentes, não havia nenhuma diferença na incidência de problemas psicológicos experimentados por crianças e pais nos dois grupos.

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